quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O PT não sabe fazer política, só palanque

Acabei de assistir a uma sessão ordinária da Câmara dos Deputados, onde estava sendo discutido o reajuste dos aposentados. Os ânimos estavam elevados, especialmente porque vários respresentantes de aposentados e pensionistas conferiam a sessão da galeria no alto do Plenário.
Mas uma coisa ficou - outra vez - patente com essa Sessão, coisa que os comentadores políticos do país, como a Lúcia Hippolito, da CBN, já haviam notado há anos: o PT não sabe fazer política, só palanque. E o Deputado Henrique Fontana (PT/RS), o Líder do Governo na Câmar, deu um show - sim, um show mesmo! - de birra, molecagem e imaturidade. Vê-se que o Deputado não sabe - ainda, o que é de lamentar - a função de um Líder de Governo.
O Líder do Governo sabe que precisa convencer a todos no Plenário - seu objetivo é todos, não apenas uma maioria; deve procurar garantir todos para ter certeza de que garantirá a maioria - de que o projeto político do Governo é correto, plausível, razoável, benéfico. O Líder do Governo busca o consenso, não o impasse. Busca o acordo. Ele é a voz do Presidente na Câmara: lá ele deve esquecer o passado sindical, os "companheiros" e "camaradas" e buscar aliados até na oposição. Aliás, uma das funções mais essenciais do Líder do Governo é construir uma ponte entre o Presidente e a oposição.
O Deputado Henrique Fontana deu uma demonstração cabal de como não ser um Líder de Governo. Subiu à Tribuna e começou logo a execrar a oposição, taxar-lhes de tudo quanto de ruim o ambiente e o Presidente Michel Temer (PMDB/SP) permitiam-lhe taxar sem que fosse repreendido por falta de respeito. Agiu como num palanque: apontou o dedo, exaltou-se, criticou a oposição "que um dia esteve no Poder e não fez nada", quis indispor os aposentados e pensionistas e voltar o povo brasileiro contra os políticos da oposição com acusações do tipo "foram eles que não fizeram isso", "esses que hoje estão na oposição apresentam soluções fáceis" e coisas do tipo. Gritou, estrebuchou, suou e ficou vermelho.
Triste papel para um Líder de Governo. Triste papel. Não percebe que precisará também dos votos da oposição para aprovar o projeto do Presidente e por isso deve construir o consenso, e não a discórdia?
Mas o Deputado Henrique Fontana apenas foi fiel ao método de fazer política do PT: não faz. O PT não sabe fazer política, só palanque. Sabe gritar, sabe pular, sabe criticar à vontade. Enfim, no PT existem sindicalistas, revolucionários, auto-falantes humanos. Mas não políticos. Nem Líderes de Governo.
Nem Presidentes.
E quem não lembra quando Lula, em 2005, pensando que ainda era apenas um político, esquecendo-se de que agora era o Chefe do Estado, ao criticar o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, disse que caiu em suas mãos uma denúncia contra o Governo passado que ele deliberadamente, por alguma consideração, decidiu não investigar. Isso num palanque antes da eleição é um bom artifício. Mas num discurso presidencial, isso é crime de responsabilidade: o Presidente é obrigado a ordenar investigação dos esquemas de corrupção de que tome conhecimento.
Mas Lula não notara que já era Presidente. Continuava sindicalista: gritando, engasgando e suando.
E, após oito anos no poder, o PT ainda não notou que é o Partido do Governo. O Deputado Henrique Fontana deu exemplo claro disso hoje, na Câmara.
Mas não posso deixar de dizer que foi bastante prazeroso ouvir os aposentados dando boas vaias no Governo. Ah, sim, foi! ;-)

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