quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

"O veneno da Prostituta apocalíptica" ou "Por que o comunismo seduz, apesar de tudo?"

"Se somamos o número total de vítimas do comunismo neste século, vemos que é superior ao número de mortes de duas guerras mundiais, somado ao número de vitimas de todas as ditaduras de direita, mais o número total de vitimas de terremotos, enfartes e epidemias variadas. Isto não é força de expressão: é um simples fato, medido matematicamente. Ou seja, o comunismo foi o pior flagelo conhecido pela humanidade desde o dilúvio universal. Não há outro termo de comparação. A peste negra, proporcionalmente, foi menos grave do que o comunismo" (Olavo de Carvalho, Reparando uma injustiça pessoal).
Por que, então, o comunismo seduz, apesar de tudo isso?
Creio ser possível arranhar a resposta a esta questão - ampla e muito difícil de ser respondida (é quase ilógico pensar que uma coisa tão macabra possa atrair...) - a partir de Theodore M. Greene.
Em sua obra "Liberalismo - Teoria e Prática" (São Paulo: IBRASA, 1963) - sobre a qual escrevi dia destes neste Blog -, o Prof. Greene afirma que o comunismo só conseguiu seduzir da maneira como seduziu - e apesar de "recorrer, impiedosamente, à arregimentação, ao encarceramento, às torturas e às liquidações, para manter dominadas as massas" - por "ter dirigido seu apêlo a certas necessidades básicas do homem" (p.16). Explorando estas necessidades básicas e primevas, procurando satisfazê-las de sua maneira [distorcida]. o comunismo consegue seduzir as mentes e criar nelas uma paixão irracional pela vermelhidão. Não esqueçamos, obviamente, a imbecilização do homem, a Psicopolítica e outros métodos denunciados por George Orwell, de extrema utilidade para a dominação dos homens pelo comunismo.
A primeira destas necessidade é a justiça. Todo homem tem necessidade ser tratado com justiça, de que lhe seja dado o que é seu - pois isto é o mínimo devido à sua dignidade de homem. O comunismo utilizou-se desta necessidade por justiça para seduzir: segundo Greene, "o credo original dos comunistas exprimiu, de fato, a seu modo deturpado, certa paixão pela justiça e pelo bem-estar do homem" (p.16). Mas que justiça? Que bem-estar? 
A justiça do comunismo não é "dar a cada um o que é seu". O comunismo se baseia sobre uma falsa sociologia, a sociologia da luta de classes. Isso é transferido para sua noção de justiça e bem-estar: justiça  comunista lutar contra o "rico explorador" e elevar as "massas proletárias"; bem-estar é derrubar o "capitalista explorador" e dar o poder ao "trabalhador marginalizado" - ainda que isso só signifique uma coisa: uma casta de privilegiados, o Partido. A justiça dos comunistas é a justiça da luta de classes: o lado revolucionário vencendo a luta; isso é o justo.
"Tornou-se o toque de reunir para apoiar muitos (o rpoletariado) e opor-se a poucos (os exploradores de muitos), para apoiar a igualdade social e opor-se aos preconceitos. [...] Isso explica, em parte, o aparente êxito de muita coisa da propaganda comunista contra o que ela chama de exploração das massas pelos 'capitalistas'" (pp.16-17).
Utilizando-se do discurso da justiça - necessidade de todo homem - o comunismo seduz para algo que não é a justiça: está é "dar a cada um o que é seu" e não a luta de classes marxista. Mas a modificação o significado real das palavras e dos conceitos é essencial à doutrinação marxista. Apesar de, como afirma Greene, "[o comunismo] repudiar a justiça objetiva e confiar cinicamente na força arbitrária"; há, em verdade, esta inversão nos Estados comunistas: não há a justiça objetiva, a justiça que dá a cada um o que é seu, independentemente de quem seja; há, ao contrário, uma confiança cínica na força do Estado, que é elevado ao patamar de um deus todo-poderoso e com soluções mágicas para todos os conflitos; então, não se dá mais a cada um o que é seu: o Estado dá a quem ele quiser o que é dele, do Estado.
A segunda necessidade a que o comunismo visa responder para seduzir ao homem é a de uma fé comum. Nas palavras do Prof. Greene:
"Em seu próprio método implacável, o comunismo procura satisfazer uma necessidade profunda do homem, qual a de pertencer a uma comunidade coesa, guiada por uma fé comum. O homem não foi criado para viver na solidão ou isolado. Se o deixarem demasiadamente entregue a seus próprios expedientes, demasiadamente independente dos laços e obrigações sociais, tornar-se-á um perdido, um infeliz, uma criatura ineficaz. Êle é uma criatura essencialmente sociável que anseia por laços estreitos com seus companheiros. Acha-se também, naturalmente, inclinado mais a crer que a duvidar, a sustentar fortes crenças afirmativas e a crer com mais calor do que com certa hesitação. Sente-se mais feliz quando pode orientar suas ações para objetivos positivos, de cujo valor não duvida, especialmente quando outros alimentam êsses mesmos objetivos tão incondicionalmente quanto êle. Eme sue modo violento e desnorteante, o comunismo oferece a seus partidários tal comunidade fortemente unida, dedicada a um objetivo comum e empenhada num programa de ação também comum. Isso, em si mesmo, deve empolgar poderosamente aquêles que preferem ligar-se a qualquer comunidade organizada e unida, embora tirânica, a levar uma vida errante e solitária; deve empolgar aquêles que anseiam por crenças positivas que possam compartilhar com outros, ao invés de uma situação de descrença e ceticismo cínico, aquêles que exigem um programa social prositivo, embora impiedoso e perigoso, capaz de dirigir sua própria conduta diária mesmo de maneira desagradável, ao invés da 'liberdade' do caos social e da irresolução pessoal. Nisso também, por paradoxal que possa parecer, a fôrça do comunismo jaz em sua resposta positiva a uma necessidade positiva do homem" (p.17).
A sociedade atual é uma sociedade relativista: cada um tem "a sua verdade", não há A Verdade. Há até quem não tenha verdade alguma; há até quem diga que tudo é irreal. Mas o homem tem sede de Verdade, o homem busca, por si mesmo, a Verdade. Se não a encontra, busca consolo em "verdades" aparentes, ilusórias: nas mentiras, nos prazeres, na burrice aceita voluntariamente.
Numa sociedade relativista, onde a "intolerância dos tolerantes" reprime a Verdade e quer manter o homem o mais que puder longe dela, um credo mais fechado e violento, como o do comunismo, encontra aceitação tácita da parte de muitos. É por causa do ambiente relativista em que nos encontramos que o comunismo, apesar de se basear no cerceamento do pensamento, em falsos princípios e de constituir-se uma "anti-filosofia", segundo Eric Voegelin, apesar disso é neste ambiente que o comunismo encontra aceitação tácita e fanática, tornando-se até a razão de viver para muitos: o comunismo mata, tortura, degrada o ser humano... e se torna a razão de viver para tantos! Porque responde à necessidade de um credo coeso e [aparentemente] sólido, numa sociedade onde tudo é relativizado, onde tudo parece etéreo e mero modismo. Se não há a Verdade, o homem se refugia nas falsas "verdades", das quais o comunismo é apenas uma.
Para fins exemplificativos, coisa análoga vem acontecendo na Europa com o islamismo. A sociedade européia caiu num relativismo banal e irresponsável, que chega ao cúmulo de tentar reescrever a sua própria história, negando suas tradições e suas raízes cristãs, como se por 1700 anos ela não tivesse sio cristã, apesar do testemunho eloqüente de suas catedrais! Negando suas raízes cristãs e caindo no relativismo, a Europa se vê diante do que eles chamam de "problema islâmico": os maometanos cada vez mais encontram espaço para suas idéias e reinvidicações. Assustam-se os europeus. Mas o que poderão fazer? Se negam suas raízes cristãs, não poderão resistir a uma doutrina firme como a do Islã; se negam suas tradições e caem no relativismo, não poderão resistir a uma cultura que nada relativiza como a cultura de Maomé, onde o peso das tradições e da fé é muito forte. Não adianta assustar-se com "o problema islâmico": os europeus escolheram esse caminho ao negar suas raízes e escolherem o relativismo. Uma cultura relativista não pode resistir a uma cultura forte como a islâmica.
Há uma terceira necessidade a que o comunismo tenta responder para seduzir o homem: o heroísmo.
O homem, decaído pelo pecado original, perdendo os dons preter-naturais que Deus lhe concedera misericordiosamente, sente a necessidade de elevar sua dignidade a um estágio aproximado ao anterior à Queda. O único modo de fazê-lo é aquele que nos dá o Cristo: a aceitação da Vontade Divina, o amor irrestrito a Deus, a busca da santidade. A santificação é o heroísmo em plenitude, de que o homem sente necessidade; porque o homem só encontra seu fim verdadeiro em Deus, de Quem viemos e para Quem vamos.
Mas o comunismo - que também utiliza-se desta necessidade intrínseca do homem pelo heroísmo para propagar-se -, rejeitando a Deus, rejeita, conseqüentemente, o único heroísmo que poderia satisfazer o homem plenamente: o encontro com o Bom, o Belo e o Verdadeiro. O marxismo cultural chega ao cúmulo de promover propagandísticamente a imoralidade e a ignorância como uma maneira de controlar o homem.
O que o comunismo faz para propagar-se com base no desejo humano de heroísmo e auto-superação é a exigência de auto-sacrifícios pelo Partido, pelo Manifesto - os quais, talvez, depois lhe elevem a cargos mais altos na grande máquina burocrática comunista.
"O comunismo dispõe ainda de uma terceira seta espiritual em sua aljava. A despeito de o homem preferir, naturalmente, segurança e confôrto a perigos e sacrifícios, há, também, um aspecto da natureza humana que acolhe prazerosamente a exigêncio de um auto-sacrifício. Esperamos um desafio, claro e incondicional, para identificar-nos com um grupo ativo que apóia uma causa vital. Uma causa deve parecer digna de nossa lealdade para poder desafiar-nos, mas o impulso para  sermos leais é, muitas vêzes, mais forte que nosso impulso para examinar detidamente os méritos da própria causa. Desejamos que o desafio seja tão irresistível que possamos inquestionàvelmente responder a êle, uma causa tão vital que nos tornemos cônscios de estarmos identificados com ela. Poderemos então vangloriar-nos verdadeiramente  do sacrifício exigido, porquanto a própria dor dêsse sacrifício parece garantir o valor da causa que o exige, e justificar a lealdade que desperta em nós. Isso também explica a poderosa fascinação do comunismo como causa. Muitos membros do partido devem indagar a si mesmos se o objetivo do comunismo justifica realmente os métodos brutais que êle emprega, mas o desafio é tão destituído de ambigüidade, as ordens tão claras (a qualquer tempo dado) e os sacrifícios pessoais exigidos tão grandes que, no fim, o objetivo parece indubitável" (pp.17-18).
"São êsses alguns dos poderosos recursos espirituais do comunismo a que procuramos resistir e contra os quais procruamos concorrer em tôdas as partes do mundo" (p.18), conclui Theodore M. Greene. Estas são, pois, segundo o Professor, as seduções do comunismo.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A situação da Igreja no Brasil - por Pe. Demétrio Gomes e Prof. Felipe Aquino

