sábado, 9 de janeiro de 2010

A Revolução, o Comunismo e o Homem vistos à luz da Teologia

Lendo o Pe. Julio Meinvielle, mais especificamente sua obra "El comunismo en la Revolución Anticristiana", tenho cada vez mais certeza de que a principal frente de combate ao Comunismo não é a economia ou a filosofia, mas sim a religião, a Teologia, a Igreja. Talvez seja este o motivo pelo qual o Comunismo tenha uma inimizade tão declarada ao Catolicismo, que se expressa nos países comunistas pela perseguição aberta e, nos países católicos, pela infiltração e guerra cultural (lembro-me, aqui, especialmente da Teologia da Libertação).
Em outro texto sobre o qual falei a respeito do Pe. Julio Meinvielle (Os marxistas e a imbecilização do homem: a Psicopolítica) já tocava no assunto de que o Comunismo se baseia essencialmente sobre a inversão do homem. Como nota o Padre Meinvielle, o homem é um ser sensível, depois racional e - acima de tudo - religioso. Em verdade - e para facilitar -, poderíamos dizer que o homem possui um corpo regido pela razão e que, pela alma, tem necessidade de Deus. A inversão desta ordem provoca o caos no homem, gerando em si a instabilidade e a infelicidade. Não é possível que razão saia do domínio da alma, ou que o corpo saia do domínio da razão e da alma, sem que isso gere conseqüências nefastas no homem, sem que isso o torne um infeliz.
O Comunismo se baseia justamente sobre essa inversão de valores. E nesta inversão ele é parte de algo maior: a Revolução Anticristã. Com efeito, salienta o Pe. Meinvielle, que tudo se desenvolve paulatinamente ao longo da História; sua tese é a mesma de Plínio Corrêa de Oliveira em "Revolução e Contra-Revolução". O Pe. Meinvielle apresenta as três revoluções da história como a derrocada gradual do ser humano.
Ao fim da Idade Média, o homem rejeita sua condição de "cristão" e passa a definir-se apenas como "homem" per se. É o advento do humanismo renascentista, que culminará na Revolução Protestante. Os princípios protestantes - o Livre Exame subjetivista, por exemplo - se baseiam neste antropocentrismo pagão que fora restaurado pelo Renascentismo. Mas, nesta Revolução, o homem já começa a inverter-se: ele rejeitou o seu ser religioso ao rejeitar sua condição de cristão.
Não estranha que, logo após, o homem decaia ainda mais e rejeite até mesmo sua condição de "homem per se" para tornar-se um animal: a Revolução Francesa é a consagração do Liberalismo e do homem individualista, que só se preocupa com as suas coisas, com o seu mundo, com o seu dinheiro, com esta vida e com o dia de amanhã, mas nada com o Reino dos Céus (cf. Mateus 6,33). E não há diferença entre este homem, individualista e mesquinho, e o animal: o animal também só se preocupa com a suas coisas, com o seu pedaço de carne, com o seu território, e nada mais. O homem, pelo Liberalismo, rejeita a condição de "homem per se" que arrogara com o humanismo e passa a ser um mero animal. O Liberalismo dos costumes - pregando, por exemplo, o sexo livre e a relativização moral - é a consagração da "animalidade": o homem já não consegue controlar seus instintos biológicos, é um mero corpo seguindo impulsos, instintos animalescos, e ele quer ser "livre" para isso. Já rejeitara a religião, agora rejeita também a razão no governo de si mesmo: vira um mero corpo, um animal.
O Comunismo se torna o último estágio dessa cadeia. Não contente com o seu "animalismo", o homem desce mais ainda: no Comunismo ele nem é mais um indivíduo, nem é mais um corpo individualizado - animal, mas individualizado -; no Comunismo, a terceira das Revoluções, o homem é apenas um qualquer do quimérico sujeito coletivo marxista, "engrenagem da grande maquinaria em que se converte a cidade comunista"., segundo escreve o Pe. Meinvielle Ele não é mais sujeito em si, não tem dignidade de indivíduo: é apenas um membro do sujeito coletivo, que pode ser rejeitado e morto quando o "sujeito coletivo" - ou o Partido? - desejar; isso explica os genocídios comunistas e o pouco caso desse regime para com o ser humano.
O homem rejeitou primeiro sua dignidade de cristão, depois sua dignidade de homem, depois sua dignidade de animal. Agora ele é só uma peça do sujeito coletivo, uma engrenagem, que tanto pode ser usada como descartada: perdeu completamente o seu valor.
Assim, pois, somente pela religião e a ordenação correta do homem - isto é, o corpo submetido à razão e a razão à alma - é que é possível vencer-se a Revolução e retirar o homem do seu estágio deplorável, de desvalor e inferioridade, de vazio. A religião, pois, é o remédio mais salutar para a vitória sobre a Revolução, e não apenas a economia ou a filosofia política. Sem a religião não é possível ao homem recuperar sua dignidade de ser humano e, mais importante ainda, de filho de Deus.

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