quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Dois momentos - Laicismo. Criacionismo.

Amanhã viajo a Recife, a convite do Padre Nildo Leal e para rever os meus caríssimos amigos do Regnum Christi e afins - Jorge Ferraz, Gustavo Souza, Lívia, Pacheco, Artur... Estou bastante ansioso para revê-los a todos e gozar de sua prazerosa companhia - sim, sim, é ótimo conversar e estar com eles! E, além da ótima companhia do simpaticíssimo Padre Nildo, poderei assistir às suas belíssimas Missas Tridentinas, tão majestosamente celebradas, inclusive a de Domingo que vem, soleníssima, da Festa de Exaltação da Santa Cruz, e ainda comemorando os dois anos de entrada em vigor do Motu Proprio Summorum Pontificum. Tem tudo para ser, pois, um maravilhoso e memorável fim de semana.

Por causa desta viagem, publicarei o texto de amanhã (sexta-feira), hoje, na quinta. Mas como já é quase meia-noite agora, então é quase sexta.

Na postagem de hoje vou comentar dois momentos interessantes do meu dia, que tocam em boas temáticas para o nosso En Garde!

O primeiro foi na faculdade. Na aula de Direito Constitucional, o Prof. Dr. Hugo César de Araújo Gusmão - Doutor pela Universidade de Granada, Espanha - veio a comentar o Preâmbulo da nossa Constituição Federal de 1988. É um homem inteligentíssimo, conservador politicamente falando até, mas que por sua passagem pela Espanha, suponho, começou a sofrer do terrível mal dos europeus modernos: o laicismo. A questão foi a seguinte: porque a figura de Deus está presente no Preâmbulo da nossa Constituição? A resposta seria que, sendo a maioria dos constituintes católicos à época, era óbvio que figuraria Deus, como desejo da maioria; alem disso, sendo o Preâmbulo portador de emoções, Deus deveria estar presente. Faltaria à nossa sociedade evoluir até o momento em que "Deus não estivesse mais presente na Constituição".

Triste concepção, o laicismo. Triste. Porque fecha o homem em si mesmo e neste mundo; ignora sua dimensão transcendente, que deseja Deus. Pude notar algumas várias imprecisões na colocação do meu Professor sobre a presença de Deus no Preâmbulo. Primeiro, Deus não é figura; isso é preconceito, e preconceito, sim, é emoção. Deus é Pessoa. Segundo, sendo Deus Criador de todos - católicos, judeus, maometanos, ateus, mesmo que eles não aceitem; e até da celulose que deu origem ao papel onde é impressa a Constituição - com muita razão deve estar Deus presente no seu Preâmbulo, ainda que os católicos fossem minoria na Assembléia Constituinte, ou que nem estivessem presente. Deus existe e continuará existindo, queiramos ou não; e continuará sendo nosso Criador, não obstante o reneguemos. Terceiro, falar de Deus não é emoção; Fé não é emoção; Fé é uma adesão da vontade e do intelecto às verdades divinas; Fé envolve Razão - Fé e Razão são as duas asas que elevam o homem a Deus. Esse negócio de Fé ser emoção, sentimento, é coisa inventado pelos neo-petencostais e infelizmente assumida por alguns círculos da RCC, mas não possui nenhum amparo na tradicional Doutrina Católica. Falar de Deus não é emoção; é simplesmente reconhcer-lhe o lugar devido, e isto voluntária e racionalmente. Justiça é a vontade constante de dar a cada um o seu: para os homens "serem justos com Deus", precisam dar-lhe o Seu, por assim dizer, reconhecer-lhe o devido lugar, e isso voluntária e racionalmente. Deus presente na Constituição não é, pois, nem figura, nem mera vontade da maioria, nem emoção; é um fato.

É triste que o laicismo feche o homem a estas realidades tão... racionais!

O segundo momento foi na minha antiga escola, as Lourdinas. Fui convidado a palestrar num Café Filosófico sobre o Criacionismo e o Evolucionismo. Fiquei com o Criacionismo - não sei por quê...

Não quis contar a história do Criacionismo, porque todos conhecem. Quis falar da moderna redescoberta do Criacionismo pela ciência. A Evolução tem mostrado muitos furos, lacunas que não consegue explicar. A moderna genética e a moderna paleontologia têm lhe questionado vários presssupostos.

A Genética pergunta, por exemplo, porquem as espécies parecem surgir repentinamente, sem relação genética com outras, com uma material genético singularíssimo, e desaparecem de forma também abrupta, sem ligação genética com espécies posteriores. A moderna Genética pergunta porque o DNA mitocondrial de todos os homens possui uma tal similaridade que já é possível constatar que todos nós possuímos um substrato comum, derivado de uma mesma mãe, que eles já chamam de "a Eva mitocondrial".