A situação da Igreja no Brasil
Pe. Demétrio Gomes da Silva
www.presbiteros.com.br
Prof. Felipe Aquino
www.cleofas.com.br
A cada dia intensifica-se um laicismo anti-católico no Ocidente, uma afronta a nossas raízes cristãs. No entanto, não percebemos uma reação forte por parte dos católicos. Podemos notar que também no Brasil o mesmo é crescente. A Igreja é colocada cada vez mais como a vilã da história e da sociedade, contrária ao progresso, etc. Tudo isso, porque tem a coragem de denunciar seu comportamento pecaminoso no que fere a lei de Deus, inscrita no coração de cada homem: aprovação ao aborto, a união legal de pessoas de mesmo sexo – com adoção de crianças -, manipulação genética de embriões – como se fossem seres descartáveis -, inseminação artificial, eutanásia, suicídio assistido, controle egoísta da natalidade, distribuição de camisinhas e de pílulas do dia seguinte aos jovens etc.
A Igreja Católica, que é a Lumem gentium (Luz dos povos) faz a Luz de Cristo brilhar nas trevas deste mundo, missão que o Senhor lhe confiou, mas as trevas gritam contra ela. “… a vida era a luz dos homens; e a luz brilha nas trevas, mas as trevas não a compreenderam… Ele estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dele, mas o mundo não o reconheceu” (Jo 1, 4-10).
Em nosso Brasil, a maioria do povo diz ser católica, nossas raízes são católicas, nossa cultura e nossa tradição são católicas, mas esse povo infelizmente é quase analfabeto em doutrina, e muitas vezes alienado da realidade política e social; isso o deixa a mercê das seitas e de minorias que desejam implantar ideologias contrárias à fé da maioria. Esse povo bom, mas inculto, que na sua maioria não lê um jornal ou revista, e só se informa pela televisão, facilmente se deixa enganar até mesmo por um governo que propõe medidas ofensivas a moral católica, como acontece agora com o Plano Nacional de Direitos Humanos – 3, que é desumano. Este Plano, por exemplo, propõe a aprovação do aborto, do casamento de pessoas do mesmo sexo com adoção de filhos, a retirada dos símbolos religiosos católicos das repartições públicas, restringe a livre expressão das idéias, incentiva as invasões de propriedades alheias, limita a ação da justiça nas reintegrações de posse a seus legítimos donos, sugere a revisão da Lei da Anistia, ameaçando agitar a sociedade etc.
No entanto, em que pese toda manifestação dos bispos, a maioria da população católica parece ainda inerte, imóvel, omissa, como se nada estivesse acontecendo. Ou não toma conhecimento dos fatos ou o ignora de maneira alienante. Também grande parte do povo católico se satisfaz com o pão e o circo oferecidos pelo governo que age de maneira imoral. Esse povo não reage nem mesmo quando a fé católica é ofendida, a Igreja atacada, os sacramentos profanados, os santos ridicularizados e muitas vezes caricaturados, etc.
Estamos sofrendo uma guerra declarada. Já vivemos um martírio incruento, e não será surpresa se em breve se tornar cruento, também em nosso país, como acontece hoje na Índia, no Iraque, na Arábia Saudita etc., onde milhares de cristãos são mortos pelo simples crime de seguirem a Jesus Cristo.
Como unir e acordar esse povo católico, para que de maneira organizada e ordeira enfrente essa onda anti-católica que atravessa o mundo e também o Brasil?
As forças do ateísmo e do laicismo anti-católico atuam fortemente nas universidades, na mídia e nos movimentos sociais, que se apóiam o governo e se beneficiam de seus recursos. Infelizmente um segmento da Igreja, avesso à autoridade da Igreja, desobediente ao que vem da Santa Sé, favorece muitas vezes a rebeldia contra a própria Igreja e fortalece o laicismo. Pois “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído. Toda cidade, toda casa dividida contra si mesma não pode subsistir”. (Mt 12, 25).
Em nossa Igreja no Brasil, com uma desviada hermenêutica da chamada “opção preferencial pelos pobres”, acabamos abandonando os postos chaves na sociedade que outrora ocupávamos: as universidades, os laboratórios científicos, o mundo da cultura etc. Deixamos, assim, espaço aberto para que os marxistas pudessem fazer a cabeça daqueles que são hoje a cabeça da sociedade.
Infelizmente, não só no governo atual, mas também na Igreja, vemos o incentivo da política do “pão e circo”. Reunimos multidões de fiéis, lhe damos-lhes palavras bonitas – e tão vazias de conteúdo! -, algumas lágrimas e sentimentos à flor da pele. Muitos saem contentes, e tudo termina em nada… A profecia de Oséias é atualíssima: “Meu povo perece por falta de conhecimento” (Os 4,6). Já é hora de queremos deixar de contentar-nos com sermos cristãos superficiais. Precisamos dar-lhes alimento sólido, que os fortaleça na fé, tornando-a inabalável diante de qualquer contrariedade. O povo tem sede de verdade, mesmo que seja duro ouví-la. Chega de pregações adocicadas, que não dizem nada! Cristianismo não é poesia! Precisamos de cristãos totalmente informados pela fé, que a testemunhem por toda parte, e não somente nas sacristias de nossas paróquias.
É preciso levar o povo católico a conhecer a verdade, ser informado, e deixar de ser manipulado; este é o grande desafio atual. Pensamos que a Igreja é capaz de furar essa crosta que impede esse povo bom e desinformado de tomar conhecimento e participar da luta contra, por exemplo, esse PNDH, porque a mídia jamais vai fazer isso. Como diz Pe. Paulo Ricardo “há uma espiral de silêncio” que precisa ser quebrada.
Temos que unir forças. Voltar a conquistar estes meios. Construir uma rede com as pessoas boas – não só na intenção, mas com qualidade espiritual, humana, profissional – e organizar com inteligência nosso apostolado. Temos a firme esperança aí que não contamos somente com meios humanos, e, por isso, devemos ser audazes. Nesse sentido, não podemos esquecer que, antes de qualquer técnica de ação, devemos estar inteiramente unidos a Deus através de nossas armas sobrenaturais. Daí deve derivar, diante de tudo, um profundo otimismo, não ingênuo, mas espiritual, fruto da convicção de que com Ele nos tornamos onipotentes.
Os filhos das trevas são os que deveriam tremer diante de nós, pois nossas armas são muitíssimo mais eficazes. Além de todo auxílio sobrenatural – que nos torna infinitamente superiores nesta guerra -, temos nossos púlpitos – quantos brasileiros vão a Santa Missa dominical! -, temos vários meios de comunicação – TV, jornais, internet -, e contamos – apesar de tudo – com grande credibilidade por parte de nosso povo brasileiro: eles confiam na Igreja!
