quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Defender o Direito Natural não é uma questão de "orgulho jusnaturalístico"!

Hoje, numa conversa com um colega de faculdade, acabei envolvendo-me num debate sobre a existência do Direito Natural e a primazia do Direito Positivo. Eu defendia, obviamente, o Direito Natural, as leis postas pelo Criador que o homem é capaz de discernir fazendo uso de sua razão, e que devem fundamentar a lei positiva.

Em meio ao debate, fui acusado de estar defendendo o Direito Natural porque "não gostava que ninguém contrariasse a minha opinião". E o pior é que, no meio positivista, há mesmo uma crítica aos defensores do Direito Natural de que o fazem por mera nostalgia ou por se acharem "os donos da verdade": parece que os jusnaturalistas têm um amor próprio tremendo, um tipo de "orgulho jusnaturalístico".


Platão e Aristóteles: sem dúvida com "orgulho jusnaturalístico"

Mas defender o Direito Natural não é questão de soberba, de orgulho! Se há uma defesa que, em si, está longe do amor próprio é a defesa do Direito Natural (o verdadeiro Direito Natural, em sua perspectiva clássica).
Ora, os que defendem o Direito Natural o fazem, primeiramente, por amor a Deus; por este amor ao Criador, não podemos suportar que se faça pouco de suas leis ou que seus mandamentos sejam revogados na canetada pelos homenzinhos que deveriam obedecê-lo. E aí já há uma prova patente de não haver orgulho: é amor a Deus primeiramente, não amor a si mesmo.

Seria bem mais cômodo não defender nada ou seguir a corrente positivista ou jusalternativista moderna. Quantas vezes os defensores do Direito Natural são expostos ao ridículo, rechaçados como irracionais portadores de "preconceitos religiosos"! E mesmo assim continuamos defendendo as leis naturais, postas pelo Criador para toda a eternidade, e que ninguém pode achar-se no direito de revogar; ainda que sejamos expostos ao ridículo. Isso é orgulho? Isso é amor próprio? Isso é soberba?

Acho que mais orgulho é os homens, meras criaturas, se acharem todo-poderosos a ponto de irem de encontro às leis do Criador, como se pudessem resisti-las ou revogá-las. Isso, sim, é bastante soberba do homem!
Mais ainda: os defensores do Direito Natural, por amarem a Deus, fazem sua defesa das leis naturais por amor ao homem. Eu me pergunto se pessoas como esse meu colega já pararam para pensar em quantos seres humanos foram assassinados nos regimes totalitaristas do século passado em nome da lei positiva do Estado, por mera vontade do Governo que legisla. Uma olhada neste vídeo vai dar uma idéia do que estou falando. Esse pessoal já parou para pensar em quanto sangue foi derramado dentro da lei? Em quantas vidas e famílias foram destruídas na legalidade?
Será amor ao homem - e, portanto, ausência de egoísmo ou orgulho - defender o positivismo que deu azo às barbáries do século XX? Defender que o Estado pode fazer o que bem entender, segundo sua arbitrária vontade legiferante? Será amor ao homem afirmar que a lei vale por si mesma, independentemente de seu conteúdo? Isso é amor ao próximo?
Vou mudar a questão: o que será egoísmo, o que será orgulho: defender que todos os homens tem o direito natural à inviolabilidade da vida ou defender uma teoria que motivou os piores genocídios e assassinatos em massasob o amparo da lei?
Definitivamente os que defendem o Direito Natural não amam a si mesmo num tipo de "orgulho jusnaturalístico". Amam antes a Deus, por quem defendem as leis, e ao homem, a quem a defesa destes direitos naturais beneficia integralmente. Mas amam bem pouco a si mesmo, tanto que são ridicularizados e rechaçados, e mesmo assim continuam defendendo a lei natural posta pelo Criador. Isto, meus caros, definitivamente não é orgulho, definitivamente não é uma mero "não gostar que discordem da sua opinião".
Mas defender uma teoria que deu azo aos piores assassinatos em massa, defender que a lei positivada pelo Estado valha por si mesma, não importando o que comporte ou defina - e aí, talvez, defender que é válido e legítimo o Estado matar cristãos ou judeus simplesmente por serem cristãos ou judeus... por que não? A lei não vale em si mesma? -, defender peremptoriamente uma coisa de tal maneira esdrúxula e desumana, isso, sim, me parece orgulho; isso, sim, me parece soberba, um mero "não gostar que discordem da sua opinião". Porque aí se está defendendo o indefensável. E o que justifica a defesa do indefensável se não uma paixão desregrada por si mesmo - orgulho - e o não querer admitir o próprio erro? Defender o positivismo e não reconhecer sua desumanidade, sim, é um orgulho tremendo, que dá medo - medo mesmo: alguém concorda com o assassinato em massa de católicos pela URSS [foto] ou com o que Hugo Chávez faz na Venezuela, simplesmente porque está na lei?
***
Mas o pior não foi nem só isso.
É espantosa a desonestidade intelectual de algumas pessoas. É inconcebível como a mentalidade relativista moderna é capaz dos piores malabarismos, tudo para ganhar o debate, sem nenhum respeito pelo pensamento do outro ou pela realidade, ambos pisados com os dois pés.
Eu já falei de como fui acusado de defender o Direito Natural simplesmente "por não gostar que discordem de mim". Uma clara evasão...
Mas houve outros tipos de evasões ao longo do debate que me irritaram seriamente.
Além de que me interrompia direto, sem deixar eu concluir um pensamento, ao ponto de eu ter desistido de falar ao menos umas quatrro vezes e elevado a voz outras duas (ninguém é de ferro...), o cara ainda distorcia tudo que eu dizia e afirmava que eu tinha dito tal coisa que não disse.
Episódios do tipo:
Eu: "A lei do aborto, por exemplo. É claramente injusta, pois viola um bem natural e inviolável: a vida. Um Estado que mata os filhos da nação está perdido..."
Ele: "Você diz que a lei do aborto é uma lei contra a nação [vejam a mudança copernicana de foco neste ponto]. Mas, ora, se a nação for em sua maioria a favor do aborto, então será uma lei justa e a favor da nação!"
Alguém tem palavras para definir tamanha desonestidade? Com efeito, eu disse que lei do aborto mata os filhos da nação, não que ela vai contra ou a favor da vontade das maiorias. Além disso, mesmo que as maiorias a desejassem, continuaria injusta e continuaria matando os filhos da nação. É uma lei contra a vida, apesar do que qualquer maioria diga. E a história já provou que as maiorias podem errar...
 Mas percebam que minhas palavras foram completamente distorcidas - sem dó, impiedosa e desonestamente - para concluir com um sofisma defendendo a indefensável lei do aborto!
Típico da mentalidade relativista defender o que é impossível defender.
E por falar em relativismo, sempre que se sentia acuado, este meu colega dizia: "você tem sua opinião... essa é sua opinião... eu tenho a minha..." Ora, nessa linha qualquer debate é inútil! Afinal todo mundo vai ter sua opinião e todo mundo vai estar certo. Por isso sou totalmente a favor da idéia do Olavão [foto], de que se deveria criar um "supositório de opinião". A mentalidade relativista moderna simplesmente acaba com qualquer possibilidade de debate...
Sem contar no outro partidário do positivismo, ao meu lado - sim, eram dois debatedores positivistas... -, que, para me ridicularizar, interrompia meu pensamento com brincadeiras infantis e piadinhas idiotas do tipo: "E a novela das oito?" É de lascar...
E então, quando eu, irritado e ofendido, decidia que não ia mais discutir - afinal, como diz Aristóteles, "Contra principia negantem disputari non potest" - o cara ainda tinha a cara de pau de acusar-me de estar "estava fugindo do debate"!
Pô, o cara distorce o que eu falo, diz que eu disse o que eu não disse, me ridicularizam, tem outro do meu lado fazendo brincadeira infantil, o primeiro se evade a toda hora com a conversa de que "todo mundo tem sua opinião", e eu é que estou fugindo do debate?
É mole?!
É por estas e outras coisas que eu repugno profundamente a mentalidade relativista moderna: é impossível até dialogar com ela. O relativismo moderno é como o burrinho do Shreck: não pára de vomitar bobagens, a ponto de você não poder falar com ele...
Aliás, talvez o burro do Shreck seja até mais maleável...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Lula e Zelaya: uma vergonha para o Brasil

Continua rolando a querela de Honduras. Querela forjada por esquerdistas e seus amiguinhos; por Obama, Chávez, Morales e Lula. Porque querela mesmo não existe nenhuma: Zelaya [foto] é um oportunista que tentou perpetuar-se ilimitadamente no poder, instaurando um regime à la Chávez, e por isso, fazendo valer o artigo 239 da Constituição Hondurenha, a Corte Suprema de Justicia e o Congresso Nacional o depuseram, recorrendo ao Exército para a retirada de Zelaya. Nada mais apropriado; tudo feito dentro da Constituição e para resguardar a liberdade, a democracia hondurenha e proteger o país do totalitarismo - como o que se implantou na venezuela; os hondurenhos não querem um "novo Chávez", desta vez não de boina, mas de chapéu

[
Veja aqui sobre o estudo da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que provou ser a deposição de Zelaya legal e legítima].

