sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"Reflexões sobre '1984', de George Orwell" ou "Eu sou um Ideocriminoso"

Estes dias tive a oportunidade de ler o famoso livro "1984" (Trad. Wilson Velloso. 29 ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005), uma distopia (utoptia trágica) imaginada pelo britânico George Orwell  (foto) em 1949, sem dúvida um dos maiores teóricos políticos do século XX.  Assisti também ao filme baseado no livro, dirigido por Michael Radford, com John Hurt e Richard Burton.

Sem deter-me demais na narrativa, a história se passa em torno de três potências constantemente em guerra: Oceania (onde mora o protagonista, Wiston Smith), Eurásia e Lestásia, que correspondem a megablocos formados pelos países de nosso mundo. Oceania vive sob um regime socialista, o Ingsoc, ou Socialismo Inglês. Os pilares deste regime estão no seu próprio lema: "Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força"; pois o Partido precisa estar constantemente em Guerra com as outras potências para queimar a sua produção industrial - produção que não pode ser distribuída para os habitantes de Oceania, o que caracterizaria um regime capitalista, em que as pessoas poderiam ascender livremente e assim revoltar-se contra o Ingsoc (178-192) - e uma guerra interminável, que nem vai nem vem, geraria potências sempre intocáveis em si mesmas, fechadas às influências externas, quase o mesmo efeito de uma paz permanente - por isso "Guerra é Paz";  ao mesmo tempo, o Partido cerceia as liberdades dos indivíduos, escraviza-os, pois a verdadeira liberdade é a do sujeito coletivo, do Partido como um todo, e não a liberdade dos indivíduos - por isso "Liberdade é Escravidão"; e "Ignorância é Força" porque é preciso manter as pessoas na imbecilidade, para garantir a força do sujeito coletivo, do Partido: se o indivíduo pensasse poderia pensar contra o Ingsoc, e esse é o fim de todo regime...
É sobre este último ponto que gostaria de me deter. Com sua distopia, Orwell alerta, na verdade, contra uma nova fase de totalitarismo em curso nos dias atuais. Os totalitarismos baseados unicamente sobre a força pereceram porque não destruíram a maior força do homem: o pensamento, dom de Deus ao ser humano racional. A nova fase do totalitarismo, pois, visa justamente a isso: destruir o pensamento, cerceá-lo, tornar os homens um bando de imbecis a serviço da ideologia dominante. O comunismo percebeu isso a um momento e tentou empregá-lo por meio da Psicopolítica, como já afirmamos em outro texto; não teve tanto sucesso na URSS, mas no mundo como um todo a Psicopolítica está sempre em ação, segundo o programa do Marxismo Cultural. Aqui no Brasil, já comentamos antes, esta tem sido a principal linha de combate do Governo Lula.
Cercear o pensamento, pois, é a principal arma da nova fase do totalitarismo. Em "1984", Orwell indica vários meios pelos quais o Ingsoc detêm o pensamento. Um dos mais interessantes é a Novilíngua.
A Novilíngua é o idioma oficial de Oceania e do Ingsoc. É um idioma que reduz ao máximo a quantidade e o sentido das palavras, que agora passarão a ser de número e sentido rigidamente definidos; o objetivo é reduzir a capacidade de pensar ou de exprimir pensamentos contra a ideologia do Ingsoc, evitando o que, em Novilíngua, se chama crimidéia, o crime de idéia, pensar contra e fora da ideologia.
Um dos personages, Syme, explica a Wiston os objetivos da Novilíngua:
"Não vês que todo o objetivo da Novilíngua é estreitar a gama do pensamento? No fim, tornaremos a crimidéia literalmente impossível, porque não haverá palavras para expressá-la. Todos os conceitos necessários serão expressos exatamente por uma palavra, de sentido rigidamente definido, e cada significado subsidirário eliminado, esquecido. [...] Cada ano, menos e menos palavras, e a gama da consciência sempre uma pausa menor. Naturalmente, mesmo em nosso tempo, não há motivo nem desculpa para cometer uma crimidéia. É apenas uma questão de disciplina, controle da realidade. Mas no futuro não será preciso nem isso. A Revolução se completará quand oa língua for perfeita. Novilíngua é Ignsoc e Ingsoc é Novilíngua - agregou com uma espécie de satisfação mística. - Nunca te ocorreu, Wiston, que por volta do ano de 2050, o mais tardar, não viverá um único ser humano capaz de compreender esta nossa conversa?" (p.54)
E no Apêndice que Orwell escreveu sobre a Novilíngua, afirma:
"O objetivo da Novilíngua não era apenas oferecer um meio de expressão para a cosmovisão e para os hábitos mentais próprios dos devotos do Ignsoc, mas também impossibilitar outras formas de pensamento. O que se pretendia era que, tão logo a Novilíngua fosse adotada definitivamente e a Anticlíngua esquecida, qualquer pensamento herético, isto é, divergente dos princípios do Ingsoc, fosse literalmente impensável, ou pelo menos até o limite em que o pensamento depende de palavras. Seu vocabulário fora construído de modo a fornecer a expressão exata - e freqüentemente de um modo sutil - a cada significado que um membro do Partido quisesse expressar, excluindo os outros significados, bem como a possibilidade de chegar a eles por métodos indiretos. Isso era obtido em parte pela invenção de novas palavras, mas principalmente pela eliminação de palavras indesejáveis e pelo esvaziamento, das palavras restantes, de qualquer significado heterodoxo e, tanto quanto possível, de todos os significados secundários, quaisquer que fossem eles" (p.287-288).
E, se prestarem atenção, a Novilíngua está sendo inventada e imposta dia após dia. Cerceiam nosso penamento impondo-nos significados prontos, acabados, fabricados de acordo com as ideologias da Nova Ordem Mundial. Assim, uma palavra como "preconceito" perdeu completamente seu sentido original e é utilizada para atacar tudo quanto não esteja de acordo com o pensamento modernistóide dominante: falar contra o gayzismo e suas práticas anti-naturais é "preconceito" ou "homofobia"; não aceitar o crime do aborto é "preconceito  machista contra as mulheres"; criticar o MST é "preconceito capitalista"; e por aí vai. Tudo quanto se queira destruir de instante se acusa de ser um "preconceito"; aquele pensamento não tem razão de existir porque é um "preconceito", e muitas vezes é um conceito bem fundamentado, bem pensando e fruto de longa reflexão, cuja única razão de ser taxado de precoceito é não estar de acordo com a ideologia dominante: é uma crimidéia. Já falamos disso em outro texto.