O que fazer de concreto? Além da luta pela santidade – que é o que mais conta - já que é o Senhor o protagonista dessa luta -, devemos estreitar nossa rede de contato. Tentar entrar mais nesses meios que possuímos. Mais encontros de formação, retiros para os intelectuais, universitários, cientistas, jornalistas para atingir o povo.
É urgente levar esse povo católico, em massa, a participar, escrever às autoridades, aos políticos, fazer manifestações organizadas e ordeiras; sim, esse povo que vai à Missa, a grupos de oração, que participa dos novos Movimentos e das novas Comunidades, que prega o Evangelho da salvação pelo Rádio, pela TV, pela internet, etc. Aqui entra, sem dúvida, o papel importante das televisões católicas. Enfim, é preciso uma ação unida, coordenada, de todos os católicos frente a tudo que estamos vendo de errado sobre bioética, corrupção, PNDH, etc.
É preciso envolver  as realidades que querem ser fiéis à Igreja (Opus Dei, Regnum Christi, Comunhão e Libertação, Caminho Neocatecumenal, Cursilhos de Cristandade, Renovação Carismática, Equipes de Nossa Senhora, Serra Clube etc.) e Comunidades de Vida (Canção Nova, Shalom, Obra de Maria etc.), incluindo também as paróquias e dioceses; além dos políticos católicos. Revelar ao mundo a unidade transcendental da Igreja, que nos une por cima de toda diferença. “Nisto conhecerão que sois meus discípulos…” (Jo 13,35).
É claro que isso é algo difícil, muito difícil, mas se todos nos mobilizarmos no sentido de buscar essa união podemos fazer algo. Será preciso “grandeza de alma” para se colocar as exigências do Reino de Deus acima das nossas. Não adianta permanecermos entre nós com choros e lágrimas, como se fossemos uma “equipe de consolo mútuo”. Muita gente silenciosa está descontente com tudo isso; é preciso envolvê-los. Há muitos sites na internet que mostram isso. E esse é um instrumento poderoso de articulação hoje.
Os inimigos da Igreja estão articulados e as forças da Igreja estão esparsas; esse é o problema. Receamos que se não fizermos algo hoje, amanhã talvez seja tarde, e quem sabe as leis não nos permitam amanhã pregar contra a homossexualidade, o aborto, o sexo livre, … e tudo o que é contrário à lei de Deus.
Sabemos que a audácia dos maus se alimenta da omissão dos bons. Não podemos fugir deste mundo, e muito menos simplesmente condena-lo. Jesus disse que não veio para condenar o mundo, mas para salva-lo; a nós cabe fazer o mesmo.
Ao vislumbrar o terceiro milênio da cristandade, o Papa João Paulo II convocou os cristãos para “pescar em águas mais profundas”, onde se encontram peixes mais numerosos e maiores.  João Paulo II e Bento XVI nos enviam para alto mar (“duc in altum”). E para isso é preciso estarmos preparados; o mar é bravio, podem surgir as tempestades a qualquer momento, ondas altas, vento forte, ameaçando virar a barca.
Não podemos mais ficar pescando na praia, com varinha de bambu, linha fina e anzol pequeno. A evangelização, a conversão de almas para Deus, não é um passa-tempo; mas uma missão árdua, que precisa ser cumprida com esmero: preparo e oração. Não é fácil arrancar as presas dos dentes do lobo cruel e assassino. “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).
Mas, é preciso também o preparo. Paulo VI disse que a mediocridade ofende o Espírito Santo. Deus está pronto para mover os céus para realizar o que está além da nossa natureza, mas não moverá uma palha para fazer o que depende de nós. Ele faz o grão germinar, mas jamais virá preparar o solo e nele lançar a semente: “O Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti” (Santo Agostinho, Sermo 15,1).
O Papa João Paulo II na memorável vigília da Solenidade de Pentecostes no ano de 1998, mostrou a grande responsabilidade que têm, neste sentido, os novos Movimentos e as novas Comunidades:
“No atual mundo, frequentemente dominado por uma cultura secularizada que fomenta e propaga modelos de vida sem Deus, a fé de tantos é colocada à dura prova e frequentemente sufocada e apagada. Adverte-se, portanto, com urgência a necessidade de um anúncio forte e de uma sólida e profunda formação cristã. Como existe hoje a necessidade de personalidades cristãs maduras, conscientes da própria identidade batismal, da própria vocação e missão na Igreja e no mundo! E eis, portanto, os movimentos e as novas comunidades eclesiais: eles são a resposta, suscitada pelo Espírito Santo, a este dramático desafio no final do milênio. Vós sois esta providencial resposta”.
O mundo expulsa Deus cada vez mais; o secularismo toma conta da cultura, da mídia, da moda etc., a chama da fé é cada vez mais apagada nos lares, nas escolas e nas oficinas. O Papa pede “uma sólida e profunda formação cristã”. Sem isso não será possível pescar em águas profundas. Sem um bom conhecimento da doutrina, do Catecismo da Igreja especialmente, não poderemos dar ao mundo “a razão da nossa fé” (cf. 1Pe 3,15).
O Papa pede também “personalidades cristãs maduras”, certamente não só sacerdotes e bispos, mas leigos preparados, capazes de adentrar aos muros às vezes adversos das universidades, cinema, teatro, música, artes, meios de comunicação, política etc.
Ao lançar a Igreja em direção ao novo milênio, o Papa João Paulo II fez mais um forte apelo: “Uma nova evangelização!”. Se ele pediu uma “nova” é porque a anterior envelheceu; não certamente no seu conteúdo, mas na sua forma. Ele pediu: “com novo ardor, novos métodos e nova expressão”. O que significa isso?
Novo ardor, certamente no fogo do Espírito Santo que tem suscitado os movimentos e as Comunidades que brotam a cada dia. Sem esse “fogo” do céu, não haverá nova evangelização. Façamos sim planos e reuniões, projetos e programas, mas sob o fogo do Espírito, sem o qual tudo não passará de letra morta. Quanto tempo e energia já se perdeu por falta desse ardor do Espírito!
Novos métodos é certamente o que temos visto nas Comunidades e Movimentos: uma evangelização com um jeito novo: nas casas, nos rincões, pelas rádios, TVs, jornais, revistas, encontros, seminários, adorações, acampamentos de oração e estudo… É a “Primavera da Igreja” como dizia João Paulo II.
Nova expressão, uma nova maneira de viver o Evangelho, não mais individualista, mas em grupo, em comunidade, comprometidos conjuntamente com o trabalho do Reino do céu, na fraternidade, na correção fraterna, no amor mútuo, no compromisso com Deus e com a Igreja, “cum Petro e sub Petro”.
Vemos assim que a Igreja acredita profundamente nas Comunidades e Movimentos novos, que precisam se preparar, como verdadeiras “Companhias de Pesca”, e se lançarem sem medo, em nome do Senhor, em águas mais profundas, e buscar os grandes peixes.