Não há, pois, querela alguma. Todo esse pretenso golpe, toda essa balbúrdia, foi tudo inventado pelos comunas e seus amiguinhos, tudo criado por suas mentes sórdidas para justificar o totalitarismo de Zelaya. Afinal, quando você olha quem defende Zelaya, dá pra sentir o drama de Honduras: os abortistas Obama e Lula, os totalitaristas Chávez [foto] e Morales, os ditadores Castro de Cuba... "Diz-me com quem tu andas e direi quem tu és".

Mas o povo hondurenho tem resistido e seus representantes têm dado uma demonstração de vigor e bravura aos que, indevidamente, querem interferir em Honduras.

O medo dos esquerdistas latino-americanos é só que ocorra uma "febre hondurenha" - como a "febre haitiana" que houve quando os escravos proclamaram a Independência do Haiti - e então, seguindo o exemplo de Honduras, cada vez mais pessoas resistam às tentativas totalitárias dos governos esquerdistas latino-americanos, especialmente sua sutil pretensão de instaurar aqui a nova URSS, sob o nome de UNASUL [bandeira ao lado; semelhante à bandeira da URSS]. O medo é só esse: que o exemplo da pequena Honduras gere problemas. Por isso, na cabeça deles, Honduras precisa se dobrar; é um "mal exemplo", inconveniente aos esquerdistas latino-americanos.

Honduras precisa muito das nossas orações! Que a Virgem de Guadalupe, padroeira das Américas, interceda por aquele pequeno, porém grandioso, país.

Indignado com as atitudes recentes do nosso Presidente [foto], dando guarida ao totalitarista Zelaya numa embaixada brasileira e ainda fazendo troça da nação hondurenha e de seus legítimos representantes, escrevi uma carta de repúdio ao Presidente da República.

Escrevi também ao Presidente da República de Honduras, Roberto Micheletti, pedindo-lhe desculpas, como brasileiro, pelas lastimáveis atitudes do nosso Presidente, oferecendo a Honduras meu apoio moral e as minhas orações.

Escrevam vocês também. Se desejarem, podem utilizar as mesmas cartas abaixo, apenas mudando a assinatura. Na carta ao Presidente da República do Brasil, não esqueçam de pôr sob a assinatura o número de algum documento de identificação, para que não se pense ser a mesma pessoa mandando várias cartas.

Para o envio da carta de repúdio ao Presidente Lula, pode-se usar o formulário da Presidência aqui; basta seguir os passos.

Para envio da carta de apoio ao Presidente Micheletti [foto abaixo], de Honduras, pode-se usar o formulário da Casa Presidencial de Honduras. A Carta também pode ser enviada à Secretaria da Presidência e à Secretaria de Relações Exteriores, usando o formulário disponível aqui.



Escrevamos prestando o nosso apoio a Honduras e manifestando nosso repúdio às ações e palavras do Presidente Lula.

Seguem as cartas.

***

Carta de Repúdio às ações do Governo Brasileiro em apoio ao Presidente de Honduras deposto, Manuel Zelaya

Excelentíssimo Sr. Presidente da República Federativa do Brasil,
Luís Inácio Lula da Silva,

A Constituição da República Federativa do Brasil, em seu artigo 4º, estabelece que o Brasil rege-se nas suas relações internacionais, entre outros princípios, pelo da autodeterminação dos povos. Na perspectiva do Constitucionalismo, de acordo com Emer Vattel, a auto-determinação das nações se dá pela sua Constituição, através da qual a nação determina soberanamente o que lhe compete.

Senhor Presidente, a nação hondurenha já determinou soberanamente o que quer para si em sua Carta Constitucional. E é nesta Carta Constitucional de Honduras que, no artigo 239, estabelece-se um único mandato para o Presidente e a deposição de quem queira perpetuar-se no cargo: “ARTICULO 239. El ciudadano que haya desempeñado la titularidad del Poder Ejecutivo no podrá ser Presidente o Designado. El que quebrante esta disposición o proponga su reforma, así como aquellos que lo apoyen directa o indirectamente, cesarán de inmediato en el desempeño de sus respectivos cargos, y quedarán inhabilitados por diez años para el ejercicio de toda función pública".

Ora, foi exatamente isto que fez o ex-Presidente Manuel Zelaya, numa jogada de oportunismo, tentando promover modificação deste dispositivo constitucional para perpetuar-se no poder ad infinitum. Pela Constituição de Honduras deveria, pois, o Presidente Manuel Zelaya ser afastado do poder, como efetivamente aconteceu. Assim está na Constituição de Honduras, assim quis a nação hondurenha, assim determinou soberanamente em sua Carta Magna.

Como, pois, contra Honduras e sua Constituição, Vsª Excia. apóia o Sr. Zelaya?

Pergunto-lhe, Senhor Presidente: Vsª Excia. leu o artigo 239 da Constituição de Honduras antes de acusar os representantes legítimos dos povo hondurenho de golpe?

Repudio profundamente o apoio que Vsª Excia. tem prestado ao ex-Presidente Manuel Zelaya. Foi Zelaya que quis passar por cima da Constituição e da vontade soberana do povo hondurenho, expressa em sua Carta Magna, para perpetuar-se de forma oportunista no poder. Zelaya, pois, quis contrariar a Constituição, dar um golpe; é ele o verdadeiro golpista. Felizmente não o permitiu o povo hondurenho!

E que vergonhoso é ver Vsª Excia. apoiando esta tentativa de totalitarismo do Sr. Zelaya. Que vergonhoso ver o nome do Brasil ser manchado ao dar-se guarida a um oportunista totalitarista.

O mais vergonhoso é ver que, com suas atitudes, Vsª Excia. passa por cima da nossa própria Constituição. Pois, ao apoiar e dar guarida ao Sr. Zelaya contra a própria Constituição de Honduras, Vsª Excia desrespeita o que a nação hondurenha determinou para si em sua Carta Magna, desrespeita a autodeterminação dos povos, colimada em nossa Constituição.

Repudio veementemente, como cidadão brasileiro, as ações de Vsª Excelência em apoio a Manuel Zelaya.

Tenho vergonha do que Vsª Excia. tem feito contra o nome do nosso Brasil, contra a nossa Constituição e também a de Honduras, e mais vergonha ainda do desrespeito com que, em nome do Brasil, Vsª Excia. trata a nação hondurenha.

É vergonhoso, Senhor Presidente.

Vsª Excia. deveria pedir desculpas, aos hondurenhos e aos brasileiros.

Atenciosamente,

Taiguara Fernandes de Sousa.
Campina Grande – Paraíba.
RG: (...)

***

Pedido de desculpas e apoio ao povo hondurenho, endereçado ao seu Presidente, Roberto Micheletti

Excelentíssimo Sr. Presidente da República de Honduras,
Roberto Micheletti Baín,

Sou brasileiro nato, da cidade de Campina Grande, Estado da Paraíba. Escrevo-lhe para pedir, como cidadão da República Federativa do Brasil, minhas mais sinceras desculpas pelas lastimáveis ações do Governo Brasileiro, sob a chefia do Presidente Luís Inácio Lula da Silva, em apoio ao Presidente deposto Manuel Zelaya.

Temos consciência, Excelência, de que nada mais podia ser feito com relação ao Sr. Zelaya; para salvaguardar a Constituição de Honduras e fazer valer o seu artigo 239, o Sr. Manuel Zelaya precisava ser deposto, contra seu oportunismo e tentativa de perpetuar-se ad infinitum no poder. Sabemos, apesar das ações tristes do Governo Brasileiro, que o verdadeiro golpista foi Zelaya, e não Vsª Excia. ou a Suprema Corte de Honduras ou qualquer outro legítimo representante do povo hondurenho.