E não só a palavra "preconceito": quando se cansam dela usam "discriminação". Tudo é "discriminação"; basta você não concordar com a onda modernista de hoje que, na verdade, está "discriminando": não concordar com a segragação das Cotas Universitárias do PT é "discriminar os negros"; não concordar com a institucionalização das uniões homossexuais, anti-naturais e anti-família, é "discriminação contra homossexuais" - e será que concordar com estas uniões poderia ser taxado de "discriminação contra a família"? Impensável na atual Novilíngua.

E quando se quer destruir o pensamento de alguém por este alguém ser católico as palavras usadas são sempre as mesmas: "visão religiosa, medieval, obscurantista"; assim, dizer que o aborto é crime é uma "visão religiosa, medieval, obscurantista", que não te mrazão de ser e deve ser rejeitada instantaneamente. As "Católicas" pelo Direito de Decidir e o PT disseram que a CPI do Aborto seria influenciada por um "preconceito [olhem ele aí de novo!] medieval, religioso e obscurantista". Sempre os mesmos chavões para caracterizar uma idéia contrária à onda de pensamento moderno - uma crimidéia, portanto.


A Novilíngua está a pleno vapor em nossos dias. Precaver-se contra ela é de vital importância. Como fazê-lo? Escrevendo, lendo bons livros e deixando as palavras bem vivas, com seus significados verdadeiros, distantes das ideologias da Novilíngua.