Liberalismo e Conservadorismo em Theodore Meyer Greene

Theodore Meyer Greene foi professor de Humanidades no Scripps College (Claremont, Califórnia). Escritor lúcido e conferencista disputado, em 1949 proferiu três palestras no Instituto Rushton (Birmingham, Alabama), que deram origem à obra "Liberalismo - Teoria e Prática" (São Paulo: IBRASA, 1963).
Não sou liberal. Sou conservador. Contudo, pela leitura do livro de Greene - ainda não o concluí -, percebo que aquilo a que autor chama de "liberalismo" é mais o "conservadorismo". 
O liberalismo, como sabemos, comporta uma absolutização da liberdade chegando à irresponsabilidade moral; foi condenado pelo Papa Leão XIII na Encíclica Libertas Praestantissimum
O conservadorismo, contudo, não é propriamente uma ideologia e sim uma atitude contra-revolucionária, cujo anseio é ver as coisas caminharem ordenadamente segundo os seus fins e mediante a conservação daquilo que é bom e válido - as tradições. Não há como explicar conservadorismo numa introdução a um artigo. Quem quiser entendê-lo leia "Dez Princípios Conservadores", do pensador americano Russell Kirk.
Apesar de intitular seu livro pelo nome do "Liberalismo", Theodore Meyer Greene defende, pelo que percebo, o conservadorismo. O autor acredita que o termo "liberalismo" foi deturpado por ter se tornado um chavão, uma palavra de uso corrente; seu objetivo é, pois, restaurar-lhe o verdadeiro significado:
"[Liberalismo] É demasiado chavão devido a seu muito uso e descuidado emprêgo [...] Os têrmos 'liberalismo' e 'liberal' adquiriram realmente várias associações e significados desnorteantes que precisam, primeiramente, de um modo ou de outro, ser eliminados se deverem servir a nossos fins" (p.24-25).
Entretanto, nesta sua tentativa por "eliminar os significados desnorteantes" do termo "liberalismo", o autor termina se afastando do que realmente é o liberalismo - a definição está na Encíclica Libertas - e se aproxima do sadio conservadorismo. O que Greene, em seu livro, chama de "liberalismo" parece ser, na verdade, conservadorismo. No desejo de contrariar o chavão dominante, Greene chega à defesa da atitude correta:  a atitude conservadora e contra-revolucionária.
O próprio autor reconhece, logo às primeiras páginas, talvez sem intenção, que fez esta confusão entre liberalismo e conservadorismo:
"Por que, hoje em dia, se tornou suspeito o 'liberal', isto é, o amante da liberdade? Por que o 'liberalismo', que para nós devia ser sinônimo de saido conservadorismo americano, passou a ser termo de condenação e injúria?" (p.10).
Greene admite, então, que "liberalismo" para si é "sinônimo de sadio consaervadorismo".
A origem da confusão está na indagação anterior: "Por que, hoje em dia, se tornou suspeito o 'liberal', isto é, o amante da liberdade?". Theodore Meyer Greene identifica o "liberal" como "o amante da liberdade"; "liberalismo" seria "amor à liberdade".
A identificação não procede. O conservador também é um "amante da liberdade" e o conservadorismo é, também ele, um "amor pela liberdade" - até a morte, se preciso for. Mas o que diferencia este "amor pela liberdade" do conservador e do liberal é uma coisa: responsabilidade.
O "liberal" apregoa uma liberdade irresponsável: a liberdade pela liberdade, só a liberdade, para tudo, para o que quer que seja. O "liberal" é o tipo de "amante da liberdade" que a quer sem compromisso: não é capaz de fazer com ela um pacto de amor, um matrimônio; é uma relação irresponsável, "à todo custo". O "liberalismo" é o adultério da liberdade e o "liberal" o seu "Ricardão".
Isto não acontece com o conservador. O conservadorismo quer um matrimônio com a liberdade. Quer respeitá-la em seus limites, em suas fronteiras. Não quer abusá-la, explorá-la, estuprá-la. O conservador sabe que a liberdade precisa ser tratada com carinho, devoção, paixão conjugal. Por isso a respeita: seu amor é um amor responsável e sério, sóbrio, equilibrado, matrimonial.
O livro de Theodore M. Greene, pelo que percebo até este momento da leitura, mereceria mais o título de "Conservadorismo" do que "Liberalismo". Guardadas as necessárias ressalvas - especialmente quanto aos termos, como tratamos aqui -, é um livro indicado para estudo de qualquer conservador.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Economista Jean-Yves Naudet analisa Encíclica Caritas in Veritate

Novidade de Bento XVI: dom e gratuidade também no mercado e na política
AIX-EN-PROVENCE, segunda-feira, 25 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).- “A novidade de Bento XVI é que a gratuidade não se limita à sociedade civil, também deve acontecer no âmbito comercial e político”, afirma Jean-Yves Naudet na entrevista que segue, concedida a ZENIT, sobre a encíclica "Caritas in Veritate".
Jean-Yves Naudet é professor de economia na universidade Paul Cézanne (Aix-Marsella III), presidente da Associação de economistas católicos da França e vice-presidente da Associação Internacional para a Doutrina Social Cristã.

