sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O Governo Lula e o Marxismo Cultural

Muitas vezes os opositores do Governo Lula se vêem diante do argumento de que "este Governo nada tem de socialista" quando debatem com marxistas. O "nada tem de socialista" talvez se refira ao fato de que o Lula ainda não implantou no Brasil a Revolução, a economia planificada, não destruiu ainda a propriedade e o agronegócio, nem eliminou a liberdade política, econômica e religiosa. Porque estes são os ideais dos marxistas. Isto eles fizeram na Rússia, fazem em Cuba e querem fazer em todo lugar.

Mas para entender porque o Lula ainda não atingiu tais objetivos - porque o PT o quer e ele também, e seus acessores (obviamente) - é preciso entender um pouco a história do Marxismo.

O Marxismo surgiu no Ocidente, obra de um alemão, Karl Marx; mas não foi no Ocidente que obteve terreno fértil para implantar-se: foi no Oriente, na Rússia, com a Revolução de 1917. Por que foi dar frutos (maus frutos) justamente lá, e não aqui, no Ocidente, onde nasceu?

As bases da Civilização Ocidental sempre estiveram fundadas na lógica, na razão, mas não uma razão destituída de sentido: uma razão com perspectivas transcendentes, com os olhos na Eternidade, em Deus. Assim, fomos fundamentados sobre a solidez filósofica de Aristóteles e de São Tomás de Aquino, valorizando a Fé e a Razão, e sobre a praticidade e logicidade do Direito Romano e, com ele, do Jusnaturalismo Clássico. Mesmo as posteriores filosofias - como as da época da Ilustração - não conseguiram abalar estas sólidas bases, por causa da interferência vigorosa de uma personagem: a Igreja Católica, a qual, como na época das invasões bárbaras, resguardava da destruição os fundamentos de nossa Civilização.

O mesmo não ocorreu no Oriente. Sucessivas foram as heresias que por lá surgiram e causaram estragos tremendos. O Arianismo, especialmente, negando que Cristo era Deus e Homem, contribuiu, gradualmente, para uma separação entre a Fé e a Razão. O misticismo espiritualizado toma o lugar de uma Fé racional, amparada na adesão do intelecto e da vontade. O Cisma do Oriente, pelo qual a Igreja Ortodoxa separou-se da Sé de Pedro privou o Oriente da autoridade magisterial do Papa, e ainda gerou preconceitos para com o pensamento filosófico ocidental. Tudo isto junto - e mais outros fatores, mas especialmente isso - criou um ambiente no qual reinava o misticismo espiritualista, o relativismo de doutrinas (na linha das Igrejas auto-céfalas), a falta de uma autoridade una, a divisão, o cisma, a desracionalização da vida social e religiosa do homem. Ambiente propício, pois, ao Marxismo.

É aí - livre de um pensamento mais investigativo, de uma filosofia mais sólida e segura, de um Direito mais lógico, sério - que o Marxismo encontrará terrreno fértil para frutificar. E por isso é lá, na Rússia, que ele será implantado política e economicamente, com a Revolução de 1917.

Mas os teóricos marxistas ainda enfrentavam o problema de implanatar o Marxismo no Ocidente: por que aqui o Socialismo não atingia a sociedade como um todo, e só apenas alguns indivíduos?

Foi Antonio Gramsci que encontrou os motivos: são os fundamentos do Ocidente que barram a implantação do Marxismo; é o Cristianismo, é o Aristotelismo, é o Tomismo, é o Direito Romano, é o Papa; é isto que não permite ao Marxismo crescer por aqui.

É preciso, pois, mudar as bases do pensamento no Ocidente. Gramsci propõe, pois, o contrário de Marx: Marx dizia ser preciso mudar a infra-estrutura (economia e política) para mudar a super-estrutura (as consciências); Gramsci diz que é preciso mudar a super-estrutura (as consciências, o pensamento, a cultura) para mudar a infra-estrutura (a economia e a política). Largando mão do Princípio da Não-Contradição, o Marxismo tenta se provar pelo contrário de si mesmo; e é impossível que algo seja verdadeiro contradizendo-se a si mesmo.

É com Gramsci que surge o Marxismo Cultural: a Revolução na cultura, na Fé, nos pensamentos. Marcuse vai unir Marx a Freud e justificar os mais sórdidos ímpetos animais do homem, advindos do pecado original: é a Revolução na moral. Daí a degradação de valores, a degradação do pensamento, os absurdos que muitos justificam nos dias atuais como se fossem coisas "lógicas", o aborto, as paradas gay, o "orgulho pedófilo", a imbecilização coletiva e a burrice generalizada nos mais variados meios.

Fatores necessários ao Marxismo Cultural para domesticar o homem e implantar o Marxismo político e econômico.

E aí entendemos onde está o Marxismo do Governo Lula.

Este Governo (e não só ele, como outros anteriores) não pode de súbito abolir a propriedade e a liberdade política, religiosa e econômica, todos bens protegidos juridicamente pela Carta Magna desta República. O Governo não possui momento político propício para realizar uma Revolução que jogue fora a Constituição, ela ainda jovem, com 20 anos, e ainda vigorosa.

É preciso criar o momento político da Revolução, criar o ambiente para implantar o Marxismo político e econômico. E como se faz isso? Com o Marxismo Cultural, desestabilizando os valores e o pensamento desta nação; e só aí compreendemos o que vem acontecendo no Brasil ultimamente: o abortismo, o gayzismo, a marcha pela maconha patrocinada pelo Governo, os ataques à família brasileira, a guerra declarada aos valores mais caros desta nação.

Tudo para criar a desestabilidade, fomentar o caos, desvincular o Brasil se sua tradição, de sua cultura, de sua identidade, de seu passado; e, ao fazer isso, retirar qualquer perspectiva de futuro. O caos.

E então a Revolução. E então o Marxismo na política e na economia.

É aí que, ao contrário do que dizem marxistas desanimados, repousa o Socialismo do Governo Lula.

E por isto o Presidente está tão desesperado para garantir a perpetuação no poder, por meio de Dilma Roussef: o projeto comunista para o Brasil precisa de mais tempo.

2 comentários:

  1. A parte das conclusões do post, vc diz que o marxismo nasce no Ocidente, mas não encontrando aqui terreno fértil, vai desenvolver-se junto aos Orientais na Russia. Isto me faz lembrar uma afirmação do Janer Cristaldo na polêmica subsequente a sua expulsão do MSM. Não me rocordo do inteiro teor do que disse. Era no sentido de denunciar a relação entre a força do Catolicismo e a força do Comunismo dentro duma mesma nação. É um associação intrigante - não uma simples difamação - apesar de vinda de um confesso opositor da Religião. De fato, o Marxismo ganhou força nas nações católicas (ou de uma concepção cristã mais próxima da católica, como no caso dos países eslavos) e foi fraco em nações protestantes. O que faz pensar que há algo no caráter católico compatível ao comunismo, ou, pelo menos, sensível aos seus apelos.

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  2. É uma questão que precisa ser estudada, meu caro...

    À primeira vista, posso ter algumas suspeitas sobre o que haveria de "compatível". Por exemplo, a questão da justiça social e do bem comum, que o comunismo pode abordar de forma enganosa e sedutora aos incautos, para logo torná-los materialistas e descrentes na dimensão vertical da Cruz.

    Mas é preciso estudar melhor...

    []s!

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