Peço minhas sinceras desculpas, como cidadão brasileiro, e confesso a Vsª Excia. que estou envergonhado diante das atitudes que o Governo de meu país tem tomado, num flagrante desrespeito à democracia e à soberania do povo hondurenho.

Ao mesmo tempo em que peço desculpas, quero prestar-lhe meu apoio: resista, Sr. Presidente. Pela Constituição de Honduras e pela liberdade, resista. Muitos são os lobos que lançam-se contra Honduras nesse momento; as sombras do totalitarismo estão à porta, querendo dominar Honduras e fazer a liberdade sucumbir. Resista, Senhor Presidente. Resista com coragem e vigor.

Será a maior prova de grandiosidade que Honduras poderá dar, o maior exemplo para todos nós, que nos dizemos grandes nações: Honduras não se dobrou perante a intervenção indevida, perante o totalitarismo, perante a maldade; Honduras resistiu com bravura, com coragem.

Reitero minhas desculpas. Reitero o meu apoio.

Mais que isso, agradeço pela demonstração da bravura e virilidade que Vsª Excia., os demais representantes do povo hondurenho e o próprio povo de Honduras têm dado.

Que o povo hondurenho não dê ouvidos aos cães que ladram, mas possa seguir com fidelidade a si mesmo e a sua Constituição.

Perdoe-nos pelos atos e palavras lastimosos do nosso Presidente, o Sr. Luís Inácio Lula da Silva. Perdoe-nos, por favor.

Isto não é o Brasil, Excelência.

O Brasil não é esta caricatura que o Governo Brasileiro está desenhando dele no cenário internacional.

O Brasil não é o seu Presidente.

Torço por Honduras, torço por Vsª Excia. Tenha certeza de que Honduras está em minhas orações.

Atenciosamente,

Taiguara Fernandes de Sousa.
Campina Grande – Paraíba (Brasil).

sábado, 26 de setembro de 2009

Modernidade: Sodoma, Gomorra, Babilônia...

Inicialmente, peço desculpas aos leitores do En Garde! por não ter postado nada ontem, sexta-feira (25/09); faltou-me o tempo. A postagem que deveria sair ontem, redijo-a hoje (26/09).

***

Tive em minhas mãos esta semana e pude passar uma vista em alguns capítulos no livro "Juventude em Crise ou Sociedade em Crise?", de Irene Tavares de Sá, publicado pela Editora Renes (a mesma Editora que publicou a Nova Enciclopédia Católica), do Rio de Janeiro. Não havia data, mas era um livro já antigo, desgastado. Provavelmente da década de 70, não sei ao certo.

Em algumas páginas me detive com maior atenção e uma delas até fotocopiei, visando justamente a comentar no En Garde!

Muitos se perguntam que rumos tomará esta juventude (perguntavam isto há dois milênios; perguntavam na época do livro e ainda hoje perguntam). Mas nos dias atuais é espantoso a postura dos jovens diante da vida: a desvalorização de suas consciências e de seu corpo, a indiferença em relação a tudo - a família, o trabalho, os estudos -, o hedonismo exarcerbado, a criminalidade crescente (tanto que se cogita a diminuição da maioridade penal) e a banalização da morte e da violência entre jovens são alguns dos fatores que ocasionam este espanto.

A tese da autora com relação a isso é que não é a juventude que está em crise, mas a sociedade em si; a juventude, sendo parte da sociedade, entra em crise com ela.

A Igreja vem dizendo isso há muito tempo. Os Papas têm denunciado constantemente a crise da Modernidade em suas Encíclicas; os documentos magisteriais dos séculos recentes, focalizando tanto a questão moral, p. ex., são prova disso.

A crise da Modernidade é uma crise religiosa, de Fé. A Revolução Protestante de 1517 disse "não" à Igreja Católica de Cristo, e assim não soube mais quem era Deus. A Revolução Francesa disse "não" a Deus, e não soube mais quem era o homem. A Revolução Comunista só pôde ocorrer justamente porque não se sabia mais quem era o homem: haveria homens ou um grande sujeito coletivo? Haveria homem, ou haveria Estado? O que há, afinal?

Tudo a partir da negação da Igreja e de Cristo. É a negação da Fé, é o dizer "não" a Deus que leva o homem ao caos; assim ocorreu com Adão e Eva, sua desobediência e a entrada do pecado e da morte no mundo.

O eminente pensador católico brasileiro Plínio Corrêa de Oliveira constatou isso: no sue magistral Revolução e Contra-Revolução:
"As muitas crises que abalam o mundo hodierno - do Estado, da família, da economia, da cultura, etc. - não constituem senão múltiplos aspectos de uma só crise fundamental, que tem como campo de ação o próprio homem. Em outros termos, essas crises têm sua raiz nos problemas de alma mais profundos, de onde se estendem para todos os aspectos da personalidade do homem contemporâneo e todas as suas atividades" (p.3).
Questionando-se sobre a banalização da sexualidade e do corpo nos tempos modernos com parte desta crise da sociedade e da juventude - uma crise do homem, essencialmente -, Irene Tavares de Sá sustenta:
"Não adianta enterrar a cabeça na areia e negar a realidade. Está tudo aí, patente, ao alcance de qualquer criança, na imprensa, na tevê, no cinema, nos 'posters', nas letras das canções, nas estórias em quadrinhos - o sexo está em tudo... e garotas de doze anos querem experimentar de tudo... Esse fluxo teve várias origens, mas hoje o paladar parece, com o tédio, ter atingido o pont ode saturação, partindo para as aberrações (homossexualismo, indumentária unissex, etc.). Tudo foi saturado de 'sex-appeal' - a arte, o comércio, a indústria - atingindo as raias da pornografia massificada. Países de mentalidade aparentemente burguesa organizam exposições 'pornô'..." (p.86).
Faz-se mister notar, especialmente, a constatação da autora de que o apetite sexual das pessoas entendiou-se e hoje parte para as aberrações. Com efeito, uma sexualidade mal orientada perde seu sentido, torna-se vazia, não é uma realidade realmente sagrada e que dirige o homem a Deus, com o próprio Criador estabeleceu. Quando os homens desvalorizam sua sexualidade, retiram o sexo do seu devido lugar e momento, desvinculam-no do amor - pois o sexo não é outra coisa que não a consumação concreta do amor -, o sexo se torna vazio, tedioso, maçante.

O paladar vai em busca de outras experiências que ultrapassam os limites do sexo, que transformam o homem num animal. As pessoas hoje querem perder a virgindade com 14 anos - na melhor das hipóteses! - e aos 18 já estão praticando o homossexualismo ou o bissexualismo, na falta do que fazer de novo; frequentam clubes de fetichismo, misturam prazer com dor em práticas de sadomasoquismo, até consumam o ato com animais - a chamada zoofilia -, o que é o fundo do buraco para um ser humano que deixou de ser humano e animalizou-se realmente; a zoofilia é a expressão concreta e fática da animalização degradatória do homem. E quiçá sejam estas as piores práticas, por mais horríveis e espantosas que sejam... Mas a criatividade do "homem" moderno para o mal é tão impressionante, que eu não me surpreenderia se diante do tédio sexual ele fosse capaz de criar coisas ainda mais horríveis, que eu nem consigo imaginar...

Eis os frutos da "liberdade" sexual. Exigiram-na tanto os psicólogos freudianos apegados à libido, exigiram-na tanto os sociólogos, as feministas, os marxistas culturais e liberais extremados; e hoje, que temos? Um bando de animais. Talvez Darwin quisesse estudar o momento atual como a regressão das espécies, o retorno à animalidade.

Irene Tavares de Sá constata, então, que a "liberdade" sexual tão exigida e às vezes até imposta - quantos, por desejarem viver a castidade e não serem como animais, são ridicularizados nos dias atuais? É um novo martírio - não foi solução para o suposto homem angustiado e sem felicidade dos séculos anteriores, séculos da repressão cristã, que os liberais tanto condenavam:
"Enquanto certa corrente psicanalítica não consegue explicar por que, a despeito da atual liberdade sexual, persistem o casos de frigidez, impotência e outros distúrbios sexuais tão freqüentes quanto no passado... Afirmam alguns que a moral sexual é produto cultural decorrente duma sociedade repressiva, que impôs o trabalho como obrigação e o prazer como prêmio. No entanto, hoje, que o prazer se tornou 'obrigatório', a sociedade está cheia de neuróticos, angustiados e tarados... Autoridades em psicologia preocupam-se com essa contradição, e a libertação dos instintos não parece ter trazido satisfação e equilíbrio nem ao homem, nem á mulher, nem à sociedade..." (p.86).
Um sociedade cheia de estupradores, pedófilos, gente se suicidando, com vazio na vida e sem felicidade... é a mesma sociedade da "liberdade" sexual, da massificação do prazer e do sexo: estranho, não?

