segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A Luxúria e a Burrice

Hoje ocorreu-me que a Luxúria e a Burrice são irmãs próximas e amigas. Posso estar dizendo algo que outros já disseram. E isto não desmerece o raciocínio; pelo contrário, tranqüilizar-me-ia saber que caminho na esteira do pensamento de outros - desde que estes outros nada mais quisessem que a Verdade.
Mas acompanhe-me, caro leitor, o raciocínio:
1) a Luxúria prende o homem ao seu corpo, torna-o um dependente do prazer estéril e efêmero que ele lhe pode dar; e com isso, preso ao corpo e à carne, que transcendência desejará o homem, que dedicação ao espírito e a inteligência poderá querer?
2) a Luxúria torna o homem um paspalhão; pouco a pouco vai perdendo o domínio de si mesmo, torna-se semelhante a uma égua no cio, que nada mais vê que não uma genitália, nada mais ouve que não um gemido; e com isso, como terá domínio de seu pensamento? Das cadeias de sua inteligência? Seu pensamento será tão livre e solto quanto a égua no cio - e o pensamento livre, sem a âncora da Verdade, é um passaporte para o erro...
3) a Luxúria torna o homem um depressivo; um prazer vazio de sentido é somente um prazer efêmero, passageiro, sem significado, morto; uma situação de tal maneira lastimável retira do prazer a felicidade que ele poderia proporcionar em outras circunstâncias - o matrimônio, o amor dos esposos - resultando numa depressão suicida; e se há este apego ao prazer vazio de sentido, onde poderá este homem encontrar prazer ao descobrir o sentido das coisas pelo uso de sua razão? E, tendo por prazer uma coisa efêmera e depressiva, como procurará este homem a Verdade eterna que torna os homens livres e felizes (cf. João 8,32)? Não impressiona que estejamos num tempo de relativistas e suicidas - estes últimos são os que relativizam a própria vida...
A Luxúria, a devassidão, gera a preguiça de pensar, a lassidão em estudar, a fadiga de usar a razão. A Luxúria, caro leitor, é irmã da Burrice.
Nós vivemos num tempo de burros.
"Invejo a burrice, porque é eterna", dizia Nelson Rodrigues.

Nenhum comentário:

Postar um comentário