Mas não é só a Novilíngua o único modo de garantir a permanência do Partido Ingsoc em "1984". Há também o mecanismo do crimedeter:
"Crimedeter é a facauldade de deter, de paralisar, como por instinto, no limiar, qualquer pensamento perigoso. Inclui o poder de não perceber analogias, de não conseguir observar erros de lógica, de não compreender os argumentos mais simples e hostis ao Ingsoc, e de se aborrecer ou enojar por qualquer tentativa de pensamentos que possa tomar rumo herético. Crimedeter, em suma, significa estupidez protetora" (p.204).
Estupidez protetora é aquilo sobre o que outra vez escrevemos: imbecilização do homem para torná-lo uma marionete a serviço da ideologia. Se pensarem direito, verão que estamos sendo submetidos e estimulados a praticar o crimedeter todos os dias; os exemplos anteriores valem: não podemos criticar as paradas gays; é preconceito, é crimidéia, este pensamento deve ser detido - crimedeter; não podemos repudiar o aborto; é preconceito contra as mulheres, é crimidéia, deve ser detido - crimedeter. A estupidez protetora é tamanha que hoje se justifica o aborto com o argumento simplório de que "a mulher tem direito sobre o próprio corpo" e negar isto é crimidéia, deve ser praticado o crimedeter antes desta negação. Mas o argumento é ridículo e chega às raias da imbecilidade: a mulher pode ter direito sobre o próprio corpo, mas o corpo do bebê é o de outra pessoa, não o dela! Entretanto, como diz Orwell, crimedeter envolve "não conseguir observar erros de lógica": e então o PT - o nosso atual Ingsoc - pode afirmar que "a mulher tem direito sobre o próprio corpo" e o aborto seria plenamente aceitável, apesar do patente e cabal erro de lógica. O crimedeter ganha espaço todo dia, estimulado pelo Governo e pela cultura marxista e modernista dominante. Não aceitem o crimedeter! Pensem, pensem contra o Governo, contra a cultura marxista e modernista em voga; leiam, leiam e pensem; o controle de nossas mentes pelo marxismo e o modernismo cultural não pode ser permitido; não somos marionetes na mão do Governo e sabemos o valor da vida humana e da família - por isso pensamento (sim, pensamos!) contra o aborto e contra as uniões civis de homossexuais. Nada de crimedeter. Sejamos todos ideocriminosos diante desta cultura marxista-modernista atual.

Há também, na Oceania de "1984", um interessante órgão dedicado a reprimir o pensamento contrário ao Partido, reprimir as crimidéias e punir os ideocriminosos: é a Polícia do Pensamento. É exatamente o que o Governo do PT quer fazer com os brasileiros, impondo a chamada Lei da Mordaça Gay - já escrevemos sobre aqui -, que criminaliza qualquer pessoa que exprima opinião contrária às práticas homossexuais, às suas uniões civis, às paradas gays e todas as outras coisas que sabemos e não vale à pena falar. A Lei da Mordaça Gay que o PT quer aprovar é uma das mais expressivas provas de que a distopia de Orwell está  verdadeiramente em curso: é uma real Polícia do Pensamento, cerceando críticas à onda modernista que santifica as práticas homossexuais. Com a Lei da Mordaça Gay qualquer crítica às práticas homossexuais será realmente uma crimidéia, passível de punição criminal - não é uma real Polícia do Pensamento?


E esta Polícia já faz suas vítimas: o Julio Severo teve de sair do país por escrever contra as práticas homossexuais; (vejam aqui e aqui) a Dra. Rozangela Justino respondeu a processo e foi condenada a censura pública por tratar homossexuais que a procuravam voluntariamente e queriam curar-se de seu distúrbio (vejam aqui e aqui); na Paraíba, meu Estado, os gays só não prendem Dom Aldo Pagotto porque ele é o Arcebispo e a Igreja Católica ainda tem um pouco de prestígio nestas terras longínquas; mas eles já conseguiram, por meio de processo judicial, retirar outdoors que ressaltavam os valores da família e do casamento verdadeiro às vésperas de uma malfadada parada gay por estas bandas, um ato absurdo de censura - é a Polícia do Pensamento.  O Jorge Ferraz tem um título sugestivo para essa Polícia do Pensamento em específico: Gaystapo, em alusão  à Gestapo nazista.


Além disso, vale lembrar que houve época em que o Governo Lula quis criar um órgão estatal para controlar os jornalistas e mantê-los sob sua guarda; desnecessário, pois a Mídia está praticamente toda em suas mãos, mas o perigo seria cercear até a chamada "Mídia independente", como o Mídia Sem Máscara, o Notalatina e o Blog do Reinaldo Azevedo - era novamente a Polícia do Pensamento. Não nos deixemos controlar  por ela. Falemos, falemos, falemos: a Polícia do Pensamento só existirá se nos calarmos.

E depois ainda me perguntam: "por que você tem tanta raiva do PT e do Lula?" Os motivos de meu repúdio a este nosso Ingsoc - enquanto ainda posso pensar contra ele, enquanto aindat enho meu direito à crimidéia - são tantos que é difícil enumerar...

