domingo, 26 de julho de 2009

Contra Gripe Suína... Comunhão na mão??

Alguns Bispos e Padres têm proibido a comunhão na boca como medida de prevenção ao avanço da gripe suína: para evitar que a saliva de uma pessoa passe à de outra pela mão do Padre. A medida é surreal para quem conhece a disciplina da Igreja: a Igreja ordena que o Padre não toque com os dedos o lábio dos fiéis; o fiel abre a boca e põe um pouco da língua para fora; o Padre, segurando a hóstia santa com as pontas dos dedos por uma extremidade, põe a extremidade contrária sobre a língua do fiel; assim a hóstia logo se gruda à umidade da língua do fiel, e este pode levá-la à boca; nada de toque nos lábios ou na língua.

Como muito bem explicou o Jorge Ferraz no Deus lo vult!, o que deveria ser proibido para evitar o contágio pela gripe suína é a comunhão na mão, não na boca. Trancevemos um trecho de seu texto:
"Vejamos: a pessoa chega na igreja, possivelmente de ônibus. Senta-se nos bancos onde outras pessoas já sentaram, apoiando as mãos no banco da frente. Pega em jornaizinhos que foram utilizados anteriormente por outras pessoas. Pega em dinheiro na hora do ofertório. Aperta as mãos de cinco ou seis pessoas durante o 'abraço da paz'. Dá as mãos durante o pai-nosso. Depois de tudo isso, sem lavar as mãos, ela vai receber a Eucaristia e, pegando-A com as mãos sujas, leva-a à boca! É muito mais razoável que o sacerdote, com as mãos lavadas antes da Santa Missa e durante o ofertório, coloque diretamente a hóstia sagrada na boca dos comungantes, bastando que ele distribua a comunhão como deve fazer, isto é, sem tocar nos lábios dos fiéis."
Fala-se que os Bispos proibiram também o "abraço da paz" e o dar as mãos no momento do Pater Noster - o que é excelente, dado que estas coisas não eram, em verdade, liturgicamente necessárias; e, no caso do dar as mãos no Pater Noster, é até errado -, mas isso não evita que os fiéis estejam com as mãos sujas de tocarem nos bancos dos ônibus em que vieram, de seus carros, nas paredes e nos bancos da igreja, etc. Ou seja, a mão do fiel continua suja, mesmo que se evite o "abraço da paz" e as mãos dadas no Pater Noster.

As únicas mãos que estão limpas - e continuarão limpas, se o procedimento for feito corretamente - são as do sacerdote, lavadas por água pura no momento do Lavabo. E, se o sacerdote der a comunhão na boca como manda a Igreja - isto é, sem tocar nos lábios do fiel, com cuidado e precaução -, o fiel não tocará com suas mãos sujas - ou "infectadas", se já houver vírus por aí - na Sagrada Comunhão, que levará à boca.

É uma medida profilática muito mais razoável e segura, além de que comporta um grandioso bem espiritual para o fiel: fica mais ressaltada a sacralidade da Comunhão Eucarística; o fiel recebe a Comunhão da Igreja, do sacerdote, e não simplesmente a pega com suas mãos.

No Vaticano, talvez com bem maior risco de gripe suína do que por aqui - devido ao constante fluxo de peregrinos e turistas -, não me consta que nada tenha mudado sobre a entrega da Comunhão. Ao contrário, pelo que sei, o Santo Padre continua entregando na boca e de joelhos em suas Missas. Não houve mudança. Por que aqui deveria haver?

Além de não ser uma medida profilática adequada proibir a comunhão na boca, isso só servirá para propagar aquela "lenda negra" que os modernistas inimigos da Eucaristia inventaram, sobre a comunhão na boca não ser higiência; as pessoas, assim, vão tender a evitá-la, mesmo depois de passado o surto de gripe suína.

Faço um apelo aos Senhores Bispos e Padres, para que não usem este momento como pretexto para destruir ou abalar esta piedosa tradição cristã, que tanto bem faz às almas e que expressa bem melhor a sacralidade do mistério eucarístico. Além de que esta medida é canonicamente irregular, pois ninguém pode negar comunhão a um fiel que a queira receber na boca. Faço também um apelo aos fiéis, no sentido de orientarem seus Pastores e Sacerdotes sobre a medida profilática mais adequada - i. e., probir a comunhão na mão.

Senhores Bispos, não frustrem as intenções do Santo Padre de restaurar esse digno esse digno e piedoso costume. Ele já enfrenta inimigos demais fora da Igreja. Não preciso de adversários também dentro dela.

Um comentário:

  1. "Alguns Bispos e Padres têm proibido a comunhão na boca como medida de prevenção ao avanço da gripe suína"
    Bem, o Card. D. Odilo P. Scherer, Arcebispo de São Paulo NÃO é um deles: "Tendo em vista a difusão do vírus H1N1, responsável pela “gripe suína”, mesmo sem haver motivo para pânico nem temores excessivos, no desejo de colaborar com as autoridades sanitárias na prevenção da doença e visando o bem e a saúde do povo, faço as seguintes recomendações para que sejam levadas em consideração em toda a Arquidiocese de São Paulo enquanto perdurar o surto da nova gripe e ela não tiver sido devidamente controlada:

    [...] 3. A Sagrada Comunhão seja recebida preferencialmente nas mãos;" [ http://www.arquidiocese-sp.org.br/artigos/artigos_090723_gripe_H1N1.htm ] Preferencialmente não é obrigatoriamente.

    Jether

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