–Mesmo antes da publicação, a encíclica “Caritas in veritate” de Bento XVI provocou comentários mal entendidos e equivocados. Quais são, na sua opinião, os pontos fundamentais desenvolvidos na linha fiel à tradição da Doutrina Social da Igreja?

–Jean-Yves Naudet: É certo que escreveram muitas coisas falsas antes da aparição da encíclica, algumas até anunciando um novo manifesto parecido ao de Marx!
Tudo isso é ridículo, e Bento XVI se situa explicitamente na linha de todos os seus antecessores na doutrina social, de Leão XIII a João Paulo II.
Nela se encontram todos os grandes princípios doutrinários, desde a dignidade da pessoa ao respeito à vida, passando pela subsidiariedade e a solidariedade.
Mas, igual a seus antecessores, Bento XVI se interessa por “coisas novas”, como a globalização, a crise financeira, o meio ambiente, o desenvolvimento.
A maior novidade é a ideia de que a questão social foi convertida em uma questão “radicalmente antropológica”, ou seja, que afeta todos os homens. Isso é o desenvolvimento integral.
A partir de agora, a economia, a sociedade, mas também o meio ambiente, família, respeito à vida formam parte da doutrina social da Igreja; já não se pode “dividir” a doutrina da Igreja para rejeitar uma parte: se você quer ser fiel à doutrina social da Igreja, tem de defender a dignidade do homem e a economia ao mesmo tempo que a vida humana. Isso se torna inseparável.
Isso já aconteceu com seus antecessores, mas agora e adiante está se unificando na doutrina social da Igreja. 
Defender a vida e rejeitar a manipulação do embrião também faz parte da promoção do desenvolvimento das populações.

–Na mensagem do Papa, a globalização é apresentada, sem dúvida, com suas forças e fraquezas, mas a questão central se situa em torno da moral e da ética nas relações econômicas. Como poderia se definir a ideia de mercado segundo Bento XVI?

–Naudet: Sim, essa encíclica é também uma grande lição de ética econômica, e o Papa repassa os grandes temas econômicos (mercado, empresas produtivas, etc) para mostrar, colocando a ética no coração da economia.
No que diz respeito ao mercado, Bento XVI explica, como João Paulo II, a utilidade, e seu caráter essencial de permitir às pessoas trocar bens e serviços.
Mas explica que o mercado necessita de justiça comutativa, tema já presente com Tomás de Aquino (preço justo, salário justo, igualdade nas trocas), e também justiça distributiva, porque sem ela não se pode produzir a coesão social.
Precisa-se, pois, de um mercado com formas internas de solidariedade para criar a confiança mútua. Isso é o que falta na crise atual. 
Mas por trás do mercado existem as pessoas, e são elas que têm um comportamento moral ou imoral. Por isso, disse o Papa, “não culpo o meio ou o instrumento, mas sim o homem, a sua consciência moral e a sua responsabilidade pessoal e social” (§36).

–Em uma imagem muito querida pelo Papa, o mercado, o Estado e a sociedade civil formam uma união em que a pessoa, livre e responsável, pode se expressar em termos de desenvolvimento integral. De que forma uma pessoa pode se comprometer para realizar o bem comum segundo a doutrina social da Igreja?

–Naudet: Esta questão das relações entre mercado, Estado e sociedade civil é central. O mercado passa pelo contrato, o Estado pelas leis justas e a sociedade civil pelo dom e gratuidade.
A sociedade civil é essencial para não fechar o homem entre o mercado e o Estado. A sociedade civil são órgãos intermediários ou “a personalidade da sociedade”, como dizia João Paulo II.
Mas, além do elogio da sociedade civil, a maior novidade de Bento XVI é a união dessas três ordens, tomando como objetivo o bem comum.
Quer dizer, que o dom e a gratuidade não se limitam à sociedade civil, mas também devem se desenvolver na área do mercado e da política, para promover melhor o bem comum; e inserir nesses dois mundos a gratuidade é inserir sal que dá sabor ao todo.
Uma pessoa pode-se comprometer de várias formas na sociedade civil, empresarial ou política, mas dom e gratuidade dão um verdadeiro sentido a este compromisso, ao colocar no centro o amor na verdade, que é o fio condutor da encíclica.

–Também existe uma crítica radical à ideologia tecnocrática e uma visão nova da importância da iniciativa empresarial como compromisso pessoal a serviço da comunidade. Poderia falar sobre esse aspecto tão particular e importante?

–Naudet: É essencial o aspecto relacionado com a ideologia tecnocrática, porque nosso mundo acredita que tudo está permitido desde que seja eficaz. Mas isso é o oposto da ética e significa acreditar que o fim justifica os meios.
Assim também se utilizam embriões como um simples material. Isso é puro utilitarismo e somente a ética pode permitir tomar boas decisões: o uso da técnica em si deve ser submetida à ética.
Considerando a iniciativa empresarial, Bento XVI fala em primeiro lugar do sentido do empresário, mostrando que sem ética a empresa está condenada, sobretudo quando está obcecada pelo curto prazo; tudo, tudo de uma vez, a qualquer preço, esta é a causa da atual crise.
E homenageia aos empresários que tem uma análise clarividente. Mas o que é mais novo é a ideia de que cada um de nós, cada trabalhador, é um criador, e não somente o empresário de forma estrita.
Assim, cada um deve ser tratado na empresa como se trabalhasse por conta própria, com o sentido de responsabilidade e de autonomia necessários: questão de dignidade, mas também de eficácia.
Ao respeitar as pessoas, estas darão o melhor de si e cada um deve então ser tratado na empresa como se fosse um verdadeiro empresário, quer dizer, um criador ao serviço dos demais.

–Em um artigo publicado em “L'Osservatore Romano”, o senhor afirma que a encíclica “abre formidáveis pistas de reflexão” e um “verdadeiro programa de pesquisa”. A que direções e perspectivas os católicos e pessoas de boa vontade estão chamados a olhar?

–Naudet: Cada nova leitura da encíclica abre novas pistas. Cada um deve encontrar as razões para modificar sua vida e um caminho de conversão, também em seu comportamento econômico.
Mas para os pesquisadores, os universitários, abre-se um campo considerável para encontrar as aplicações concretas das ideias do Papa.
Assim, esta noção de dom e de gratuidade no mundo do mercado e de política deve levar a reflexões, além dos comportamentos individuais, a novas formas institucionais.
Da mesma forma, ao abordar a questão, aparentemente muito elegante, da responsabilidade social da empresa, destaca que se a ética converte-se em instrumento de marketing, pode levar a seu oposto.
Ele recorda que a verdadeira ética se baseia em “dignidade inviolável da pessoa humana” e no “valor transcendente das normas morais naturais” (§45): a partir daqui, é preciso mudar todas as nossas concepções de gestão empresarial e trazer de volta o bom caminho da ética.
O mesmo acontece com o lucro, que é útil sim, como meio, se orientado a um fim que lhe dê sentido, tanto no modo de adquirir como de utilizar (cf. n. 21). Para repensar o significado do lucro, é preciso saber discernir o bom ímpeto lucrativo do lucro imoral.
Mas cada um poderá encontrar nessa encíclica as questões que afetam diretamente a si e levá-las para sua vida.
A doutrina social é, com Bento XVI, como já destacou João Paulo II, caminho de conversão e caminho de evangelização.

Fonte: Zenit

Retorno

Estamos de volta após breve recesso, caríssimos.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Recesso de Carnaval

Caríssimos leitores,

não estarei atualizando o Blog nos próximos dias. Após o Carnaval, retomo as atualizações.

En Garde!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

IMPORTANTE! Manifestação contra o PNDH amanhã!