Não, não é estranho. Desvincula-se o sexo do amor, cria-se uma barreira para a felicidade. Resta vazio, desolação. O homem se animaliza, vira um ser irracional, não correspondente com a sua natureza humana: não surpreende que se torne um ser mórbido, desolado, suicida, tarado ou louco - ele está em desordem, não corresponde ao que é.
"[A]s estatísticas advertem que a felicidade não cresceu na razão direta da liberdade sexual (libertinagem). O 'amor' continua um dos anseios mais profundos do homem e da mulher e a parte que o sexo nêle tem nunca se tornará um substituto", afirma a autora.
Com efeito, o homem precisa é do amor, não do sexo sem amor. E amor não é emoção, não é sentimentalismo ignóbil, ou o desejo fulgurante e excitante meramente biológico. Isso não é amor. Amor é doação: é não viver mais para si, é viver para o outro. Um amor que busca somente o prazer próprio não é amor: é, no máximo, uma paixão narcisista e egoísta por si mesmo. E este é o "amor" dos modernos: egoísta, orgulhoso, narcisista. Depois não entendem o namorado que seqüestra a namorada, os casamentos crescentemente terminando em divórcio, fulano que se suicida quando descobre a traição...

A crise do homem atual, por ser uma crise de Deus, é também um crise de amor. O homem moderno, por não entender o Deus que se doa numa Cruz por amor - não só não entendê-lo, mas rejeitá-lo - também não entende o amor, não sabe amar, não sabe doar-se. Não ama. Daí usar o outro como objeto rude de prazer carnal... Foi para responder a esta crise do amor que o Papa Bento XVI decidiu começar seu Pontificado com uma Encíclica sobre o amor, falando do verdadeiro amor: a Deus Caritas est.

O amor é que satisfaz o homem, porque Deus é amor. O sexo sem amor deixa o homem vazio, animaliza-o, por isso: não volta o homem a Deus. E toda criatura, toda realidade temporal, deve voltar o espírito do homem à realidade sobrenatural de Deus, se não é vazia.

Não adianta, pois, buscar sexo a toda hora e com todo mundo pensando que isto vai satisfazer o homem: não satisfaz, e por isso o homem busca cada vez mais aberrações animalescas; não satisfaz porque falta amor. O homem moderno tem que reaprender o que é o amor, antes de buscar o sexo, essencialmente um ato de amor. E o homem moderno só reaprenderá o que é o amor quando olhar para Cristo, doando-se por amor na Cruz. Somente no amor a Deus e ao próximo, na doação completa e incondicional, como Cristo na Cruz, o homem será feliz realmente. O sexo só tem lugar, pois, no contexto de uma doação completa e integral, uma doação de amor: e onde há isso em maior perfeição que no matrimônio, pelo qual homem e mulher se doam diante de Deus e da Igreja por toda a vida, em compromisso de amor para toda a eternidade? O sexo, pois, só será completo e verdadeiro, realização do amor, no matrimônio.

Interessante é a condenação que fazem os hominídios da Modernidade da repressão dos séculos passados, da repressão da Igreja, para justificar sua libertinagem. E condenando o passado, regrtidem à animalidade como se isto fosse uma conquista! Não! A animalidade é que é um retrocesso, uma derrota, um fracasso. O ser homem realmente, estar de acordo com a natureza humana, é que é uma vitória da humanidade. Se ser homem realmente é o que os modernistóides chamam de repressão, ser livre é não ser homem, é ser animal? Não há lógica nisso.

Assim, constata a autora:
"O equilíbrio, a virilidade, a feminilidade e a satisfação das conquistas. A simples volta à animalidade é certamente uma limitação para o ser humano. Se Deus fêz o homem 'à sua imagem e semelhança', qualquer retorno à animalidade é uma degradação..." (p.87).

Com efeito, é preciso recuperar uma verdadeira noção de virilidade e de feminilidade. Ser macho realmente não é sair como um macaco irracional "pegando" todas; ser mulher não é desvalorizar o próprio corpo e se oferecer para o primeiro - ou a primeira... - que apareça. Isso é ser animal, não homem ou mulher. Regredir à animalidade é uma derrota da Modernidade; é preciso recuperar o verdadeiro sentido de virilidade e de feminilidade, sem os quais não se poderá responder à crise do homem moderno. No En Garde! tenho focado muito nisso ultimamente (aqui, aqui, aqui também e ainda aqui).

Para concluir, Irene Tavares de Sá reconhece a necessidade de uma pedagogia que eduque o ser humano para o amor e o vacine contra a banalização do sexo, do corpo e do prazer; esta pedagogia deverá salientar o caráter sagrado do sexo, a grandeza do amor e a sua necessidade para o homem; é uma pedagogia essencialmente cristã:
"A pedagogia moderna reconhece a necessidade duma orientação mais esclarecida dos jovens nesse acidentado terreno e sabemos que tôda ignorância, tabus e hipocrisia são contraproducentes. Uma pedagogia cristça vai mais longe, e aponta a sacralidade do sexo e a grandeza do amor no plano conjugal, sem desconhecimento de tôdas as dificuldades que a tese encerra, numa sociedade que só aponta os outros aspectos de duas realidades tão importantes no plano natural e sobrenatural. Sabe também dos problemas e situações complexas que envolve, e indica o diálogo sincero e competende com a juventude como solução básica. O exemplo também é fundamental..." (p.87).
Somente nesta pedagogia é possível modificar o rumo que tem tomado nossa sociedade moderna: o mesmo rumo de Sodoma, Gomorra e Babilônia, o rumo do caos, da degradação, da decomposição. O fim destas sociedades todos conhecem. Aliás, o termo de toda sociedade começa com a degradação moral do homem em seu próprio seio, sempre e invariavelmente; é incontestável. Para salvarmos a nossa, é preciso primeiro salvarmos a nós mesmos, vivendo ,em primeiro lugar, de acordo com a nossa dignidade de seres humanos - homens e mulheres - e de cristãos.

***

Não li o livro todo, apenas algumas partes, mas me pareceu muito bom; fica a indicação para quem quiser lê-lo. Pelos trechos aqui comentados, é possível perceber a profundidade e a seriedade com que a autora trata das questões concernentes à crise moderna na sociedade e na juventude, uma crise do homem.

A solução desta crise só poderá ser encontrada na redescoberta do amor a partir de Cristo, pois só Ele "revela o homem ao próprio homem" (Conc. Ecum. Vaticano II, Const. Past. Gaudium et Spes, n.22).

***

Já que a postagem de hoje sai num sábado e sendo ela já bastante extensa, publicarei a próxima postagem somente na terça-feira (29/09) - não na segunda (28/09) - para que os leitores do En Garde! tenham tempo de usufruir desta.

En Garde, soldat!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O Estado: inimigo da liberdade?

Nas aulas de Teoria Geral do Estado e Ciência Política vez ou outra surge aquela capciosa questão sempre levantada pelos revolucionários anarquistas: Estado e liberdade são compatíveis? Na medida em que o Estado impõe as leis não haverá mais liberdade, dizem.

E nos últimos tempos esta indagação tem sido levantada com freqüência, havendo quem, não se dizendo anarquista, mas defensor dos direitos humanos, defenda o fim do Estado como inimigo da liberdade humana.

Eu, particularmente, acho a questão fútil por não conseguir conceber a coexistência dos homens em sociedade sem o Estado ou um mínimo resquício de corpo político que seja, desejoso de realizar o bem comum de seus membros.

O Estado desempenha uma função essencial, na medida em que salvaguarda a ordem e vigia pela segurança, visando a atingir o bem comum, que "compreende o conjunto das condições sociais que permitem e favorecem nos homens o desenvolvimento integral da personalidade" (SS. PAPA BEATO JOÃO XXIII. Enc. Mater et Magistra, n.65), desenvolvimento que só pode ser atingido na medida em que o homem progride integralmente a nível material, moral e espiritual, como salientou o Papa Bento XVI, gloriosamente reinante, na sua Encíclica Caritas in Veritate.

