terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Zilda Arns - Uma Apóstola da Vida, um Sinal de Contradição

"Iluminados pelo Evangelho da vida, sentimos a necessidade de o proclamar e testemunhar pela surpreendente novidade que o caracteriza: identificando-se com o próprio Jesus, portador de toda a novidade e vencedor daquele 'envelhecimento' que provém do pecado e conduz à morte, este Evangelho supera toda a expectativa do homem e revela a grandeza excelsa, a que a dignidade da pessoa é elevada pela graça. [...] Quando anunciarmos este Evangelho, não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambiguidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo (cf. Rm 12, 2). Com a força recebida de Cristo, que venceu o mundo pela sua morte e ressurreição (cf. Jo 16, 33), devemos estar no mundo, mas não ser do mundo (cf. Jo 15, 19; 17, 16)" (SS. PAPA JOÃO PAULO II, Enc. Evangelium Vitae, nn.80-82).


Não posso mais adiar. Estive, durante todos estes dias, pensando o que escreveria sobre Zilda Arns. Desde que recebi por e-mail a notícia de que morrera no terremoto do Haiti, pensava o que escrever em sua homenagem.
Talvez as palavras acima, do Papa João Paulo II na sua magistral Encíclica sobre o valor da vida humana, esgotem qualquer coisa que eu venha a escrever sobre Zilda Arns. Estas palavras carregam em si, poderíamos dizer, o íntimo do caráter desta grande mulher, o essencial de sua luta pela vida.
Zilda Arns foi uma Apóstola da Vida, uma guerreira numa cruzada contra os exércitos da morte.
Conheci a Dra. Zilda Arns e passei a admirá-la após ouvir o seu discurso numa audiência pública que ocorreu na Câmara dos Deputados, sobre o aborto (procurei este discurso para postá-lo aqui no En Garde!, mas não o encontrei). A defesa que aquela intrépida mulher fez da vida humana, de sua dignidade, de seu valor, do valor da criança - criança por quem ela dedicou toda a sua existência - encheu-me de admiração e profundo carinho por aquela personalidade forte e convicta. Na oportunidade, pude trocar alguns e-mails com a Pastoral da Criança e até recebi alguns de seus materiais a respeito dos trabalhos desenvolvidos junto a gestantes e crianças, que me lembraram muito a autêntica caridade cristã: caridade desinteressada e "desideologizada", portadora somente da mensagem do Evangelho da Vida.
Zilda Arns entendia o profundo sentido da vida. Por isso mesmo ela era um "sinal de contradição". Por isso considerei  tão aplicáveis a ela as palavras de João Paulo II: iluminada pelo Evangelho da Vida, Zilda Arns sentia a necessidade de anunciá-lo e proclamá-lo, com obras e palavras; mais que isso, Zilda Arns lutava, guerreava incansavelmente por este Evangelho.
Com seu trabalho caritativo, com suas palestras ao redor do Brasil, com sua luta contra a banalização da vida, contra a imoralidade sexual, contra o pernicioso crime do aborto, que este Governo despótico e desumano quer institucionalizar no Brasil, Zilda Arns dava testemunho contra o "envelhecimento" provocado pelo pecado e que conduz à morte, como afirma João Paulo II. E - também seguindo as palavras do Papa - Zilda Arns não temeu a impopularidade e as oposições, que sempre enfrentou (lembro-me do mesmo discurso na audiência pública da Câmara, que citei acima, quando lhe vaiavam e xingavam os abortistas, e ela simplesmente dizia, com toda a serenidade de quem amava o Evangelho: "não, o Brasil não quer o aborto").