Não custa relembrar, apesar de estar exposto na barra lateral do En Garde! constantemente: amanhã é a manifestação em São Paulo contra o PNDH totalitário do Governo Lula. Estejam presentes!
En garde, soldat!

George Orwell e Lula: "Quem controla o passado, controla o futuro"

Meses atrás escrevi uma análise do livro "1984", de George Orwell (Trad. Wilson Velloso. 29 ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005), jornalista e teórico político britânico que denunciou em suas obras literárias os males do totalitarismo; a análise intitulava-se "'Reflexões sobre 1984 de George Orwell' ou 'Eu sou um Ideocriminoso'", e relacionava a obra de Orwell à Revolução que atualmente está em curso no Brasil. Quem leu aquele artigo não deve ter achado estranhas as sandices defendidas pelo Governo no Programa Nacional dos "Esquerdos Desumanos", já que estão no plano petista de sistemática implantação do totalitarismo no Brasil e na linha constante de todos os regimes totalitários, que seguem basicamente os mesmos expedientes; a obra de Orwell é exímia na prova disto.
Há um ponto que hoje quero relembrar. Por que o PT defende no seu PNDH a extinção dos crucifixos? Por que o PT quer uma Comissão "da Verdade" parcial e que por isso mesmo não pode chegar à verdade, dado que esta não se diz pela metade?
A resposta está no que Orwell [foto] denuncia como um dos pilares do totalitarismo: o controle do passado.
Transcrevo o que escrevi naquele texto, meses atrás:
Por fim, um dos mais interessantes meios de controle do Ingsoc em "1984" é, ao mesmo tempo, o pilar do Partido: o controle do passado. O Ingsoc está constantemente reescrevendo os livros e as notícias passadas em seu favor: possui um órgão só para isso, o Ministério da Verdade, onde trabalha o personagem principal, Wiston Smith. O Ministério da Verdade, dia após dia, muda estatísticas de jornais, altera notícias, diz uma coisa e logo depois o contrário, sempre da maneira que o Partido queira; e as pessoas são obrigadas a aceitá-lo, pois é o que está nos registros; se sua memória diz outra coisa, é porque estão loucas; o Passado é de um jeito só: do jeito que o Partido queira. "Quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado", é o ditado do Ingsoc (p.236).
"A realidade só existe no espírito, e em nenhuma outra parte. Não na mente do indivíduo, que pode se enganar, e que logo perece. Só na mente do Partido, que é coletivo e imortal. O que quer que o Partido afirme que é verdade, é verdade. É impossível ver a realidade exceto pelso olhos do Partido" (p.237), dirá um dos personagens a Wiston.
Por que o Partido reescreve o passado para controlar o futuro? Porque o passado é a nossa identidade. É no passado que estão as nossas tradições, nossos valores, transmitidos pelos nossos pais, avôs, gerações que vieram antes de nós, e que nos presentearam com a sua própria experiência para que não nos debatêssemos nas mesmas más situações que eles enfrentaram. A tradição é essencial para a vida do homem. Destruir a tradição de uma sociedade é destruir sua identidade; e destruir sua identidade é deixá-la fraca e expô-la ao controle de quem quer que seja. A crise moral do mundo moderno, esta grande degeneração, é, na verdade, uma crise de tradições: o Modernismo e o Marxismo Cultural estão destruindo todas as tradições, todos os valores que construíram nossa Civilização; estão destruindo o passado, e com ele nossa identidade. E alguém ainda pergunta porque tantos regimes totalitários e tantos crimes em nossa época?

Já escrevi uma vez sobre como o Governo do PT - o nosso Ingsoc
- está numa guerra contra os valores morais e as tradições de nossa nação para destruir sua identidade, levar a sociedade brasileira ao caos e instaurar um regime comunista futuro. E é isso mesmo o que ocorre. No mundo inteiro. Destruição do passado, repúdio das tradições, caos, crise, imbecilização e manipulação dos homens.

Destruir o Cristianismo - como se isto fosse possível... - é um dos passos para tanto: é destruir  o próprio cimento, base ou alicerce da Civilização Ocidental. Por isso todos os grandes totalitaristas eram inimigos do Cristianismo: Hitler - que queria uma nova religião, do sangue e da raça -, Marx, Lenin, Stálin, Fidel, Chávez...

A reescritura do passado se verificou em enorme intensidade na Revolução Francesa e no advento da Idade Moderna. A história da Idade Média Cristã foi toda reescrita, cheia de mentiras e preconceitos, pelos iluministas e, posteriormente, pelos marxistas, para predispor os homens modernos contra o Cristianismo. Reescreveram, pois, o passado para controlar os homens.

É por isso que o Ingsoc controla o passado e o altera a seu bel-prazer: destruir o passado é destruir a identidade dos homens e das sociedades; e então o homem, sem tradição e valores, se torna um instrumento nas mãos de ideólogos e totalitários.

A moderna guerra contra as tradições e os valores morais precisa ser vencida pelo resgate destas mesmas tradições, pois são elas que nos dão significado e força. Só assim não seremos como o povo de Oceania: sem força, sem identidade, sem humanidade.
Fica claro, pois, o sentido da Comissão "da Verdade": esta Comissão pretende uma "verdade pela metade", que por isso mesmo deixa de ser verdade, investigando os militares e "santificando" os terroristas comunistas, que à época também cometeram crimes contra a dignidade humana. Mas "santificar" os terroristas de esquerda é essencial para o controle do passado: é o mesmo controle que exercia o Ingsoc na novela orwelliana, "canonizando" seus crimes por meio da institucionalização da mentira. Há até uma coincidência impressionante, que mostra como a obra de Orwell é profética: o PT quer criar uma Comissão "da Verdade"; o Ingsoc em "1984" tinha um "Ministério da Verdade", responsável por propagar a mentira que fosse conveniente ao Partido. Exatamente a mesma função da Comissão "da Verdade" petista: propagar a mentira conveniente ao Partido.  O Ministério da Verdade de "1984" e a Comissão "da Verdade" do PT são basicamente a mesma coisa. "Quem controla o passado, controla o futuro".
Fica claro também o sentido de repugnância petista aos crucifixos em prédios públicos: é a negação de nossa cultura e das raízes cristãs de nossa nação; é preciso negar esta cultura, negar estas raízes que cimentam o Brasil, que lhe conferem um alicerce, para gerar o caos e instaurar um regime totalitário. É o programa do Marxismo Cultural (leiam "O Governo Lula e o Marxismo Cultural", também neste Blog). Expurgar os crucifixos é um passo a mais para o totalitarismo, na linha do controle do passado denunciado por Orwell como um de seus pilares. É negar nossas tradições para desestabilizar o Brasil: quem sobrevive sem sua identidade? "Quem controla o passado, controla o futuro"
Somente controlando nós mesmos o nosso passado, o que só se pode atingir pela reafirmação corajosa de nossos valores, de nossas tradições e de nossas raízes cristãs, o Brasil poderá fazer frente a esta ofensiva revolucionária e totalitária.
Primeiro eles tiram os curcifixos dos prédios públicos. Então tiram-lhes dos pescoços dos cristãos.
E depois eles arrancam o próprio pescoço dos cristãos.
É um caminho simples, cujos passos já começam a ser dados, como já foram dados em outros lugares.

Na pornografia pode, no tribunal não...