Um outro modo levado à cabo pelo Ingsoc para controlar as mentes e os pensamentos é a vigilância constante. O Grande Irmão - ou Big Brother, donde o nome do famoso reality show - vigia constantemente os habitantes de Oceania por meio das teletelas: aparelhos instalados em cada casa e em cada rua que, ao mesmo tempo que trasmitem uma programação destinada a promover lavagem cerebral em favor do Ingsoc, servem também como câmeras de vigilância sobre os habitantes; as teletelas nunca podem ser desligadas - na URSS o Partido Comunista empregava instrumentos semelhantes: caixas de som em cada casa que nunca podiam ser desligadas, trasnmitindo 24 horas por dia a programação do Governo. A vigilância constante do Big Brother - que em Oceania era expressa na sugestiva frase "O Grande Irmão Zela Por Ti" (foto), espalhada em cartazes - é, na verdade, referência à ingerência do Governo sobre a vida do indivíduo, cerceando sua liberdade onde não compete ao Estado. Ter vida privada, vida própria, longe dos olhos do Estado, era um crime em Oceania: em Novlíngua, era o crime de proprivida. Nós verificamos um pouco disso há alguns anos no Brasil, com o Estatuto do Desarmamento, pelo qual do Governo Lula quis retirar dos brasileiros o direito de defesa; era, em verdade, uma tentativa de desarmar o cidadão para melhor controlá-lo, para dar mais poder ao Governo; uma ingerência claríssima sobre a proprivida dos brasileiros.

Por fim, um dos mais interessantes meios de controle do Ingsoc em "1984" é, ao mesmo tempo, o pilar do Partido: o controle do passado. O Ingsoc está constantemente reescrevendo os livros e as notícias passadas em seu favor: possui um órgão só para isso, o Ministério da Verdade, onde trabalha o personagem principal, Wiston Smith. O Ministério da Verdade, dia após dia, muda estatísticas de jornais, altera notícias, diz uma coisa e logo depois o contrário, sempre da maneira que o Partido queira; e as pessoas são obrigadas a aceitá-lo, pois é o que está nos registros; se sua memória diz outra coisa, é porque estão loucas; o Passado é de um jeito só: do jeito que o Partido queira. "Quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado", é o ditado do Ingsoc (p.236).
"A realidade só existe no espírito, e em nenhuma outra parte. Não na mente do indivíduo, que pode se enganar, e que logo perece. Só na mente do Partido, que é coletivo e imortal. O que quer que o Partido afirme que é verdade, é verdade. É impossível ver a realidade exceto pelso olhos do Partido" (p.237), dirá um dos personagens a Wiston.
Por que o Partido reescreve o passado para controlar o futuro? Porque o passado é a nossa identidade. É no passado que estão as nossas tradições, nossos valores, transmitidos pelos nossos pais, avôs, gerações que vieram antes de nós, e que nos presentearam com a sua própria experiência para que não nos debatêssemos nas mesmas más situações que eles enfrentaram. A tradição é essencial para a vida do homem. Destruir a tradição de uma sociedade é destruir sua identidade; e destruir sua identidade é deixá-la fraca e expô-la ao controle de quem quer que seja. A crise moral do mundo moderno, esta grande degeneração, é, na verdade, uma crise de tradições: o Modernismo e o Marxismo Cultural estão destruindo todas as tradições, todos os valores que construíram nossa Civilização; estão destruindo o passado, e com ele nossa identidade. E alguém ainda pergunta porque tantos regimes totalitários e tantos crimes em nossa época?

Já escrevi uma vez sobre como o Governo do PT - o nosso Ingsoc (foto) - está numa guerra contra os valores morais e as tradições de nossa nação para destruir sua identidade, levar a sociedade brasileira ao caos e instaurar um regime comunista futuro. E é isso mesmo o que ocorre. No mundo inteiro. Destruição do passado, repúdio das tradições, caos, crise, imbecilização e manipulação dos homens.

Destruir o Cristianismo - como se isto fosse possível... - é um dos passos para tanto: é destruir  o próprio cimento, base ou alicerce da Civilização Ocidental. Por isso todos os grandes totalitaristas eram inimigos do Cristianismo: Hitler - que queria uma nova religião, do sangue e da raça -, Marx, Lenin, Stálin, Fidel, Chávez...

