terça-feira, 26 de maio de 2009

Protestantes na orquestra e na aldeia

O Jornal Nacional da Rede Globo acaba de passar uma reportagem componente de sua série desta semana "Os Evangélicos".

Na reportagem, duas coisas interessantes foram salientadas, fatos dos quais eu já tinha conhecimento.

O primeiro é sobre a relação dos protestantes com a música clássica. Tempos atrás uma reportagem da Revista Veja - Os Evangélicos dão o tom (ano 40, nº 22, p.104) - ressaltava a importância que os protestantes - especialmente os mais tradicionais, como a Assembléia de Deus, os Batistas e a Congregação Cristã - dão à música erudita. Aliás, grande parte da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo - 35% dos músicos brasileiros nesta orquestra- era composta por protestantes. Os protestantes são o novo reduto da música erudita no Brasil.

Os protestantes, não a Igreja Católica - responsável pela criação e conservação da boa música no Ocidente. E por que não mais a Igreja Católica? Bem, quando você entra numa igreja católica e vê o pessoal se preocupando com as guitarras e as baterias para contar aquelas músicas horríveis e showzentas (= show + nojenta) na Missa, quando você olha pro Padre Fábio de Melo cantando "olho a olho" com todo aquele seu romantismo meloso e risível, aí você percebe porque não somos mais o reduto da boa música: viramos o conservatório da porcaria musical.

O segundo é sobre as missões dos protestantes junto aos índios. Foi mostrado como presbiterianos atuam junto a aldeias, convertendo muitos índios ao Protestantismo, ensinando-lhe sua visão de Deus - e sem medo de "ofender sua cultura". Passaram até o testemunho de uma índia, relatando a importância que a religião tinha para ela.

Isso era missão nossa! Aliás, nossa nação foi povoada com esse objetivo! Dom João III, em carta a Tomé de Souza, dizia que "a principal causa que me moveu a povoar as ditas terras do Brasil foi para que a gente dela se convertesse à nossa Fé católica". Nossa nação brasileira nasceu sob o estandarte da Cruz e da Evangelização. A Boa-Nova era o impulso dos colonos de nossa terra.

E hoje são os protestantes que convertem os índios. São eles que fazem missão.

E por quê? Por o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil acham que não é necessário evangelizar os índios, para não "ofender sua cultura". Como se a salvação de suas almas pelo Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo fosse inferior à supremacia de sua cultura! E a Fé em Nosso Senhor não é uma ofensa, mas antes a dignificação de qualquer cultura, como o comprovam vários povos evangelizados ao longo da história. Mas o CIMI e a CNBB preferem deixar os índios lá, na nudez, na ignorância de Nosso Senhor, na segregação.

Até o Padre Fábio de Melo meteu sua colherzinha romântica de auto-ajuda no meio, dizendo em seus programas, após abobrinhas relativistas sobre nenhuma religião garantir nada:
"É igual à gente querer evangelizar os índios, que às vezes têm uma vida muito mais saudável do que nós, uma vida muito mais divina do que nós!"
Santa paciência, hein! Nota 0, Padre Fashion!

Que diria o Beato José de Anchieta e o grande Padre Manuel da Nóbrega - eles que quase morreram pela evangelização do Brasil - se vissem uma situação dessas?

O testemunho da índia sobre a importância da religião e de Deus na reportagem mostra que os nativos também procuram a Deus - afinal, são seres humanos como quaisquer outros e possuem dentro de si aquele sentimento religioso que nos chama a Deus, Princípio e Fim de tudo.

Como se vê, pois, os protestantes hoje se apoderam dos nichos que nós, católicos - pela preguiça e desleixo de nossos Bispos, as heresias de nossos padres e a infidelidade nossa, de leigos - deixamos.

Tristes tempos, os nossos...

En Garde!

2 comentários:

  1. Bela atitude dos Protestantes.
    Traduziram até as Sagradas Escrituras para o idioma dos índios.

    Lembremos o que diz o catecismo:
    "O Espírito de Cristo serve-se dessas igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação cuja força vem da plenitude de graça e de verdade que Cristo confiou à Igreja católica." (819 CIC)
    Lembre-se: As igrejas protestantes estão incorporadas em Cristo pelo batismo e merecidamente reconhecidos pelos filhos da Igreja católica como irmãos no SEnhor (CIC 818)

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  2. Caríssimo Sousa,

    Bela atitude foi a dos missionários jesuítas portugueses, que passaram a viver em meio aos índios para aprender a sua língua e foram os primeiros a trabalhar com os nativos em seu próprio idioma. Aliás, o Padre José de Anchieta pregava e ensinava a crianças e adultos em sua própria língua, o Tupi-Guarani. Foram os jesuítas que fizeram uma gramática da língua Tupi visando a tradução da Bíblia e a redação de um Catecismo para os indígenas. Hoje o tupi só existe ainda por causa do trabalho dos jesuítas, não dos protestantes. Foram os católicos os primeiros a evangelizarem os índios em seu próprio idioma, não os protestantes. E se hoje os protestantes puderam traduzir a sua Bíblia - com vários livros a menos, diferente da que Cristo e os Apóstolos usaram - para o tupi, foi porque os jesuítas conservaram essa língua.

    E sobre o que você nos atenta para lembramos, lembre-se também que, como diz o próprio Catecismo da Igreja Católica, fora da Igreja não há salvação (CIC, nn.846-848) e, conforme salienta o Concílio Vaticano II: "Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus por mei ode jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar ou nela perseverar" (Lumen Gentium, n.14).

    Além disso, as comunidades protestantes separadas não possuem todos os elementos da salvação para garanti-la inefavelmente, só possuem alguns destes elementos, e até estes que elas possuem provêm da Igreja Católica, conforme salienta o próprio Catecismo, no parágrafo 819 que você mencionou. As comunidades protestantes só salvariam em caso de ignorância invencível e falta de culpa própria de pertencer a uma comunidade separada do único Corpo Místico de Cristo, a Igreja Católica. "Irmãos no Senhor" são justamente os protestantes que, nascendo em comunidades protestantes e vivendo em ignorância invencível da Fé Católica, não possuem culpa própria de pertencerem a estas comunidades sectárias.

    O Protestantismo, não esqueça, não é um meio de Salvação em si. Aliás, nenhum religião é caminho para Salvação, a não ser a religião católica, fundada por Cristo, conforme salienta o Papa João Paulo II na Encíclica Redemptoris Missio.

    Lembremos disso tudo também, ok?

    []s!

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