sábado, 1 de agosto de 2009

Darcy Azambuja e o enganoso Poder Político por prestígio

Um dos livros de Ciência Política que estou estudando para uma seleção de monitores de Teoria Geral do Estado, bem como para auxiliar-me na cadeira de Direito Constitucional, é o tradicional manual do eminente jurista gaúcho Darcy Azambuja (1903-1970), "Introdução à Ciência Política" (São Paulo: Globo, 2005).

No capítulo em que analisa a essência e as causas do Poder Político (cap. V), o autor possui, primeiramente, o mérito de reconhecer que todo poder vem de Deus (cf. João 19,11):
"A causa de tudo que existe, com exceção do mal, é Deus. Logo, a causa primária do Poder é Deus", assevera Azambuja (p.48).
A leitura do capítulo é bastante prazerosa e interessante. O jurista desenvolve com maestria sobre a formação social do poder, as fases de evolução do mesmo, suas causas e condições essenciais. Foi um trecho seu sobre as "Condições do Poder" que me chamou, especialmente, a atenção, em virtude da atual conjuntura política brasileira.

Após falar da coação física e do consentimento popular como condições do poder, o autor discorre sobre o prestígio do governante:
"Outra condição, se não do poder, pelo menos de quem o exerce, é o prestígio. O termo é complexo, e compreende o respeito, a simpatia, a confiança, a gratidão, que em muitos casos vão até a idolatria. Comumente o prestígio decorre da função eminente do ocupante do poder; às vezes são as qualidades excepcionais do homem que dão prestígio à função" (p.57).
Elemento usado e abusado nos regimes populistas e, em particular, nos comunistas, o abuso do prestígio mantém o povo sob a cegueira da idolatria, do endeusamento do governante, através de promessas, da supervalorização do progresso material em detrimento do progresso espiritual da nação (uma inversão na ordem das coisas) e da imbecilização do homem.

Azambuja continua:
"Em rigor, o prestígio decorre da inteligência, caráter e cultura dos indivíduos; mas em política, ele advém quase sempe do êxito. Homens que possuem escassamente aquelas qualidades, podem às vezes, auxiliados por uma equipe competente, realizar grandes no poder, e daí obtêm prestígio. Por isso se diz que, aos olhos do povo, o que comprova a capacidade dos governantes é a eficiência" (idem).
Ora, quase se diria que Azambuja, em 1967, previu a atual conjuntura política brasileira! Porque para ninguém é segredo o déficit intelectual do nosso atual Presidente, o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva; para ninguém, igualmente, é segredo que quem controla o governo do Lula são seus acessores e Ministros, estes cobras criadas e espertas: antigamente o Sr. José Dirceu, hoje a Sra. Dilma "ex-terrorista" Roussef, o Dr. Tarso Genro na Justiça, e por aí vai. Apesar de crer que o Lula possua, sim, um grande senso de esperteza e maldade, não vou contra o fato de que este seu senso é que permite os mais experientes na condução do mal atuarem.

E o Governo Lula tem enganado os brasileiros, levado-lhes à cegueira, com a ilusão de um progresso material e econômico que, em contrapartida, promove a desagregação dos valores desta nação, o repúdio de suas tradições e o completo freio de qualquer progresso esperitual - sem o que os progressos materias e econômicos, sejam quais forem, estarão alicerçados na areia, não resistirão; desagregadas as bases da nação, aquilo que lhe confere um sentido e uma alma, não há progresso material que a possa sustentar, não há nação que sobreviva sem o fortalecimento de seus valores e tradições (e o marxismo quer justamente isso: desagregar a nação por este caminho para a implantação da Revolução).

Azambuja adverte justamente contra a efemeridade de suspostos progressos materiais, que enganam e iludem, obtendo a devoção a um governo pela cegueira, mas que, na verdade, não demonstram o essencial - são somente progressos ilusórios, como ilusória é a utopia marxista:
"Não são sempre as qualidades deles que lhes conquistam obediência e apoio, e sim os resultados da ação governamental, os benefícios obtidos para os governados. Estes são muitas vezes transitórios e até enganosos, mas é difícil reformar o utilitarismo político e a ingenuidade das multidões, que não vão além do que os sinco sentidos lhes indicam no mundo" (idem).
Infelizmente, ao que parece, o povo brasileiro tem se deixado levar ingenuamente pelas manipulações e ilusões deste Governo. Não se vai além do que os cinco sentidos indicam no mundo, como aconselha o eminente jurista. Ao mesmo tempo, os valores desta nação são destruídos, do que com certeza não poderá sobrevir nenhum efeito benéfico, nenhum progresso verdadeiro.

2 comentários:

  1. Bom dia! quero deixar gravado meu parabéns por este cometário, só tive a oportunidade de ler um pequeno trecho, e gostei do mesmo,como tive que dar uma saida irei ler, o ref. comentário posteriormente, abraços.

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  2. Darcy Azambuja era o meu preferido também! Comecei a estudá-lo ignorando o autor. Lá para as páginas do meio, já era fã confesso! Fiquei decepcionado ao saber que ele tinha morrido...

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