Desta feita, se o Estado pelo Direito garante a segurança, a ordem e - por conseguinte - a paz, contribui para o bem comum de todos e de cada um dos homens em seu território, no que desempenha uma função essencial.

Ademais, sendo o homem naturalmente egoísta, em sua natureza corrompida pelo pecado original, a ausência de uma autoridade que emane de todos e governe a todos - Omnis potestas a Deo per populum, segundo Suarez - se faz necessária para frear os anseios puramente individualistas e relembrar que o homem, além de individual, é também social, e que cada atitude sua visando a um bem individual deve contribuir para o bem comum , pois "em conformidade com a natureza social do homem, o be mde cada um está necessariamente relacionado com o bem comum" (Catecismo da Igreja Católica, n.1905); e mais: o Estado tem de lembrar constantemente, e o faz pela sanção penal, que as atitudes individuais do homem não podem prejudicar, na busca do seu bem particular, o bem comum, causando o mal de outrem.

Portanto, neste sentido, de consecução do bem comum e salvaguarda da paz e da ordem, o Estado possui uma função essencial:
"Se cada comunidade humana possui um bem comum que lhe permite recohecer-se como tal, é na comunidade política que encontramos sua realização mais completa. Cabe ao Estado defender e promover o bem comum da sociedade civil, dos cidadãos e dos organismos intermediários" (Catecismo da Igreja Católica, n.1910).
Eu, particularmente, temo por mim e minha família se não houvesse Estado...

Contudo, o mais interessante é que, apesar da lógica sobre a necessidade do Estado, a questão levantada sobre a coexistência de Estado e liberdade ainda é pertinente.

Mas só até certo ponto.

O século passado foi caótico. Os Estados totalitários coletivistas - nazista, fascista e comunistas - são exemplo máximo de como o Estado pode realizar as piores barbáries. Ali, realmente, era inconciliável a liberdade - e não só ela: a vida, a propriedade, a família... - com o Estado. E todos os atentados do poder estatal contra a pessoa humana foram realizados na legalidade, dentro da lei, em nome e pela lei positiva.

Mas a questão, então, não é se Estado é conciliável com a liberdade: ele é, e deve garanti-la, e isto para atingir o bem comum, que é seu objetivo.

A questão é, então, outra: o Estado está respeitando a lei natural, aquela intrínseca e comum a todos os homens?

Porque se o Estado, em sua lei positiva, respeita o Direito Natural, os direitos próprios de todos os homens à vida, à liberdade, à propriedade, etc., então é um Estado justo, que efetivamente dá a cada um o que é seu.

Mas se o Estado, em sua lei positiva, desrespeita os mais caros e intrínsecos direitos dos homens - como o da inviolabilidade da vida, tão atacado hoje em dia - então, em verdade, este Estado poderá fazer tudo que quiser na legalidade de sua própria lei, positivando o que quiser, como quiser, quando quisar, na condição de força suprema e onipotente, sem freios, sem respeito por nada, atropelando a tudo e a todos - e dentro da lei.

E um Estado deste tipo não só é inconciliável com a liberdade: é inconciliável com o próprio homem.

Foi o que fizeram nazistas, fascistas e fazem os comunistas até hoje: tudo o que querem, da maneira que querem, sem respeito pelo homem, e dentro da lei - da sua lei.

E quem criou o ambiente propício para isso foi o malfadado positivismo, da lei pela lei, a lei como válida em sia mesma, não importando seu conteúdo. Por causa desta idéia, em nome e dentro da lei, muito sangue foi derramado.

A questão, pois, não é se o Estado é conciliável com a liberdade do homem, porque é.

A questão é se o Estado está respeitando o Direito Natural, a questão é se o Estado é mesmo o deus supremo da estatolatria hegeliana, ou se deve obedecer a princípios universais, eternos e imutáveis, os princípios da lei natural, estabelecidos pelo próprio Deus.

Somente a restauração do Direito Natural como Direito realmente vigente, na perspectiva do Jusnaturalismo Clássico, poderá sanar este problema seríssimo que o positivismo introduziu em nossa época e que levou às atrocidades do século XX.

Mas isto seria assunto para um outro artigo... ;)

sábado, 19 de setembro de 2009

Estes dias em Recife

Semana passada, como havia dito, viajei a Recife a convite do Pe. Nildo Leal, pároco da Imbiribeira. Foram dias maravilhosos.

O Padre Nildo é uma personalidade impressionante, para o qual elogios não bastam: fiel aos seus princípios, servidor, bem-humorado, cinéfilo, piadista de primeira linha, catolicissimo, com a graça de Deus. É um bom sacerdote, daqueles que nos fazem pensar em como era a Igreja em seus tempos áureos. Foi ótimo em sua companhia, hospedado em sua casa, durante quatro dias. Entre conversas e mais conversas, pudemos falar a questão litúrgica nos dias atuais, sobre o Modernismo e a Teologia da Libertação no Brasil, a questão da Igreja no Nordeste e no Brasil, além de excelentes discussões sobre o Concílio Vaticano II - na esteira do meu livro, que ele teve a deferência de adquirir -, discussões que originaram um artigo sobre o Concílio e o Movimento do Ressourcement, que sairá no Veritatis Splendor em breve. Quando sair aviso aqui.

E além disso tudo, pude desfrutar da Santa Missa Tridentina diariamente, em sua capela privada e na celebração da Festa de Exaltação da Santa Cruz, celebração antecipada para o Domingo, em comemoração dos dois anos de entrada em vigor do Motu Proprio Summorum Pontificum, do Papa Bento XVI, que liberou universalmente a Missa Tridentina. O Jorge Ferraz - que estava ao meu lado na Missa - já publicou as fotos aqui.

Revi ainda os meus caríssimos amigos, do Regnum Christi e afins - que citei na postagem anterior -; fiz novos amigos também, conheci ótimos seminaristas (daqueles que não abrem mão de sue clergyman e de sua batina e que amam o latim) que darão excelentes sacerdotes. Acertei ainda alguns detalhes da minha incorporação ao Regnum Christi que, com as bênçãos de Deus, deverá ocorrer em Novembro, na Festa de Cristo Rei.

Enfim, foram dias maravilhosos, pelos quais só tenho que agradecer a Deus.

Não postei nada aqui semana passada tanto por causa desta viagem quanto devido a outros compromissos que me tomaram o tempo (comecei a Monitoria na faculdade, p. ex.), mas esta semana retorno às postagens, se Deus quiser.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Dois momentos - Laicismo. Criacionismo.

Amanhã viajo a Recife, a convite do Padre Nildo Leal e para rever os meus caríssimos amigos do Regnum Christi e afins - Jorge Ferraz, Gustavo Souza, Lívia, Pacheco, Artur... Estou bastante ansioso para revê-los a todos e gozar de sua prazerosa companhia - sim, sim, é ótimo conversar e estar com eles! E, além da ótima companhia do simpaticíssimo Padre Nildo, poderei assistir às suas belíssimas Missas Tridentinas, tão majestosamente celebradas, inclusive a de Domingo que vem, soleníssima, da Festa de Exaltação da Santa Cruz, e ainda comemorando os dois anos de entrada em vigor do Motu Proprio Summorum Pontificum. Tem tudo para ser, pois, um maravilhoso e memorável fim de semana.

Por causa desta viagem, publicarei o texto de amanhã (sexta-feira), hoje, na quinta. Mas como já é quase meia-noite agora, então é quase sexta.

Na postagem de hoje vou comentar dois momentos interessantes do meu dia, que tocam em boas temáticas para o nosso En Garde!

O primeiro foi na faculdade. Na aula de Direito Constitucional, o Prof. Dr. Hugo César de Araújo Gusmão - Doutor pela Universidade de Granada, Espanha - veio a comentar o Preâmbulo da nossa Constituição Federal de 1988. É um homem inteligentíssimo, conservador politicamente falando até, mas que por sua passagem pela Espanha, suponho, começou a sofrer do terrível mal dos europeus modernos: o laicismo. A questão foi a seguinte: porque a figura de Deus está presente no Preâmbulo da nossa Constituição? A resposta seria que, sendo a maioria dos constituintes católicos à época, era óbvio que figuraria Deus, como desejo da maioria; alem disso, sendo o Preâmbulo portador de emoções, Deus deveria estar presente. Faltaria à nossa sociedade evoluir até o momento em que "Deus não estivesse mais presente na Constituição".

