sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Leituras obrigatórias a um bom soldado (nº 4): "Fui Estudante em Moscou", de Agenor Tonussi

Encontrei um bom livro para os estudiosos de política que entendem os males do marxismo e a urgência de combatê-lo vigorosamente: Fui Estudante em Moscou, de Agenor Tonussi (2ª ed., Rio de Janeiro: Laudes, INL, 1971). O livro é antigo, provavelmente só poderá ser encontrado em sêbos; mas é indispensável a quem queira perceber a que ponto pode levar o comunismo, se implementado num país.
O livro é auto-biográfico. Conta a história de Agenor Tonussi, brasileiro, à época comunista e encantado com  os soviéticos, que foi aceito como aluno na Universidade da Amizade dos Povos "Patrice Lumumba", na URSS.
"A História dêste livro é simples e conta uma experiência pela qual eu passei na União Soviética. Deixei aquêle país desiludido com o comunismo e não pretendia escrever estas páginas, nem sequer comentar o assunto", afirma o autor (p.7).
Tonussi relata sua trajetória de descoberta, encantamento e decepção com o marxismo. Descobrindo o socialismo, mergulha num estudo aprofundado das teorias de Marx e logo se vê convencido de que todos os problemas do mundo são frutos da opressão burguesa e de que a história é movida por uma luta de classes; e nessa luta de classes, vale tudo em nome da Revolução. Por estes anos, Tonussi está encantado com a URSS, para ele o modelo ideal de sociedade; faz amizade com comunistas proeminentes no Brasil, como Wolney Rodrigues Rabelo e Luís Carlos Prestes; aprende russo um soviético de nascimento, Miguel Chevschenko, e consegue falar e escrever perfeitamente na língua dos bolchevistas.

É disto tudo - especialmente das amizades - que surge a oportunidade de estudar na Rússia, o que Tonussi consegue. E lá relata suas decepções com a burocracia própria de um Estado que quer abarcar a tudo, com as perseguições, o clima constante de paranóia, as torturas, a repressão à liberdade do homem e a desvalorização da vida humana.

O livro é um alerta os brasileiros:
"Não faço questão de que os comunistas brasileiros acreditem, mas essa é a verdade: só estou pensando em meu país, quando escrevo isso. Deve haver muitos estudantes passando pela fase por que passei, e muitos dêles, naturalmente, terão a mesma experiência que tive; mas alguns não poderão livrar-se ou não terão coragem ou oportunidade de sair-se bem" (p.8).
Trinta anos depois, o alerta de Tonussi aos brasileiros ainda é válido. Hoje mais do que nunca, onde um governo marxista se traveste de progressista e engana os brasileiros com promessas de prosperidade material, com a Copa de 2014 e as Olímpiadas de 2016 - mas nada de progresso moral, espiritual; pelo contrário, só a domesticação dos brasileiros pela sua imbecilização.

Tonussi adverte ainda, aos que combatem o marxismo, sobre a imbecilização que a psicopolítica marxista provoca no homem para domesticá-lo:
"Muita gente esquece isso ao combater o comunismo. Para quem está emocionado e se entregou ao credo comunista, não há lógica nem argumentos convincentes. É uma paixão como qualquer outra. Sendo comunista, eu me limitava a ouvir e aceitar. O lógico e o absurdo seriam aquilo que contradissesse o marxismo; e, se aparecesse alguma verdade flagrante, eu simplesmente não acreditaria nos fatos de nos números. Antes não acreditar em fatos do que desconfiar de Marx" (p.14).
Testemunho inconteste da imbecilização do homem promovida pelo comunismo, dada por alguém que viveu naquele meio e lutou pela Revolução.

No fim das contas, o livro é atualíssimo para os brasileiros. É um apelo, uma advertência, de um outro filho desta nação:
"Não sou reacionário e acho que há muita coisa errada no Brasil e continuo a achar que precisamos ter reformas e acabar com a miséria, fazendo mais do que caridade. Mas eu sei o que é o comunismo, e sei qual a desgraça que nos esperaria, se o aceitássemos; seria muito maior do que tudo que temos" (p.9).
Quem veja o que o comunismo provocou na URSS, o que provoca em Cuba e na Coréia e o que está provocando na Venezuela, sabe os estragos que podem ser provocados por ele no Brasil.

O mais interessante, contudo, é os brasileiros estarem aceitando passivamente o marxismo cultural - com as bandeiras do abortismo e do gayzismo - e também o marxismo político, mantendo-se indiferentes em relação ao MST e à corrupção totalitária do Governo Lula.

Lula sai, mas fica. Será o Presidente que deixará o STF repleto de petistas e o Legislativo todo seu, e todo de corruptos. Ainda sairá como herói, como o Presidente que trouxe a Copa do Mundo e as Olímpiadas para o Brasil - afinal, é só isso que parece importar ao brasileiro, já em parte imbecilizado...

Considero o livro de Tonussi uma leitura indispensável a quem queira perceber, com crueza de detalhes, os males que o comunismo pode causar onde seja implementado. Afinal, o comunismo é uma ideologia desumana e que, portanto, nenhum bem pode fazer à humanidade. Só rebaixa os homens a animais domesticáveis, membros de um quimérico sujeito coletivo nas mãos do Governo.

Quiçá aprendamos com o autor:
"Também aprendi, nesse tempo, que não ser comunista mas fazer o seu trabalho traz os mesmos resultados" (p.9).
Diríamos que não os mesmos: o trabalho bem-feito traz progresso - material, moral e intelectual - e conduz ao bem comum de todos e cada um. O comunismo não traz isso; só traz miséria, tortura, paranóia, desamor e desumanização. Basta olhar para Cuba e a Coréia do Norte.

O trabalho bem feito e realizado como oblação a Deus e serviço ao próximo, contudo, realmente é capaz de construir uma nova civilização; e por isso a Igreja o indica como meio de santificação.
"Persevera no cumprimento exato das obrigações de agora. - Esse trabalho - humilde, monótono, pequeno - é oração plasmada em obras que te preparam para receber a graça do outro trabalho - grande, vasto e profundo - com que sonhas" (São Josemaría Escrivá, Caminho, n.825).

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