Dr. Rafael Vitola Brodbeck
Delegado de Polícia em Itaqui

Vários órgãos públicos brasileiros se defrontam, hodiernamente, com o tema dos crucifixos em suas paredes. Impregnados de um pernicioso princípio laicista, que quer não a tolerância aos vários cultos, mas, na prática, a instauração da não-religião e a oficialização do ateísmo, alguns deles inclusive já proibiram que ele, o Cristo Crucificado, morto pelos pecados dos homens, esteja em seus prédios. Invocam, muito forçosamente interpretada, a separação entre Igreja e Estado no Brasil.

Interessante é o caso, todavia, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. No início do ano passado, o Desembargador Luiz Sveiter tomou posse como presidente do referido colegiado e, como uma de suas primeiras ações, mandou retirar os crucifixos da corte. Aquele que é o Supremo Juiz, Criador do Céu e da Terra, não seria mais o grande inspirador das decisões dos homens. Ora, impedir que os crucifixos estejam no tribunal – e em qualquer órgão público do país – é ignorar a história e a cultura de nossa pátria. É desrespeitar a religião da esmagadora maioria do povo brasileiro, e jogar no lixo a riqueza da simbologia em troca da excessiva e fria austeridade de matriz notadamente puritana – vejam “A Festa de Babette” e façam a analogia...

Um ano depois – na verdade, faltaram dois dias para fechar um ano completinho –, o mesmo tribunal, pelo Órgão Especial, tomou decisão diametralmente oposta quando se tratava de usar os mesmos símbolos religiosos pelas escolas de samba do Rio de Janeiro. Na verdade, a Câmara de Vereadores da Cidade Maravilhosa, mediante a Lei Municipal 4.483/07, proibiu o uso de alguns símbolos religiosos, entre os quais o crucifixo, pelas agremiações carnavalescas, sob pena de perder a subvenção paga pela Prefeitura. O sentido da norma em tela é impedir a profanação das imagens, o uso irreverente, misturando Cristo e Nossa Senhora com mulatas seminuas e letras de moral duvidosa. O que fez o tribunal? Considerou a lei inconstitucional, o que significa dizer que as escolas de samba podem, à vontade, colocar seios, nádegas e “perseguidas” lado a lado com Jesus Cristo, a Virgem Maria e São Longuinho.

E por que isso? Porque na cabeça desse povo, os santos, as imagens, o crucifixo, são meramente a representação de nossa cultura, a expressão de nossa identidade pátria e, portanto, podem ser usados. É por tal argumento que a atriz Carol Castro fotografou nua, na Playboy, usando um terço e não achou nada de errado... É por isso que uma “rainha de bateria” disse no Caldeirão do Huck que levava uma estampa de São Jorge quando pisava na passarela e o guardava na minúscula calcinha, junto às partes baixas – e ainda foi clara quando afirmou que coloca “o santinho na ‘santinha’”, batizando com um apelido inverossímil sua cavidade reprodutiva.

As símbolos das outras religiões são só dessas religiões, mas os símbolos católicos são de todo mundo, já que todos são batizados, se dizem católicos, e nossa cultura é, ainda que alguém esperneie, profundamente irrigada pelo catolicismo.

Quer dizer, o crucifixo nas paredes do TJ do Rio não pode, mas na Sapucaí pode. O crucifixo a inspirar os julgadores cariocas não pode, mas a “acompanhar” a celebração da luxúria e da pornografia pode.

Tristes tempos os nossos. Não se quer mais dar a Jesus Cristo o seu lugar de direito. Ele, Rei universal, foi destronado por nós, que deveríamos ser seus súditos. Talvez estejamos agindo como aqueles romanos que, na sua Paixão, lhe deram uma coroa não de ouro ou cravejada de jóias, mas de espinhos que lhe fizeram sangrar a fronte. E já que ele não tem mais lugar entre os magistrados do TJ, lhe arrumaram um jeito de habitar a rua da devassidão.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Desmascarando um desonesto - Um camarada comunista e o Opus Dei

Eu fico impressionado com a vigarice intelectual de algumas pessoas. Não custa nada ser honesto em termos de idéias, ser coerente... ao menos por respeito à inteligência do leitor - ou à sua própria. 
Eric Voegelin, eminente filósofo alemão que dispensa apresentações, denunciou diversos aspectos da vigarice intelectual de Karl Marx; chegou até mesmo a afirmar que "[n]a raiz da ideia marxiana está uma doença espiritual". Um trabalho crítico de Voegelin à "anti-filosofia de Marx" - o termo não é meu, é dele - pode ser encontrado aqui.
O interessante é que Marx conseguiu passar a mesma vigarice intelectual aos seus adpetos. É impressionante como os marxistas herdaram dele, como um filho herda do pai, a desonestidade e o desrespeito à inteligência dos outros, como se todos fossem burros. Afinal, a Psicopolítica comunista trabalha em cima do emburrecimento das pessoas, da imbecilização do homem (aconselho a leitura deste outro artigo meu).
Esta semana chegou à minha caixa de e-mail um artigo escrito por Altamiro Borges, "jornalista e escritor", sobre o Opus Dei. O artigo se intitula "Opus Dei - Os tentáculos da seita no Brasil"; encontrei uma versão online dele no Blog do "Miro", apelido deste jornalista (aqui). Quando pesquiso sobre o homem, descubro que é um marxista de carteirinha, que escreve no Vermelho.org, defende o totalitarismo de Chavez e de Fidel (porque para esse pessoal ditadura só há na direita; Chavez e Fidel são "lutadores pela liberdade", nada totalitários...), além de ser um vivo entusiasta da malfadada Confecom, aquele mecanismo bonitinho e meigo que o PT criou para gestar o controle os meios de comunicação (o engraçado é que o "Miro" tem um livro intitulado "A Ditadura da Mídia", que deve falar sobre as manipulações midiáticas, mas defende e propõe a ditadura [comunista, obviamente] sobre a mídia... dá para entender um disparate desses?).
A vigarice intelectual do cidadão no seu texto sobre o Opus Dei é de um nível que assombra. O jornalista simplesmente não sabe patavina nenhuma sobre o Opus, Direito Canônico ou Doutrina da Igreja (mas deve saber muita coisa do manual de lavagem cerebral psicopolítica dos comunistas), e vem encher uma página de Blog com os maiores disparates retirados dos livrecos de Dan Brown e outros inimigos midiáticos da Obra, texto que é logo copiado pelos jornaleiros comunas e distribuído em sites e listas de e-mails como se fosse a condenação mais expressiva e irrefutável à "seita".
Eu não costumo comentar ou rebater artigos risíveis como este, mas deste eu vou falar só para desmascarar a desonestidade intelectual deste cidadão, que me estarreceu. Não surpreende que seja filho de Karl Marx!

De início, esclareço logo que não refutarei as fartas acusações preconceituosas que "Miro" apresenta contra diversas pessoas e contra o Opus sobre sinistras ligações financeiras com máfias ou bancos; explico: "Miro" não apresente prova alguma do que diz e para acusações tão graves seria bom que as apresentasse; ele apenas repete um série de disparates que todos os inimigos da Obra gostam de repetir, mas sem apresentar nenhuma evidência que os corrobore; é muito fácil ladrar e não provar; se não há provas, não há que se preocupar com estas afirmações, nem acreditá-las.

Comentarei apenas algumas partes estarrecedoras em suas desonestidade. Os trechos do texto de "Miro" seguem em vermelho (como não poderia deixar de ser...). Os meus comentários seguem em azul.
Altamiro Borges consegue o feito impressionante de cometer 10 erros básicos sobre São Josemaría Escrivá, o Fundador da Opus, sobre a própria Obra e sobre a Doutrina da Igreja, isto só no primeiro parágrafo, nas 17 linhas iniciais. Óbvio que não podemos exigir que os comunistas ateus conheçam Doutrina da Igreja, mas se alguém vai se dispor a escrever sobre, que pesquise ao menos o básico e não cometa gafes como as que "Miro" comete.