Mas os questionamentos da Paleontologia são ainda mais sérios. A escala geológica - a história do planeta vista de acordo com as sucessivas camadas de sedimentos formadoras bacias sedimentares, como o Grand Canyon, por exemplo - faz questionar por que durante 3 bilhões de anos não houve nenhuma evolução, só se encontrando fósseis de organismo simples, micróbios e algas; e, de repente, há 500 milhões de anos, na chamada explosão cambriana, surgem abruptamente várias espécies diferentes, a um mesmo tempo, num mesmo momento. Por que não houve evolução por 3 bilhões de anos e agora tantas espécies de organismo diferentes evoluem ao mesmo tempo e tão abruptamente? Por que 3 bilhões de anos sem evolução e de repente muita a evolução num só instante, na explosão cambriana? É como se não fosse evolução, mas um um literal surgimento; isso se parece mais com a Criação.

A Paleontologia questiona também porque não existem fósseis intermediários entres as várias espécies distintas. Ora, se a evolução ocorre por mudanças graduais e lentas nas espécies, num processo de adaptação, até que uma espécie seja completamente diferente de sua anetcessora, deveria haver diversos fósseis intermediários entre uma espécie e outra, denotando sucessivas gerações e modificações contínuas. Mas não há. Especialmente em momentos críticos, como nas épocas anteriores à explosão cambriana, onde a vida deixa de ser algas e micróbios para se tornar milípedes, caracóis, vermes, vertebrados pisciformes; nos momentos precedentes à explosão cambriana deveria haver vários fósseis intermediários entre as algas e micróbios e os seres mais complexos. Mas não há. Não há intermédio. Há algas e micróbios de um lado e caracóis e vertebrados pisciformes do outros, sem intermédio. É como se os últimos surgissem, não evoluíssem.

Para uma visão mais completa das evidências da escala geológica para o Criacionismo, ver o artigo do Professor Ariel A. Roth, Ph.D. pela Universidade de Michigan, diretor do Geoscience Research Institute, de Loma Linda, Califórnia. É um interessantíssimo estudo, com argumentos impressionantes para quem é acostumado a um monopólio da Evolução.

Mas várias outras são as questões levantadas pela moderna Paleontologia.

Por que o fóssil mais antigo já descoberto - por arqueólogos canadenses - tem 2 metros de comprimento, de uma forma de vida altamente complexa? As mais primitivas formas de vida não deviam ser simples, segundo a evolução? Por que esta, tão antiga, a mais antiga até hoje, é também tão complexa?

Por que os insetos aparecem tão repentinamente, sem antecessores imediatos, e em altíssima quantidade, no período Carbonífero, a Idade dos Insetos? Sem antecessores, repetimos, e de forma abrupta.

Por que os primeiros peixes vertebrados surgiram 100 milhões de anos antes dos mais recentes invertebrados, se deveria ser o contrário - invertebrado antes de vertebrados?

O surgimento das baleias e dos morcegos continua sendo um mistério... nada consegui explicar como um rato desenvolveu membranas, dedos longos e um sonar, nem como um mamífero perdeu as pernas, ganhou nadadeiras e corpo pisciforme. Nada.

E sobre os homens, nem há fósseis intermediários - os "elos perdidos" - e todos os supostos hominídios ancestrais do homem têm se mostrado para a genética mais macacos do que hominídeos, ao passo que fósseis de verdadeiros homens - como o Neandertal - têm se mostrado mais homens do que macacos: seriam apenas uma outra raça, não um ancestral, ou elo perdido.

Tudo parece apontar para uma Criação, para um surgimento desejado voluntariamente por alguém: Deus.

São questões, questões para a Evolução, que mostram que ela não é completa e acabada. Se p or um lado responde a muita coisa, por outra se omite de responder a várias outras.

E é no Criacionismo que os cientistas estão indo buscar a resposta, o que justifica a moderna redescoberta da teoria tradicional sobre o surgimento do mundo e da vida.

Foi sobre isso que tive a oportunidade de falar hoje à noite. E foi muito bom.

***

Gostaria de pedir orações pelo meu Padrinho de Crisma, Glauco, homem católico, casado há muitos anos, pai de três filhos, a quem muito prezo. Ele está sofrendo de uma enfermidade grave no pulmão e até o momento desconhecida dos médicos; esta sexta será submetido a um cirurgia de alto risco, para instalar um filtro na traquéia. Peço que possamos rezar uma Ave Maria por ele e sua família, para que dê tudo certo:

Ave, Maria,
Cheia de graça,
o Senhor é convosco,
Bendita sois vós entre as mulheres
e Bendito é o fruto do vosso ventre,
Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e nahora de nossa morte.
Amém.


Que Deus lhes pague!

2 comentários:

  1. Gostaria que você me indicasse algum livro sobre a virtude da castidade.

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  2. Caríssimo,

    um ótimo livro, que trata não só de castidade mas de vários outros temas, como a valentia, a prudência, a virilidade, e demais virtudes, é este que cito sempre em meus posts: "Caminho", de São Josemaría Escrivá. Podes começar por ele e depois ler "Sulco" e "Forja", do mesmo autor.

    São meus livros de meditação diária e sem dúvida causarão em ti o mesmo bem ou mais ainda que em mim.

    Meu cordial abraço!

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