O Brasil está envelhecendo, caríssimos leitores. Junto com todo este mundo arruinado.
A praga do socialismo, da tirania, da cultura da morte e da imoralidade, o cultoi da burrice e da imbecilidade, destroçam e arrasam os valores fundamentais de nossa nação. E com isso envelhece e morre o Brasil. Um país que quer matar seus próprios filhos já é um país que caminha para a morte.
Zilda Arns, com sua vida, mostra-nos que ainda podem existir brasileiros realmente brasileiros. Porque o Brasil não é essa podridão que vemos hoje; o Brasil não é esta banalização da imoralidade, da morte, da imbecilidade. Isso é o anti-Brasil. O Brasil, o verdadeiro Brasil, é como Zilda Arns e tantos outros, que diariamente dão seu sangue por nossa nação: é um Brasil que respeita a vida, o homem e - principalmente e acima de tudo - a Deus. E - pouco me importa o escândalo farisaico dos laicistas - é um Brasil cristão, católico, pois assim nasceu nossa terra, como Terra de Santa Cruz.
A morte de Zilda Arns deveria lembrar-nos isso. Deveria lembrar-nos o que é realmente o Brasil. Deveria lembrar-nos que todos - todos! - temos responsabilidade pela vida, pela sua defesa, pela defesa de seu valor e de sua dignidade. Zilda Arns morreu de forma bela, morreu onde sempre esteve: com as crianças, anunciando o Evangelho da Vida. Zilda Arns foi uma Apóstola da Vida - e agora uma mártir dela.
Hoje o Governo quer institucionalizar o crime no Brasil. Este Governo despótico e mundano quer institucionalizar o assassinato em massa de crianças, além de outras loucuras e imoralidades que só mentes de psicopatas, sem senso moral, poderiam conceber. E fazem isto sob o signo dos "direitos humanos"... Direitos "humanos" que vão contra o homem, contra sua dignidade! Isso é possível?
Espero que a morte de Zilda Arns não seja em vão. Que ela nos lembre da responsabilidade que todos temos pela vida do ser humano, especialmente dos filhos de nossa pátria, o Brasil. Não podemos deixar que nosso filhos sejam mortos, assassinados em prol da ideologia de um bando de psicopatas que governam o país. Devemos bradar em contrário, sem medo de impopularidade, sem medo de oposições, confiantes de que possuímos a Verdade do Evangelho da Vida, confiantes na vitória final da Vida - pois Cristo venceu a morte de uma vez por todas.
Zilda Arns nos ensinou isso com sua vida, entregue ao anúncio deste Evangelium Vitae. Como um último tributo dos brasileiros a esta grande brasileira, deveríamos impedir que o aborto seja aprovado no Brasil. Imploro às autoridades políticas e ao povo que tenham bom senso e não permitam tamanha barbárie contra nossas crianças. Lembrem de Zilda Arns. Lembrem de como amava os filhos do Brasil e aprendam a amá-los também e a valorizar aquilo que possuem de mais precioso: a sua própria vida.
Que Zilda Arns interceda por nós a Deus, para que o Senhor nos livre do mal do comunismo e do flagelo do aborto. Dai-lhe, Senhor, o descanso eterno entre os resplendores da luz perpétua; que descanse em paz.
Termino este post como comecei-o, citando este outro grande Apóstolo da Vida, o Venerável Papa João Paulo II. E são palavras que hoje, precisamente neste momento pelo qual passa o Brasil, nos impõem a todos uma grande responsabilidade:
"Em virtude da participação na missão real de Cristo, o apoio e a promoção da vida humana devem atuar-se através do serviço da caridade, que se exprime no testemunho pessoal, nas diversas formas de voluntariado, na animação social e no compromisso político. Trata-se de uma exigência sobremaneira premente na hora atual, em que a 'cultura da morte' se contrapõe à 'cultura da vida', de forma tão forte que muitas vezes parece levar a melhor. Antes ainda, porém, trata-se de uma exigência que nasce da 'fé que atua pela caridade' (Gal 5, 6), como nos adverte a Carta de S. Tiago: 'De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé se não tiver obras? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhe disser: 'Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos', sem lhes dar o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, é morta em si mesma' (2, 14-17).
No serviço da caridade, há uma atitude que nos há-de animar e caracterizar: devemos cuidar do outro enquanto pessoa confiada por Deus à nossa responsabilidade. Como discípulos de Jesus, somos chamados a fazermo-nos próximo de cada homem (cf. Lc 10, 29-37), reservando uma preferência especial a quem vive mais pobre, sozinho e necessitado. É precisamente através da ajuda prestada ao faminto, ao sedento, ao estrangeiro, ao nu, ao doente, ao encarcerado — como também à criança ainda não nascida, ao idoso que está doente ou perto da morte —, que temos a possibilidade de servir Jesus, como Ele mesmo declarou: 'Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes' (Mt 25, 40). Por isso, não podemos deixar de nos sentir interpelados e julgados por esta página sempre atual de S. João Crisóstomo: 'Queres honrar o corpo de Cristo? Não O transcures quando se encontrar nu! Não vale prestares honras aqui no templo com tecidos de seda, e depois transcurá-Lo lá fora, onde sofre frio e nudez'" (SS. PAPA JOÃO PAULO II, Enc. Evangelium Vitae, n.87).

3 comentários:

  1. Caro Taiguara,
    Ha ,porem,um fato que mancha a imagem de Zilda Arns:sua açao em relaçao ao homossexuais,dos quais ganhou um trofeu("Triangulo rosa" ou algo do genero).Sua posiçao a favor da chamada "Lei da mordaça gay" foi pouco moral.Fato que faz do comentario da CNNB sobre o inicio de seu processo de beatificaçao,um ato extremo.
    A cada heroi,o respeito mas a lucidez para perceber os defeitos.

    Pax

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  2. Sim, caríssimo Everton.

    Importa reconhecermos também esta grande falha. Obviamente que, homenagear Zilda Arns pelo seu trabalho pela vida humana, contra a imoralidade do "sexo livre", das camisinhas, entre outras coisas, não implica uma homenagem tácita também de alguns erros gritantes, como este caso que citas, dos gays.
    Como dissestes muito bem, "a cada heroi,o respeito mas a lucidez para perceber os defeitos".

    Meu cordial abraço!

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  3. E o Trófeu é "Triângulo Rosa", mesmo. É um tal de "Oscar Gay" de um grupo de ativistas gayzistas... =S

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