domingo, 19 de julho de 2009

O herege Frei Betto deturpa a Encíclica Caritas in Veritate

Publicado em: Blog Veritatis Splendor

Chegou-nos por meio de amigos trechos de um artigo de Frei Betto no Correio Braziliense deste 17 de Julho onde o dominicano herege fala sobre a Encíclica Caritas in Veritate, do Papa Bento XVI:

“A caridade na verdade é o título mais recente da encíclica de Bento XVI, lançada a 29 de junho. Nela, o papa enfatiza a dimensão social e política do amor…
[...]
O documento homenageia Paulo VI ao fazer eco à Popolorum Progresio (1967), uma das mais progressistas dos últimos dois séculos.
[...]
Enquanto, no Brasil, se fala em ‘crescimento’, o papa lembra que ‘Paulo VI tinha uma visão articulada do desenvolvimento’.
[...]
A encíclica denuncia que ‘cresce a riqueza mundial em termos absolutos, mas aumentam as desigualdades. Nos países ricos,novas categorias sociais empobrecem e nascem novas pobrezas. Em áreas mais pobres, alguns grupos gozam duma espécie de superdesenvolvimento dissipador e consumista que contrasta, de modo inadmissível, com perduráveis situações de miséria desumanizadora’.
[...]
E há quem suponha que a Teologia da Libertação morreu. Não apenas continua viva, como hoje apresenta abrigo até em documentos papais”.

Não sei o que é pior: se a cara de pau com que Frei Betto diz estas palavras ou se é a deturpação que faz da Caritas in Veritate. Frei Betto certamente não leu o documento e, pior ainda, já acha que é perito no mesmo.

Afirmar que a Teologia da Libertação encontra abrigo na Encíclica de Bento XVI é um absurdo sem precedentes. Dir-nos-ão que talvez o dominicano esteja esquizofrênico, mas achamos que na verdade é uma ação perfeitamente orquestrada e proposital, porque de bom e piedoso Frei Betto não possui nada.

O fato é que a Encíclica de Bento XVI tem sido louvada a altos brados retumbantes. Foi discutida na cúpula do G8, o Papa já foi proposto a Prêmio Nobel da Economia e o Presidente italiano já anunciou que concorda com os ensinamentos sociais de Bento XVI - e não será o primeiro. Que Teólogo da Libertação, em sua canalhice mais que conhecida, não aproveitaria para tirar uma casquinha?

É isto que faz Frei Betto e da forma mais descarada possível.

A Encíclica Caritas in Veritate visa a promover o desenvolvimento integral do ser humano: não a economia por si só, como querem materialistas liberais e comunistas, mas a vida econômica integrada à vida social, cultural, moral e religiosa do ser humano. E nisto não tem, de maneira alguma, base na Teologia da Libertação, mas na perene Doutrina Social da Igreja.

Ao denunciar as desigualdades, o Papa nada mais faz que reiterar a Doutrina Católica. Porque a Igreja Católica não negligencia a gravidade das desigualdades sociais, mas possui um entendimento delas completamente diferente dos Teólogos da Libertação. A Igreja não aceita as desigualdades sociais aberrantes, frutos da falta de caridade, solidariedade e liberdade entre os homens; mas a Igreja entende, baseada no Evangelho, que as pessoas não podem ser todas iguais: é preciso que haja entre elas sadias desigualdades, as quais tornam necessária a mútua cooperação entre os homens, a caridade entre eles. Não são desigualdades aberrantes, mas desigualdades sadias, frutos da particular situação de cada um, e que estimulam a fraternidade entre os homens, fazem com que uns precisem dos outros. Pois Deus, Nosso Senhor, não distribui os talentos de forma igual (Mateus 25,15).

Os Teólogos da Libertação entendem de maneira completamente diversa. Sua tese é a do chamado “igualitarismo” e possui raízes na Revolução Francesa e no Marxismo ateu. Ora, a Teologia da Libertação não tolera nenhuma desigualdade, quer os homens todos iguais, e iguais em tudo, sem diferença econômica alguma que seja. Mas os Teólogos da Libertação não respondem à seguinte questão: se todos os homens possuírem igual situação financeira e econômica, à la comunismo, como poderá haver entre eles caridade? Não serão auto-suficientes e fechados em si mesmos? E então como se desenrolará a vida social, sem que uns precisem dos outros? É por isso que a Igreja condena o igualitarismo marxista; é este mesmo igualitarismo que gera teses como a que diz que “toda religião é igual” e abusos litúrgicos como padres levando leigos para consagrarem junto com ele na Missa (pois, afinal, os leigos seriam “iguais” ao sacerdote…).

Desta maneira, Frei Betto deturpa desavergonhadamente as palavras do Papa Bento XVI sobre a desigualdade: Sua Santidade nada mais fez que reiterar a Doutrina da Igreja a respeito das desigualdades aberrantes de hoje, coisa que já fora feita, por exemplo, na Encíclica Centesimus Annus, de João Paulo II, em inúmeros discursos de ambos os Pontífices e no Compêndio de Doutrina Social da Igreja, publicado sob o Reinado do mesmo Papa Bento. Nada tem a ver com o igualitarismo da Teologia da Libertação.