Triste concepção, o laicismo. Triste. Porque fecha o homem em si mesmo e neste mundo; ignora sua dimensão transcendente, que deseja Deus. Pude notar algumas várias imprecisões na colocação do meu Professor sobre a presença de Deus no Preâmbulo. Primeiro, Deus não é figura; isso é preconceito, e preconceito, sim, é emoção. Deus é Pessoa. Segundo, sendo Deus Criador de todos - católicos, judeus, maometanos, ateus, mesmo que eles não aceitem; e até da celulose que deu origem ao papel onde é impressa a Constituição - com muita razão deve estar Deus presente no seu Preâmbulo, ainda que os católicos fossem minoria na Assembléia Constituinte, ou que nem estivessem presente. Deus existe e continuará existindo, queiramos ou não; e continuará sendo nosso Criador, não obstante o reneguemos. Terceiro, falar de Deus não é emoção; Fé não é emoção; Fé é uma adesão da vontade e do intelecto às verdades divinas; Fé envolve Razão - Fé e Razão são as duas asas que elevam o homem a Deus. Esse negócio de Fé ser emoção, sentimento, é coisa inventado pelos neo-petencostais e infelizmente assumida por alguns círculos da RCC, mas não possui nenhum amparo na tradicional Doutrina Católica. Falar de Deus não é emoção; é simplesmente reconhcer-lhe o lugar devido, e isto voluntária e racionalmente. Justiça é a vontade constante de dar a cada um o seu: para os homens "serem justos com Deus", precisam dar-lhe o Seu, por assim dizer, reconhecer-lhe o devido lugar, e isso voluntária e racionalmente. Deus presente na Constituição não é, pois, nem figura, nem mera vontade da maioria, nem emoção; é um fato.

É triste que o laicismo feche o homem a estas realidades tão... racionais!

O segundo momento foi na minha antiga escola, as Lourdinas. Fui convidado a palestrar num Café Filosófico sobre o Criacionismo e o Evolucionismo. Fiquei com o Criacionismo - não sei por quê...

Não quis contar a história do Criacionismo, porque todos conhecem. Quis falar da moderna redescoberta do Criacionismo pela ciência. A Evolução tem mostrado muitos furos, lacunas que não consegue explicar. A moderna genética e a moderna paleontologia têm lhe questionado vários presssupostos.

A Genética pergunta, por exemplo, porquem as espécies parecem surgir repentinamente, sem relação genética com outras, com uma material genético singularíssimo, e desaparecem de forma também abrupta, sem ligação genética com espécies posteriores. A moderna Genética pergunta porque o DNA mitocondrial de todos os homens possui uma tal similaridade que já é possível constatar que todos nós possuímos um substrato comum, derivado de uma mesma mãe, que eles já chamam de "a Eva mitocondrial".

Mas os questionamentos da Paleontologia são ainda mais sérios. A escala geológica - a história do planeta vista de acordo com as sucessivas camadas de sedimentos formadoras bacias sedimentares, como o Grand Canyon, por exemplo - faz questionar por que durante 3 bilhões de anos não houve nenhuma evolução, só se encontrando fósseis de organismo simples, micróbios e algas; e, de repente, há 500 milhões de anos, na chamada explosão cambriana, surgem abruptamente várias espécies diferentes, a um mesmo tempo, num mesmo momento. Por que não houve evolução por 3 bilhões de anos e agora tantas espécies de organismo diferentes evoluem ao mesmo tempo e tão abruptamente? Por que 3 bilhões de anos sem evolução e de repente muita a evolução num só instante, na explosão cambriana? É como se não fosse evolução, mas um um literal surgimento; isso se parece mais com a Criação.

A Paleontologia questiona também porque não existem fósseis intermediários entres as várias espécies distintas. Ora, se a evolução ocorre por mudanças graduais e lentas nas espécies, num processo de adaptação, até que uma espécie seja completamente diferente de sua anetcessora, deveria haver diversos fósseis intermediários entre uma espécie e outra, denotando sucessivas gerações e modificações contínuas. Mas não há. Especialmente em momentos críticos, como nas épocas anteriores à explosão cambriana, onde a vida deixa de ser algas e micróbios para se tornar milípedes, caracóis, vermes, vertebrados pisciformes; nos momentos precedentes à explosão cambriana deveria haver vários fósseis intermediários entre as algas e micróbios e os seres mais complexos. Mas não há. Não há intermédio. Há algas e micróbios de um lado e caracóis e vertebrados pisciformes do outros, sem intermédio. É como se os últimos surgissem, não evoluíssem.

Para uma visão mais completa das evidências da escala geológica para o Criacionismo, ver o artigo do Professor Ariel A. Roth, Ph.D. pela Universidade de Michigan, diretor do Geoscience Research Institute, de Loma Linda, Califórnia. É um interessantíssimo estudo, com argumentos impressionantes para quem é acostumado a um monopólio da Evolução.

Mas várias outras são as questões levantadas pela moderna Paleontologia.

Por que o fóssil mais antigo já descoberto - por arqueólogos canadenses - tem 2 metros de comprimento, de uma forma de vida altamente complexa? As mais primitivas formas de vida não deviam ser simples, segundo a evolução? Por que esta, tão antiga, a mais antiga até hoje, é também tão complexa?

Por que os insetos aparecem tão repentinamente, sem antecessores imediatos, e em altíssima quantidade, no período Carbonífero, a Idade dos Insetos? Sem antecessores, repetimos, e de forma abrupta.

Por que os primeiros peixes vertebrados surgiram 100 milhões de anos antes dos mais recentes invertebrados, se deveria ser o contrário - invertebrado antes de vertebrados?

O surgimento das baleias e dos morcegos continua sendo um mistério... nada consegui explicar como um rato desenvolveu membranas, dedos longos e um sonar, nem como um mamífero perdeu as pernas, ganhou nadadeiras e corpo pisciforme. Nada.

E sobre os homens, nem há fósseis intermediários - os "elos perdidos" - e todos os supostos hominídios ancestrais do homem têm se mostrado para a genética mais macacos do que hominídeos, ao passo que fósseis de verdadeiros homens - como o Neandertal - têm se mostrado mais homens do que macacos: seriam apenas uma outra raça, não um ancestral, ou elo perdido.

Tudo parece apontar para uma Criação, para um surgimento desejado voluntariamente por alguém: Deus.

São questões, questões para a Evolução, que mostram que ela não é completa e acabada. Se p or um lado responde a muita coisa, por outra se omite de responder a várias outras.

E é no Criacionismo que os cientistas estão indo buscar a resposta, o que justifica a moderna redescoberta da teoria tradicional sobre o surgimento do mundo e da vida.

Foi sobre isso que tive a oportunidade de falar hoje à noite. E foi muito bom.

***

Gostaria de pedir orações pelo meu Padrinho de Crisma, Glauco, homem católico, casado há muitos anos, pai de três filhos, a quem muito prezo. Ele está sofrendo de uma enfermidade grave no pulmão e até o momento desconhecida dos médicos; esta sexta será submetido a um cirurgia de alto risco, para instalar um filtro na traquéia. Peço que possamos rezar uma Ave Maria por ele e sua família, para que dê tudo certo:

Ave, Maria,
Cheia de graça,
o Senhor é convosco,
Bendita sois vós entre as mulheres
e Bendito é o fruto do vosso ventre,
Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e nahora de nossa morte.
Amém.


Que Deus lhes pague!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"Eu - o excluído", por Gustavo Souza

Nota: Publicação excepcional por ocasião do Grito dos Excluídos. Trata-se do texto Eu - o excluído, do meu grande amigo e irmão de Movimento, Gustavo Souza, publicado no Blog Exsurge.
***

Eu - o excluído
por Gustavo Souza

Sinto-me um excluído. E hoje, nesse dia em que é dado o direito de gritar a esta classe vil se seres humanos, quero – também eu – lançar o meu brado de indignação frente aos meus opressores; frente àqueles que me tiram o direito de ser indivíduo e me relegam quase à condição de indigente.

A lista das “exclusões” às quais estou sendo submetido é extensa. Sou excluído de todas as formas: ora por adotar determinadas posturas e comportamentos, ora por não adotar determinadas posturas e comportamentos. Certas vezes sou excluído porque faço parte de tal coisa; outras vezes, sou desprezado porque não faço parte de tal coisa. Meus opressores não me entendem, e eu tampouco os compreendo. Portanto, o meu grito é – na verdade – um urro [quase um berro]: deixem-me ser católico!