A reescritura do passado se verificou em enorme intensidade na Revolução Francesa e no advento da Idade Moderna. A história da Idade Média Cristã foi toda reescrita, cheia de mentiras e preconceitos, pelos iluministas e, posteriormente, pelos marxistas, para predispor os homens modernos contra o Cristianismo. Reescreveram, pois, o passado para controlar os homens.

É por isso que o Ignsoc controla o passado e o altera a seu bel-prazer: destruir o passado é destruir a identidade dos homens e das sociedades; e então o homem, sem tradição e valores, se torna um instrumento nas mãos de ideólogos e totalitários.

A moderna guerra contra as tradições e os valores morais precisa ser vencida pelo resgate destas mesmas tradições, pois são elas que nos dão significado e força. Só assim não seremos como o povo de Oceania: sem força, sem identidade, sem humanidade.

"1984", de George Orwell, é uma leitura prazerosa e indicadíssima. Ao mesmo tempo, é um assustador retrato de um futuro sem liberdade, sem pensamento, sem tradição e sem identidade para o qual podemos estar caminhando - os exemplos estão aí e são fartos; aqui trouxemos apenas alguns e bem atuais - se não fizermos exatamente o contrário do que nos pede o status quo marxista e modernista dominante. O livro é um alerta para nossa geração, como o foi para as gerações passadas.

*** 

Mais informações sobre George Orwell, "1984" e outros livros do autor podem ser encontradas aqui.

domingo, 18 de outubro de 2009

Eles são a maior contra-propaganda de si mesmos...

Às vezes eu me pergunto se a apologética seria tão necessária, já que eles são a melhor propaganda contra si mesmos.
Eis a "Vigília do Reteté de Jeová", numa Assembléia de Deus.


Isso é Cristianismo?

Até onde vai a perfidia humana?

Eu fiquei sem reação...
Só peço que Deus tenha piedade de nós. Miserere nobis, Domine!



Horrível...
É um estilo de dança que imita o acasalamento de cachorros. Vejam o vídeo e entenderão todo o meu horror...
Ratificação do que escrevi aqui.
Miserere nobis, Domine! Miserere nobis!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Esclarecimento aos leitores - Ausência...

Meus caros amigos e leitores do En Garde!,
Como vocês devem ter notado, estive ausente daqui nos últimos dias (a última postagem foi dia 06/10). Estou num momento bastante corrido, com vários compromissos na Universidade e na vida, motivo pelo qual estou sem tempo para o En Garde.
Peço-lhes desculpas pelas visitas frustradas em busca de novas atualizações que não foram feitas. Em breve estarei postando de novo. Quando não sei quando isso será possível, peço que - aos que tiverem também - me sigam no Twitter, pois assim que fizer postagens aqui anunciarei lá. Ficará mais fácil de saberem.
Enquanto isso, divirtam-se com a leitura dos outros posts e dos sites e blogs indicados ao lado - são muito bons!
Peço desculpas novamente e orações, para que consiga tempo e disposição para escrever ao nosso Blog.
Meu cordial abraço a todos!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Atualização do rol de Sites e Blogs do En Garde!

Caríssimos leitores do En Garde!,
Acabo de atualizar o rol de sites do Blog - o "Para vacinar-se contra a hipocrisia!" - com um série de ótimos sites sobre política, economia, religião e atualidades, que fornecerão subsídios para uma vivência austera no mundo moderno, frente à hipocrisia reinante.
Atualizei também o rol de Blogs - o "Para vacinar-se contra a imbecilidade..." - com dois importantes Blogs de notícias que vão na contra corrente dessa mídia oficial e manobrada que vemos por aí: o Blog do Reinaldo Azevedo e também o da Graça Salgueiro, Notalatina, para entender especialmente a conjectura política da América Latina. Vêm fazer companhia ao Mídia Sem Máscara, leitura obrigatória para quem duvida dos jornais comprados pelo governo, e que também adicionei ao rol de sites.
Espero que gostem! Tenham uma boa leitura.
En Garde, soldat!