Ao falar na Encíclica Populorum Progressio, Frei Betto chega ao cúmulo de afirmar que esta Encíclica foi “uma das mais progressistas dos últimos tempos”. Talvez Frei Betto se atenha somente ao vocábulo “Progressio” e daí deduza que a Encíclica foi “progressista”. Porque nesta Encíclica, o Papa Paulo VI se manteve na linha constante da Doutrina Social da Igreja, aprsentando soluções para o mundo moderno a partir dos ensinamentos de seus predecessores - Leão XIII, com a Rerum Novarum; Pio XI, com a Quadragesimo Anno; e João XXIII, com as Encíclicas Mater et Magistra e Pacem in Terris. Nesta Encíclica, Paulo VI alude - como Bento XVI - ao desenvolvimento integral do ser humano, compreensão que a Teologia da Libertação não possui.

A Teologia da Libertação acha que o Reino dos Céus se restringe à libertação das mazelas econômicas e políticas; a libertação não estaria no livrar-se do pecado e na conquista da santidade, mas sim no libertar-se da opressão do capitalismo e no lutar pela reforma agrária. Enfim, a Teologia da Libertação possui uma visão materialista da salvação, e reduz esta mesma salvação ao simples sucesso econômico igualitário: é a utopia de Karl Marx travestida de Cristianismo; Jesus não seria o Redentor dos homens, mas um revolucionário que anuncia a igualdade e o fim da opressão. Este é o anúncio da Teologia da Libertação: materialista, marxista, herético e irreverente (como toda heresia).

Se Frei Betto tivesse lido a Populorum Progressio veria que Paulo VI não enfatiza somente o desenvolvimento econômico (como faz a Teologia da Libertação), mas, sim, o desenvolvimento do homem todo, especial e principalmente seu desenvolvimento moral e espiritual:

O desenvolvimento não se reduz a um simples crescimento econômico. Para ser autêntico, deve ser integral, quer dizer, promover todos os homens e o homem todo [...]. São condições mais humanas também: a consideração crescente da dignidade dos outros, a orientação para o espírito de pobreza, a cooperação no bem comum, a vontade da paz; o reconhecimento, pelo homem, dos valores supremos, e de Deus que é a origem e o termo deles. E finalmente e sobretudo, a fé, dom de Deus acolhido pela boa vontade do homem, e a unidade na caridade de Cristo que nos chama a todos a participar como filhos na vida do Deus vivo, Pai de todos os homens” (nn. 14.21).

E se Frei Betto tivesse lido a Caritas in Veritate, teria visto que Bento XVI também quer o desenvolvimento humano integral, e não somente o desenvolvimento econômico e político (como quer a Teologia da Libertação e Frei Betto, com ela). O Papa até condena os sistemas econômicos que rejeitam a liberdade do ser humano e o tornam uma marionete nas mãos do Estado, como o faz o sistema comunista, em nome de sua malfadada igualdade:

No elenco dos campos onde se manifestam os efeitos perniciosos do pecado, há muito tempo que se acrescentou também o da economia. Temos uma prova evidente disto mesmo nos dias que correm. Primeiro, a convicção de ser auto-suficiente e de conseguir eliminar o mal presente na história apenas com a própria acção induziu o homem a identificar a felicidade e a salvação com formas imanentes de bem-estar material e de acção social. Depois, a convicção da exigência de autonomia para a economia, que não deve aceitar « influências » de carácter moral, impeliu o homem a abusar dos instrumentos económicos até mesmo de forma destrutiva. Com o passar do tempo, estas convicções levaram a sistemas económicos, sociais e políticos que espezinharam a liberdade da pessoa e dos corpos sociais e, por isso mesmo, não foram capazes de assegurar a justiça que prometiam. Deste modo, como afirmei na Encíclica Spe Salvi, elimina-se da história a esperança cristã, a qual, ao invés, constitui um poderoso recurso social ao serviço do desenvolvimento humano integral, procurado na liberdade e na justiça” (n.34).

Bento XVI considera, pois, efeito pernicioso do pecado “identificar a felicidade e a salvação com formas imanentes de bem-estar material” - e a Teologia da Libertação faz exatamente isso. E repugna os sistemas econômicos que “espezinharam a liberdade da pessoa e dos corpos sociais e, por isso mesmo, não foram capazes de assegurar a justiça que prometiam” - como o fez (e faz) exatamente o sistema comunista.

Onde está, pois, a Teologia da Libertação que Frei Betto diz encontrar abrigo na Encíclica de Bento XVI?

Frei Betto não é esquizofrênico. Frei Betto possui muita - muita! - má fé.

E a má fé não é de Cristo. Somente o Demônio, para esconder sua horripilância, se disfarça com má fé em Anjo de Luz; Cristo, ao contrário, se mostra com sinceridade e verdade desnudado numa Cruz.

Frei Betto parece estar disfarçando a horripilância de sua moribunda Teologia da Libertação em anjo de luz.

Mas concordamos que ela não morreu: a Teologia da Libertação está viva nos atos de vários Bispos brasileiros e da CNBB, nas Missas abusivas e desrespeitosas celebradas por todo o país, nos livros da Editora Vozes e nos jornais em que - para vitória da imbecilidade - se dá espaço a Frei Betto e Leonardo Boff.

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