Chega de me excluírem porque prefiro ouvir o Santo Padre, o Papa, a dar crédito a teólogos de meia tigela que dizem uma coisa hoje e outra amanhã; porque não dou ouvidos a quem vive espalhando os seus “ventos de doutrina” e encantando a multidão com as suas heresias. Devo ser excluído porque prefiro Tomás de Aquino a Leonardo Boff? Se bem que um dia desses, um dos meus opressores acabou me alegrando com um comentário. Disse ele: “Você não passa de um papagaio do Papa – vive repetindo o que ele fala”. Fiquei comovido. As lágrimas me vieram às faces. Eu não merecia tamanho elogio. Mas continuei sendo excluído porque, afinal, a garagem da minha casa continua servindo para guardar o carro: não fundei nenhum igrejola com nome esdrúxulo para extorquir pessoas em nome de Deus…

Chega de me excluírem porque acho que o homem nasceu para ter vida a dois com uma mulher e não com outro homem. Devo ser excluído só porque obedeço cega e fielmente à natureza que em mim está, graças a Deus, arraigada de maneira inseparável? Sendo eu heterossexual, cometo eu algum delito ao defender esta classe que – paulatinamente – se torna minoria neste nosso mundo cor-de-rosa? É justo que eu seja excluído só porque acho que saias combinam com mulheres, e ternos com homens? Acaso não posso ensinar à minha prole [vindoura] que o homossexualismo é pecado mortal e que “papai do céu castiga” quem comete este tipo de infração contra a Lei de Deus? Grito sim: isto é um absurdo!

Chega de me excluírem dizendo que eu não posso ser contrário ao aborto porque sou católico e, portanto, estou movido unicamente por razões de ordem religiosa. Ora, acaso eu não penso? Não posso discordar? Para ter isenção nesta matéria é preciso ser ateu? Por que os judeus, budistas, hindus, muçulmanos e outros que defendem o aborto não “se liberam” também de suas crenças para poder “opinar” com imparcialidade? Só eu – o católico – devo ficar calado?

Chega de me excluírem porque não tenho filiação partidária. Devo ser excluído porque prefiro votar nulo a votar em alguém que defenda a cultura da morte (cujos princípios e propostas são: aborto, eutanásia, pesquisas com células-tronco embrionárias, etc.)? Eu até queria ser presidente da república. Mas, por culpa da minha mãe (que desde que eu era pequeno me incentivou a estudar) acabei tendo o sonho da presidência podado… Ora, se julgo que nenhum partido atende aos requisitos básicos, mínimos, da Doutrina Social da Igreja, por que eu daria minha adesão a eles? Pior: porque eu me filiaria a um partido que contraria abertamente esta Doutrina? Mereço ser excluído porque anteponho a filiação divina – que adquiri por ocasião do Batismo – à filiação partidária?

Chega de me excluírem porque não sou comunista! Que mal há em eu não querer dividir o quintal da minha casa com nenhum sem-terra oportunista? Devo ser excluído apenas porque vejo em Jesus um exemplo de santidade e não um modelo de revolucionário? Por que eu tenho que ser inimigo de empresas capitalistas como a McDonald’s se os caras produzem o melhor McChicken com aplique de catupiry e fritas do mercado?! Bah, francamente!

Chega de me excluírem porque prefiro rezar na missa e dançar na boate. Sim, eu sou excluído porque não faço parte do pessoal que “curte” a missa (dançando, pulando, saltando como pipoca) e diz ir às Cristotecas da vida para rezar. Acaso eu sou obrigado a concordar com essa total inversão das coisas? Tem gente que acha que a missa foi feita para que os fiéis batam palmas, saltem de ponta-a-cabeça diante do altar e façam malabarismo com as galhetas. Eu acho que essas coisas cabem muito bem num circo ou numa festa qualquer; mas não em uma missa. Que mal há em eu não concordar com essa gente? Tem gente que acha que as “boates de Cristo” são um ótimo lugar para o encontro com Deus. Eu continuo achando que são muito mais frutuosas as tradicionais visitas ao Santíssimo Sacramento…. Eu devo ser excluído porque penso assim?

Chega de me excluírem porque prefiro o canto gregoriano dos monges aos hits protestantes da moda! É justo que eu seja desprezado somente porque prefiro as vésperas cantadas em latim aos “funks para Jesus” que se espalham e fazem sucesso entre o povo? (detalhe: em alguns casos, para mim o latim é bem mais compreensível que o funkês).

Chega de me excluírem porque prefiro uma Missa de Formatura a um culto ecumênico. Por que eu trocaria a Perfeita Ação de Graças elevada a Deus na Santa Missa pela prece confusa de homens que rezam a deuses diferentes? (pois é óbvio que eu – católico – rezo a um Jesus bem distinto daquele imaginado pelos espíritas).

Pronto. Falei. Estou cansado de ser excluído. Estou farto de ser calado pelos meus opressores. Por isso decidi gemer, gritar, extravasar. Serei compreendido? Não sei. Serei aceito? É pouco provável. Entretanto, espero – paciente – o dia em que devo receber uma carta da Secretaria de Ressocialização dizendo que vai fazer comigo um processo de inclusão social. Caso eu não receba esta carta, certamente me enviarão uma outra, com outro teor: algo como um gentil convite à extradição em Marte, minha verdadeira e cara Pátria…

sábado, 5 de setembro de 2009

O feminismo e as mulheres modernas

É triste, tristíssimo ver o mal que o feminismo causou nas mulheres modernas, até nas que não tiveram contato direto com a época do "queima-sutiãs".
O feminismo, de tanto querer equiparar as mulheres aos homens, fez com que eles perdessem aquele doce ar de feminilidade que as caracterizava naturalmente, aquela intrepidez da verdadeira mulher; em seu lugar, fez surgir uma geração de molequinhas sem vontade, frescas, que agem como "caniços ao vento" (Mateus 11,7), levadas como penas à menor brisa de modismo atual. Frívolas, imbecis, covardes, como os homens machistas - e não cavalheiros - a quem elas tentavam responder - mas a resposta foi igualar-se a eles.

Produtos do feminismo: mulheres loucas...

O que houve com as mulheres?
O que houve com sua elegância, que foi trocada pela vulgaridade e a peruice? Em lugar da bela modéstia e do pudor, encontramos um exibicionismo estéril, uma desvalorização hedonista do corpo feminino.

As patricinhas... molecas: outro produto sórdido do feminismo

Quiçá o problema fosse só a elegância trocada pela vulgaridade. É o desvalor que atribuem a si mesmas que preocupa. As feministas execravam os machistas porque eles as desvalorizavam - um machista, grande burro em forma de homem, ao contrário do verdadeiro macho, o cavalheiro, realmente desvaloriza a mulher; mas em sua resposta, passaram elas mesmas a se desvalorizarem.
Desvalorizam seu corpo, oferecendo-o como rude instrumento de prazer; desvalorizam suas consciências, deixando-se carregar por qualquer modismo vão; desvalorizam sua feminilidade, parecendo antes animais, liberando instintos sórdidos e primitivos, ao invés de corajosamente dominarem-se a si mesmas, com intrepidez e vontade forte.

Feminismo e aborto: dupla inseparável

O feminismo não reivindicou o direito das mulheres frente aos homens; o feminismo reivindicou o "direito" de ser animal, não mulheres. É o "direito" de fazer tudo o que diziam execrar, mas fazê-lo agora abertamente, não às escondidas - esta foi a reivindicação das feministas.
E hoje vemos mulheres fracas, sem vontade, que se entregam - suas consciências e seus corpos - ao menor e mais débil convite. Hoje vemos mulheres que reclamam dos homens serem cafajestes, safados, "galinhas" - e são elas mesmas a escolherem os cafajestes, os safados e os "galinhas", são elas mesmas as primeiras a serem cúmplices de suas molecagens, de suas covardias, de suas safadezas, são elas mesmas as primeiras a defendê-los e a venerá-los, como se fossem homens em verdade (e não meros moleques covardes e frívolos, que são).

Uma manifestação feminista: é esta... "bestialidade" que reivindicam?