"Nessa terra parece que ninguém diz o que pensa" (Trecho de "Fui Estudante em Moscou")

O texto a seguir foi transcrito do livro Fui Estudante em Moscou, de Agenor Tonussi (2ª ed., Rio de Janeiro: Laudes, INL, 1971); ele dá uma idéia sucinta das incoerências de um regime comunista e da domesticação a que os cidadãos são submetidos sob um governo esta laia; depois comentarei alguns detalhes deste texto; não faço agora por falta de tempo. Segue:

"Alguns brasileiros antigos em Moscou deram-me as melhores indicações paar encontrar môças russas, e freqüentemene eu ia passear no Boulevard Danilóvski, onde sempre haveria companhia. Logo nos primeiros dias, fiquei conhecendo môças, e alguns presentes ocidentais que eu trouxera deram-me prestígio. Avisaram-me logo que tomasse cuidado, pois muitas entre elas eram espiãs e estavam ali com a missão de obter informações de alunos da Universidade. Jorge fazia-me companhia muitas vêzes, quando interrompia seus estudos de geologia, e era o mais preocupado em alertar-me para o meu excesso de sinceridade. Entre as môças, várias falavam línguas estrangeiras, o que não é raro na URSS. A preocupação delas era sempre saber coisas sobre o Ocidente.

Tôda espécie de perguntas que se possa imaginar foi-me feita: Como vivíamos no Brasil, como eram a França e a Europa Ocidental e, sobretudo, perguntas sôbre os Estados Unidos, as quais eu nunca poderia responder, por nunca ter estado lá. O mais curioso era observar a idéia que fazia sobre a influência americana no Brasil; mais tarde eu perceberia que se tratava de um conceito generalizado. A maioria dos russos está convencida de que soldados americanos ocupam fisicamente nosso páis, e nenhuma autoridade é capaz de mover-se nos pequenos detalhes, sem ordens de Washington.

A essas alturas, meu sentimento patriótico ultrapassava minah fidelidade socialista, contra todos os princípios do marxismo; e, muitas vêzes, eu me irritava nos diálogos. Em uma delas, com a cabeça perdida pelos desaforos que estava ouvindo, expliquei que o Brasil não era uma Hungria ou uma Polônia, com governos sediados em uma capital estrangeira.

Essa noite, quando voltei para meu quarto, a cabeça estava outra vez sôlta em pensamentos. Senti que uma reação humana e quase inconsciente havia pôsto abaixo a minah formação socialista, e fiquei a pensar na fragilidade da doutrina que esquece êsses 'defeitos' naturais do homem e suas reações espintâneas.

Também por isso eu pensava na alegria daquelas môças ao receber presentes ocidentais. Afinal, haviam sido educadas no mundo socialista, desde seu nascimento. Meus defeitos ainda poderiam ser por falta de formação, mas isso não se poderia passar com cidadãos russos; e elas não constituíam exceções. Se fôssemos considerá-las inimigas do povo, poucos soviéticos sobrariam como didadão locais. Afinal, não ocmecei a pensar em se tudo aquilo não era um enorme jôgo de faz-de-conta, com milhares de pessoas a enganarem-se mutuamente e a demonstrarem sentimentos e reações que não tinham; e todos, incapazes de dizer ou até de pensar a verdade, porque haveria uma discordância com os ensinamentos dogmáticos de Marx e Lênin. Assim se tornou sério o primeiro grande atrito que tive na Universidade, com um professor chamado Nikolai.

O Professor chamou-me para admoestar-me porque eu viera em dias diversos à Universidade com diferentes ternos. Na realidade, eu tinha apenas cinco ternos, e êle me falava como se eu fôsses proprietário de um enorme guarda-roupas. Expliquei-me, dizendo que trouxera para a URSS tôdas as minhas melhores roupas, e isso só demonstrava meu entusiasmo pela viagem, e o fato de querer ficar aqueles cinco ou seis anos necessários na Universidade. Além disso, eu ganharia dois ternos de minha família, quando saíra do Brasil. O professor replicou que eu estava tentando levar uma vida burguesa em Moscou, e devia perceber que meus colegas estavam todos mal vestidos, e raramente usavam gravatas. Continuei argumentando que meus ternos eram baratos e comprados prontos em lojas no Brasil, e não indicavam qualquer padrão alto de vida. Contei-lhe o início da minha vida, irritado por ter sido chamado de burguês. Nada adiantou, e continuavam as admoestações, com a aprovação dos colegas de sala. Eu então perdi a cabeça, e disse ao professor que tudo aquilo era uma farsa.

