quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Um breve adendo sobre Zilda Arns

Escrevi um texto em homenagem à Dra. Zilda Arns, exaltando sua luta contra o aborto nesta época em que os Governos de nosso país parecem decididos a institucionalizar este crime; Zilda Arns também criticava o chamado "sexo livre" - irresponsável, na verdade - num momento em que o Governo Lula criou até máquinas de refrigerante para distribuição gratuita de camisinhas. A propósito, disse a Revista Época dias atrás:
"Habituada a dizer o que pensa sem escolher a plateia, Zilda Arns criticava duramente o Bolsa Família até na presença de donas de casa carentes, entre quem o programa usufrui compreensível popularidade. Cidadã de uma época que bons historiadores identificam como o século da emancipação feminina, nunca assumiu as bandeiras típicas da causa. Pelo contrário. Sempre foi uma adversária irredutível da legalização do aborto. Inimiga da liberdade sexual, combateu o uso da camisinha até como recurso para impedir a contaminação pelo vírus da aids, postura que coloca em risco a vida de quem não faz sexo seguro".
Ignorem aí a bobagem do "sexo seguro" - ora, a irresponsabilidade sexual só pode ser insegura, tanto para o corpo quanto para a alma; principalmente para a alma - e recolham o essencial sobre as boas opiniões e atitudes da Dra. Zilda.
Obviamente, contudo, em se tratando da Dra. Zilda Arns, precisamos ter sensatez e lucidez para reconhecer e louvar aquilo que fez de bom, sem com isso pretender "canonizar" suas falhas. Acho importante adicionar este adendo, pelo que mencionou o Seminarista Everton no comentário ao outro texto sobre a Dra. Zilda.
Ora, Zilda Arns tinha uma opinião em favor do PLC 122/2006, a Lei da Mordaça Gay, por acreditar nos tais "direitos humanos dos gays" - evidentemente, todo gay, enquanto ser humano, tem os mesmos direitos humanos que qualquer outra pessoa, inclusive eu; mas daí a exigir direitos especiais e contrários à lei da natureza, é demais! Direitos contra a família humana, célula mater da sociedade, não são direitos humanos.
É claro que com isso nenhum católico pode concordar. Esta opinião da Dra. Zilda - que lhe fez ganhar até um prêmio de um grupo de ativistas gays - foi lamentável e é, sim, errada (motivo pelo que, concordo com o Seminarista Everton, é exagerada a intenção da CNBB de pensar em pedir sua canonização...).
Contudo, isso não desmerece sua luta contra o aborto, que é, sim, louvável. E, embora eu me oponha profundamente ao PLC 122/2006 e ao totalitarismo gay, não posso deixar de louvar o exemplo que deu a Dra. Zilda em toda sua vida de trabalho em prol das crianças e contra o abortismo que grassa em nosso país. Ademais, em reconhecimento deste seu importante trabalho, o mais sensato seria imitar-lhe o exemplo e também lutar contra o abortismo, sempre e irrefreavelmente (sem, entretanto, imitar-lhe as falhas).
Dom Aldo Pagotto, que é reconhecidamente um opositor do gayzismo - eu o sei, pois moro na Paraíba e vejo as constantes batalhas que o Arcebispo trava contra o totalitarismo gay (vejam aqui e aqui, p. ex.) -, não pôde, contudo, deixar de reconhecer o importante exemplo da Dra. Zilda em sua guerra contra o aborto e em prol da vida das crianças. Mas só isso. Não canonizou qualquer falha sua, apenas louvou os méritos.
Aliás, Dom Aldo foi premiado como opositor dos gays - o que significa, na verdade, ser um defensor da moral e da família - pelo mesmo grupo de gayzistas que premiou a Dra. Zilda com um trófeu para os "amigos dos gays" - nem sei se a atitude de Zilda Arns valeria tal coisa, mas acho que eles quiseram aproveitar o impacto: uma católica conhecida, já indicada ao Nobel da Paz, apoiando uma coisa que todo católico deve rejeitar.
É preciso, portanto - como muito bem consignou o Sem. Everton em seu comentário -, "[dar] a cada herói o respeito, mas a lucidez para perceber os defeitos".
Reconhecer o valor da luta da Dra. Zilda Arns contra o aborto - e por isso chamá-la de "Apóstola da Vida" - não significa "canonizar" suas falhas ou concordar tacitamente com opiniões errôneas que ela, ao longo da vida, possa ter sustentado. Seria hipocrisia tal coisa.
Um reconhecimento sensato do que fez de bom a Dra. Zilda Arns foi realizado pelo Reinaldo Azevedo em seu Blog, opondo Zilda a Dilma Rousseff:
"Há quem pretenda, em nome da tolerância (???), eliminar os crucifixos das repartições públicas, como se fosse outra a história do Brasil. E há as pessoas que preferem levar adiante a mensagem da Cruz. A primeira escolha faz as Dilmas; a segunda, as Zildas. Umas tentaram melhorar o mundo com as VPRs* da vida (ou da morte); outras, com a Pastoral da Criança. No texto que Dilma assina, está a defesa do aborto. No texto que Zilda assina, a proteção à vida desde a concepção", escreve o Reinaldo.
Perfeito o comentário. Perfeita a análise. É a isto, a estas atitudes, que devemos louvar em Zilda Arns. Quanto às outras, as opiniões infelizes ou idéias lamentáveis, devemos apenas rezar para que Deus a perdoe e lhe dê o descanso eterno.
Reprovar o erro e não olvidar o que fez de louvável;  separar as coisas com sensatez e seriedade. Creio ser a atitude mais cristã neste caso.
_____________
*VPR:  Vanguarda Popular Revolucionária, grupo terrorista de luta armada do qual a atual Ministra Chefe da Casa Civil e futura candidata a Presidente, Dilma Rousseff, fez parte; Dilma foi responsável por assaltos armados a diversos bancos.

2 comentários:

  1. Eu, particularmente fiquei escandalizado. Pelo menos Deus utilizou-se deste jornalista para revelar estas blasfêmias sujas. Jesus, levanta-te contra este tipo de coisa, por favor. Sem julgar o sacerdote de Cristo, que ele siga o seu caminho longe do ministério sacerdotal. Se não é coerente com a fé que diz seguir, ao menos que seja coerente consigo mesmo.

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  2. Caríssimo Vinícius,
    Pax!

    Não entendi bem em que o teu comentário se relaciona com este adendo sobre Zilda Arns. Acho que te referias a este texto aqui, sobre o Pe. Fábio de Melo: http://taiguaraonline.blogspot.com/2010/01/padre-fabio-de-melo-e-escandaloso.html

    Meu cordial abraço!

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