Eu considero uma baita hipocrisia ver algumas mulheres reclamarem de seus namorados hoje em dia: "ele é muito safado", "me faz sofrer tanto!", "me trata como se não fosse nada". E, quando analisamos os fatos, na verdade vemos que tudo que ela dizia do outro, na verdade poderia empregar a si mesma: "sou uma safada", "me faço sofrer", "me trato como se não fosse nada". Para estas mulheres modernas, frívolas e mundanas, ainda vale em radical atualidade o velho e sempre novo conselho de Cristo, sobre a trave no olho.
Que houve com as mulheres...?
Pobres flores gonocócicas
Que à noite despetalais
As vossas pétalas tóxicas!
Pobre de vós, pensas, murchas
Orquídeas do despudor
[...]
O que vos aconteceu
Para assim envenenardes
O pólen que Deus vos deu?
Diria Vinícius, na Balada do Mangue.

Os frutos do feminismo: depravação e desvalorização do corpo feminino

O feminismo falhou. O feminismo não foi capaz de trazer à tona a verdadeira mulher: ele enterrou a verdadeira mulher; ele matou, cremou e enterrou a verdadeira mulher.
As mulheres precisam de uma nova opção, de um novo levante; e há a opção, e possui duas características: feminilidade e tradição.

Somente recuperando sua natural feminilidade, o respeito tradicional por si mesmas, pelos seus relacionamentos e pelos outros, as mulheres poderão renascer desta decadência na qual se encontram. As mulheres precisam reaver os bons costumes, a vida moral digna, de damas respeitosas e cheias de vontade, intrépidas, como as princesas e rainhas de antigamente.

Audrey Hepburn: Exemplo de feminilidade verdadeira e elegância sem vulgaridade


A tradição, minhas caras: é no nosso passado que encontraremos o futuro. Rejeitemos o passado, rejeitemos nossa tradição, nossa identidade, e nada mais teremos, nada seremos: foi o que fez o feminismo, para criar estas peruas e molecas que encontramos à toa hoje.



Sua Majestade, Rania Al-Abdullah, Rainha da Jordânia


De novo a Rainha Rania, discursando: a intrepidez da mulher

As mulheres precisam redescobrir o valor de sua feminilidade.

Que encontrem na Virgem Santíssima, Maria - intrépida e delicada, Rainha e Rosa - o modelo perfeito para restaurarem sua feminilidade autêntica.
"Procura imitar a Santíssima Virgem, e serás [...] mulher de uma só peça" (São Josemaría Escrivá, Sulco, n.443).

O modelo máximo de feminilidade e elegância

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O Governo Lula e o Marxismo Cultural

Muitas vezes os opositores do Governo Lula se vêem diante do argumento de que "este Governo nada tem de socialista" quando debatem com marxistas. O "nada tem de socialista" talvez se refira ao fato de que o Lula ainda não implantou no Brasil a Revolução, a economia planificada, não destruiu ainda a propriedade e o agronegócio, nem eliminou a liberdade política, econômica e religiosa. Porque estes são os ideais dos marxistas. Isto eles fizeram na Rússia, fazem em Cuba e querem fazer em todo lugar.

Mas para entender porque o Lula ainda não atingiu tais objetivos - porque o PT o quer e ele também, e seus acessores (obviamente) - é preciso entender um pouco a história do Marxismo.

O Marxismo surgiu no Ocidente, obra de um alemão, Karl Marx; mas não foi no Ocidente que obteve terreno fértil para implantar-se: foi no Oriente, na Rússia, com a Revolução de 1917. Por que foi dar frutos (maus frutos) justamente lá, e não aqui, no Ocidente, onde nasceu?

As bases da Civilização Ocidental sempre estiveram fundadas na lógica, na razão, mas não uma razão destituída de sentido: uma razão com perspectivas transcendentes, com os olhos na Eternidade, em Deus. Assim, fomos fundamentados sobre a solidez filósofica de Aristóteles e de São Tomás de Aquino, valorizando a Fé e a Razão, e sobre a praticidade e logicidade do Direito Romano e, com ele, do Jusnaturalismo Clássico. Mesmo as posteriores filosofias - como as da época da Ilustração - não conseguiram abalar estas sólidas bases, por causa da interferência vigorosa de uma personagem: a Igreja Católica, a qual, como na época das invasões bárbaras, resguardava da destruição os fundamentos de nossa Civilização.

O mesmo não ocorreu no Oriente. Sucessivas foram as heresias que por lá surgiram e causaram estragos tremendos. O Arianismo, especialmente, negando que Cristo era Deus e Homem, contribuiu, gradualmente, para uma separação entre a Fé e a Razão. O misticismo espiritualizado toma o lugar de uma Fé racional, amparada na adesão do intelecto e da vontade. O Cisma do Oriente, pelo qual a Igreja Ortodoxa separou-se da Sé de Pedro privou o Oriente da autoridade magisterial do Papa, e ainda gerou preconceitos para com o pensamento filosófico ocidental. Tudo isto junto - e mais outros fatores, mas especialmente isso - criou um ambiente no qual reinava o misticismo espiritualista, o relativismo de doutrinas (na linha das Igrejas auto-céfalas), a falta de uma autoridade una, a divisão, o cisma, a desracionalização da vida social e religiosa do homem. Ambiente propício, pois, ao Marxismo.

É aí - livre de um pensamento mais investigativo, de uma filosofia mais sólida e segura, de um Direito mais lógico, sério - que o Marxismo encontrará terrreno fértil para frutificar. E por isso é lá, na Rússia, que ele será implantado política e economicamente, com a Revolução de 1917.

Mas os teóricos marxistas ainda enfrentavam o problema de implanatar o Marxismo no Ocidente: por que aqui o Socialismo não atingia a sociedade como um todo, e só apenas alguns indivíduos?

Foi Antonio Gramsci que encontrou os motivos: são os fundamentos do Ocidente que barram a implantação do Marxismo; é o Cristianismo, é o Aristotelismo, é o Tomismo, é o Direito Romano, é o Papa; é isto que não permite ao Marxismo crescer por aqui.

É preciso, pois, mudar as bases do pensamento no Ocidente. Gramsci propõe, pois, o contrário de Marx: Marx dizia ser preciso mudar a infra-estrutura (economia e política) para mudar a super-estrutura (as consciências); Gramsci diz que é preciso mudar a super-estrutura (as consciências, o pensamento, a cultura) para mudar a infra-estrutura (a economia e a política). Largando mão do Princípio da Não-Contradição, o Marxismo tenta se provar pelo contrário de si mesmo; e é impossível que algo seja verdadeiro contradizendo-se a si mesmo.

É com Gramsci que surge o Marxismo Cultural: a Revolução na cultura, na Fé, nos pensamentos. Marcuse vai unir Marx a Freud e justificar os mais sórdidos ímpetos animais do homem, advindos do pecado original: é a Revolução na moral. Daí a degradação de valores, a degradação do pensamento, os absurdos que muitos justificam nos dias atuais como se fossem coisas "lógicas", o aborto, as paradas gay, o "orgulho pedófilo", a imbecilização coletiva e a burrice generalizada nos mais variados meios.

Fatores necessários ao Marxismo Cultural para domesticar o homem e implantar o Marxismo político e econômico.

E aí entendemos onde está o Marxismo do Governo Lula.

Este Governo (e não só ele, como outros anteriores) não pode de súbito abolir a propriedade e a liberdade política, religiosa e econômica, todos bens protegidos juridicamente pela Carta Magna desta República. O Governo não possui momento político propício para realizar uma Revolução que jogue fora a Constituição, ela ainda jovem, com 20 anos, e ainda vigorosa.

É preciso criar o momento político da Revolução, criar o ambiente para implantar o Marxismo político e econômico. E como se faz isso? Com o Marxismo Cultural, desestabilizando os valores e o pensamento desta nação; e só aí compreendemos o que vem acontecendo no Brasil ultimamente: o abortismo, o gayzismo, a marcha pela maconha patrocinada pelo Governo, os ataques à família brasileira, a guerra declarada aos valores mais caros desta nação.

Tudo para criar a desestabilidade, fomentar o caos, desvincular o Brasil se sua tradição, de sua cultura, de sua identidade, de seu passado; e, ao fazer isso, retirar qualquer perspectiva de futuro. O caos.

E então a Revolução. E então o Marxismo na política e na economia.

É aí que, ao contrário do que dizem marxistas desanimados, repousa o Socialismo do Governo Lula.

E por isto o Presidente está tão desesperado para garantir a perpetuação no poder, por meio de Dilma Roussef: o projeto comunista para o Brasil precisa de mais tempo.