Lembrei-lhe que os colegas estavam sempre querendo comprar gravatas de quem chegasse do Ocidente, e todos tinham melhores roupas que deixavam escondidas. Na prática, quando muito, inveja, e a prova disso era que muitos estudantes do PC [Partido Comunista] traziam objetos como contrabando para vendê-los, e com o dinheiro compravam coisas caras. Chamavam-me d burguês, mas eu seria incapaz de fazer isso.

Além disso, havia muitas irregularidades conhecidas entre estudantes, rapazes e môças. Uma estudante brasileira, por exemplo, chamava a atenção em tôda a Universidade por usar os mais caros perfumes franceses e vestir-se como um manequim; no entanto era estimada e elogiada pelos professôres e pelos membros do PC, porque era rica, fizeram a viagem às suas custas e seus pais financiavam o PC no Brasil e provàvelmente até amigos do Agildo Barata, antigo 'Ministro das Finanças' do PC brasileiro; e um rapaz, antigo revisor do Estado de São Paulo, o Sérgio Guedes, tinha pelo menos três vêzes mais ternos do que eu, e não ligavam porque êle era do Partido; outros usavam anéis de ouro, pedras, enquanto eu nunca tivera nada de ouro comigo; e muitos membros do PC não hesitavam em comprar e vender jóias entre si, com o objetivo de fazer dinheiro. De tempos em tempos, os alunos eram autorizados a encomendar do Brasil, para uso pessoal, 5 quilos de mercadoria, que parentes mandavam. Deveriam ser rigorosamente para uso próprio. Os que tinham dinheiro escondido compravam a 'vez' de outros colegas, para, em nome dêles, 'importar' objetos, principalmente femininos (quanto eram môças), que seriam vendidos, e com boa margem de lucro. Tudo isso se fazia e ninguém reclamava, pois sempre ocorria com os comunistas. Era um absurdo que me viessem chamar a atenção, quando meu comportamente era mais digno que o dêles.

Terminei o assunto dizendo que tudo aquilo estava começando a parecer uma gigantesca farsa, e lembro-me de ter dito que 'nessa terra parece que ninguém diz o que pensa'".
(pp. 71-75).

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Meu Twitter

Bom, eu não acho o Twitter lá tão legal. Para mim até parece um pouco trash...

Contudo, muita gente tem criado o seu, é um bom meio para se manter atualizado e também realizar apostolado.

Então, segue abaixo o endereço do meu Twitter.

Seguindo-o, os leitores do En Garde! não só vão poder conferir alguns comentários meus ao longo do dia, como também saber quando o Blog foi atualizado.

http://twitter.com/taiguara_sousa

Twittemos! ;)

Leituras obrigatórias a um bom soldado (nº 4): "Fui Estudante em Moscou", de Agenor Tonussi

Encontrei um bom livro para os estudiosos de política que entendem os males do marxismo e a urgência de combatê-lo vigorosamente: Fui Estudante em Moscou, de Agenor Tonussi (2ª ed., Rio de Janeiro: Laudes, INL, 1971). O livro é antigo, provavelmente só poderá ser encontrado em sêbos; mas é indispensável a quem queira perceber a que ponto pode levar o comunismo, se implementado num país.
O livro é auto-biográfico. Conta a história de Agenor Tonussi, brasileiro, à época comunista e encantado com  os soviéticos, que foi aceito como aluno na Universidade da Amizade dos Povos "Patrice Lumumba", na URSS.
"A História dêste livro é simples e conta uma experiência pela qual eu passei na União Soviética. Deixei aquêle país desiludido com o comunismo e não pretendia escrever estas páginas, nem sequer comentar o assunto", afirma o autor (p.7).
Tonussi relata sua trajetória de descoberta, encantamento e decepção com o marxismo. Descobrindo o socialismo, mergulha num estudo aprofundado das teorias de Marx e logo se vê convencido de que todos os problemas do mundo são frutos da opressão burguesa e de que a história é movida por uma luta de classes; e nessa luta de classes, vale tudo em nome da Revolução. Por estes anos, Tonussi está encantado com a URSS, para ele o modelo ideal de sociedade; faz amizade com comunistas proeminentes no Brasil, como Wolney Rodrigues Rabelo e Luís Carlos Prestes; aprende russo um soviético de nascimento, Miguel Chevschenko, e consegue falar e escrever perfeitamente na língua dos bolchevistas.

É disto tudo - especialmente das amizades - que surge a oportunidade de estudar na Rússia, o que Tonussi consegue. E lá relata suas decepções com a burocracia própria de um Estado que quer abarcar a tudo, com as perseguições, o clima constante de paranóia, as torturas, a repressão à liberdade do homem e a desvalorização da vida humana.

O livro é um alerta os brasileiros:
"Não faço questão de que os comunistas brasileiros acreditem, mas essa é a verdade: só estou pensando em meu país, quando escrevo isso. Deve haver muitos estudantes passando pela fase por que passei, e muitos dêles, naturalmente, terão a mesma experiência que tive; mas alguns não poderão livrar-se ou não terão coragem ou oportunidade de sair-se bem" (p.8).
Trinta anos depois, o alerta de Tonussi aos brasileiros ainda é válido. Hoje mais do que nunca, onde um governo marxista se traveste de progressista e engana os brasileiros com promessas de prosperidade material, com a Copa de 2014 e as Olímpiadas de 2016 - mas nada de progresso moral, espiritual; pelo contrário, só a domesticação dos brasileiros pela sua imbecilização.

Tonussi adverte ainda, aos que combatem o marxismo, sobre a imbecilização que a psicopolítica marxista provoca no homem para domesticá-lo:
"Muita gente esquece isso ao combater o comunismo. Para quem está emocionado e se entregou ao credo comunista, não há lógica nem argumentos convincentes. É uma paixão como qualquer outra. Sendo comunista, eu me limitava a ouvir e aceitar. O lógico e o absurdo seriam aquilo que contradissesse o marxismo; e, se aparecesse alguma verdade flagrante, eu simplesmente não acreditaria nos fatos de nos números. Antes não acreditar em fatos do que desconfiar de Marx" (p.14).
Testemunho inconteste da imbecilização do homem promovida pelo comunismo, dada por alguém que viveu naquele meio e lutou pela Revolução.

No fim das contas, o livro é atualíssimo para os brasileiros. É um apelo, uma advertência, de um outro filho desta nação:
"Não sou reacionário e acho que há muita coisa errada no Brasil e continuo a achar que precisamos ter reformas e acabar com a miséria, fazendo mais do que caridade. Mas eu sei o que é o comunismo, e sei qual a desgraça que nos esperaria, se o aceitássemos; seria muito maior do que tudo que temos" (p.9).
Quem veja o que o comunismo provocou na URSS, o que provoca em Cuba e na Coréia e o que está provocando na Venezuela, sabe os estragos que podem ser provocados por ele no Brasil.

O mais interessante, contudo, é os brasileiros estarem aceitando passivamente o marxismo cultural - com as bandeiras do abortismo e do gayzismo - e também o marxismo político, mantendo-se indiferentes em relação ao MST e à corrupção totalitária do Governo Lula.

Lula sai, mas fica. Será o Presidente que deixará o STF repleto de petistas e o Legislativo todo seu, e todo de corruptos. Ainda sairá como herói, como o Presidente que trouxe a Copa do Mundo e as Olímpiadas para o Brasil - afinal, é só isso que parece importar ao brasileiro, já em parte imbecilizado...

Considero o livro de Tonussi uma leitura indispensável a quem queira perceber, com crueza de detalhes, os males que o comunismo pode causar onde seja implementado. Afinal, o comunismo é uma ideologia desumana e que, portanto, nenhum bem pode fazer à humanidade. Só rebaixa os homens a animais domesticáveis, membros de um quimérico sujeito coletivo nas mãos do Governo.

Quiçá aprendamos com o autor:
"Também aprendi, nesse tempo, que não ser comunista mas fazer o seu trabalho traz os mesmos resultados" (p.9).
Diríamos que não os mesmos: o trabalho bem-feito traz progresso - material, moral e intelectual - e conduz ao bem comum de todos e cada um. O comunismo não traz isso; só traz miséria, tortura, paranóia, desamor e desumanização. Basta olhar para Cuba e a Coréia do Norte.

O trabalho bem feito e realizado como oblação a Deus e serviço ao próximo, contudo, realmente é capaz de construir uma nova civilização; e por isso a Igreja o indica como meio de santificação.
"Persevera no cumprimento exato das obrigações de agora. - Esse trabalho - humilde, monótono, pequeno - é oração plasmada em obras que te preparam para receber a graça do outro trabalho - grande, vasto e profundo - com que sonhas" (São Josemaría Escrivá, Caminho, n.825).