Diz, em suas linhas introdutórias, o texto do jornalista entusiasta de amordaçar o jornalismo:
O Opus Dei (do latim, Obra de Deus) foi fundado em outubro de 1928, na Espanha, pelo padre Josemaría Escrivá. O jovem sacerdote de 26 anos diz ter recebido a “iluminação divina” durante a sua clausura num mosteiro de Madri. Preocupado com o avanço das esquerdas no país, este excêntrico religioso, visto pelos amigos de batina como um “fanático e doente mental”, decidiu montar uma organização ultra-secreta para interferir nos rumos da Espanha. Segundo as suas palavras, ela seria “uma injeção intravenosa na corrente sanguínea da sociedade”, infiltrando-se em todos os poros de poder. Deveria reunir bispos e padres, mas, principalmente, membros laicos, que não usassem hábitos monásticos ou qualquer tipo de identificação. Reconhecida oficialmente pelo Vaticano em 1947, esta seita logo se tornou um contraponto ao avanço das idéias progressistas na Igreja. Em 1962, o papa João 23 convocou o Concílio Vaticano II, que marca uma viragem na postura da Igreja, aproximando-a dos anseios populares. No seu fanatismo, Escrivá não acatou a mudança. Criticou o fim da missa rezada em latim, com os padres de costas para os fiéis, e a abolição do Index Librorum Prohibitorum, dogma obscurantista do século 16 que listava livros “perigosos” e proibia sua leitura pelos fiéis. “Este concílio, minhas filhas, é o concílio do diabo”, garantiu Escrivá para alguns seguidores, segundo relato do jornalista Emílio Corbiere no livro “Opus Dei: El totalitarismo católico”.
1º) No momento em que concebeu o projeto do Opus Dei, São Josemaría não estava em "sua clausura num mosteiro de Madri"; estava apenas alguns dias em retiro, junto a outros padres da Diocese, na casa dos Padres de São Vicente de Paulo, que não são monges nem vivem em clausura; aliás, nenhuma congregação de espiritualidade vicentina é de clausura; mas "Miro" não foi nem pesquisar onde São Josemaría estava e já foi largando que estava "em sua clausura": aquele fanático medieval estava distante do mundo numa clausura! Vejam só que excentricidade! Mas São Josemaría nunca foi monge - apesar de Dan Brown [ridiculamente] dizer que o Opus Dei tem monges! -, nunca viveu enclausurado e nem seria um demérito se o fizesse: da oração de monges enclausurados depende a conversão de muitas almas;

2º) São Josemaría Escrivá não fundou o Opus Dei porque estava "preocupado com o avanço das esquerdas no país"! Isso é restringir demais a concepção do Fundador. São Josemaría estava era preocupado com uma visão preconceituosa - que começou a crescer com o Iluminismo - de que só os padres e as freiras é que têm de se preocupar com a santidade e com a religião, enquanto os fiéis leigos comuns podem "pintar e bordar" (com o secularismo atual, vemos isso cada vez mais; quando um leigo preocupa-se com sua vida espiritual e religiosa, dizem logo: "vai ser padre"; "vai ser freira"); o objetivo da Obra - que possui um carisma laiscal - é responder ao secularismo que faz pensar que só padre deve santificar-se: não, os leigos também devem lutar por sua santidade. E nisto Josemaría Escrivá está nas esteira de grandes homens como o Pe. Guilherme de Chaminade, Fundador dos Marianistas, e Frederico Ozanam, leigo que fundou as Conferências de São Vicente de Paulo.

Mas o fato de "Miro" dizer que Josemaría Escrivá fundou o Opus Dei "preocupado com as esquerdas" não é surpreendente: a mente de um comunista trabalha assim, na base da dialética marxista; tudo para um comunista é "luta de classes". Para um comunista, o mundo se resume a duas classes: os oprimidos e os opressores, em freqüente luta. Óbvio que "Miro" e os seus amigos estão entre os oprimidos, e o Opus Dei, Josemaría Escrivá, ou quem quer que se oponha ao totalitarismo marxista está entre os malditos opressores capitalistas. O mundo se resume a isso para eles.

"Miro" incrimina São Josemaría por ele estar "preocupado com o avanço das esquerdas". Mas preocupar-se com o avanço do comunismo é dever de todo católico. O Papa Pio XI ensinou na Encíclica Quadragesimo Anno que "socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista". Qual a surpresa e o espanto, pois, que Josemaría Escrivá, um padre católico, faça o que todo católico tem de fazer?

Outrossim, diante do que os comunistas fizeram aos cristãos na Espanha, não era preciso nem ser um Josemaría Escrivá para preocupar-se: qualquer pessoa de bem se preocuparia com a ascensão deles! Mas dos crimes horríveis que eles perpetraram por lá falo adiante, quando refutar outro ponto do texto de "Miro"...

3º) Que "amigo de batina" definia São Josemaría como "fanático e doente mental"? Cite suas fontes, camarada!

4º) Acho que os membros do Opus Dei riem diante da acusação de serem "uma organização ultra-secreta"... Minha nossa, qualquer um pode receber direção espiritual com os padres do Opus Dei, confessar-se em seus centros, interessados podem freqüentar suas reuniões de formação... Que "ultra-secreta" esta organização! O que os membros do Opus não fazem é sair por aí esbanjando serem da Obra, porque o carisma que assumem não é motivo para envaidecimento próprio ou para chamarem atenção... O interessante é que se eles fizessem propaganda pessoal, eu aposto que gente como "Miro" os ia acusar não mais de obscurantismo, mas de proselitismo! Afinal, qualquer pedaço de pau vale para bater no Opus Dei, na Igreja...

5º) "Miro" não entendeu o que é a "injeção intravenosa na corrente circulatória da sociedade": é santificar o mundo a partir de dentro, camarada! Ensinava Josemaría Escrivá que, para melhorar o mesmos: "Se tu e eu nos decidirmos a portar-nos bem, para começar já haverá dois pilantras a menos no mundo" (Caminho, n.534). Isso é a injeção intravenosa na sociedade: os cristãos comuns, dentro do mundo, dentro da sociedade, em seus trabalhos, no seu cotidiano, portando-se bem, não sendo pilantra. Josemaría Escrivá ensina que não devemos ser santos apenas numa clausura - preconceito que "Miro" parece ter - mas onde quer que estejamos, no meio do mundo, na sociedade, não sendo um pilantra. Eis a "injeção intravenoso na sociedade"! Não é só uma busca gananciosa por poder: isso quem faz é comunista. Os cristãos entregam tudo o que têm - até o poder e a liderança que possam conseguir - a Cristo, à Igreja. Se "Miro" se escandaliza que São Josemaría convoque a uma "injeção intravenosa na sociedade", que dirá de Jesus, que nos convocava a ser "sal da terra", "luz do mundo", "fermento" que, como o fermento do pão, faça crescer a massa a partir de dentro (Mateus 5,13-16 e 13,33), tal qual a "injeção intravenosa"?

6º) 1947 é o ano de uma aprovação preliminar; somente em 1950 é que a Obra recebe a aprovação pontíficia definitiva;

7º) O Concílio Vaticano II não marcou "uma viragem na postura da Igreja"; isso é mito, lenda negra espalhada por modernistas e comunistas; o Papa João Paulo II e o atual Pontífice, Bento XVI, não se cansam de explicar que o Vaticano II caminha numa linha de continuidade com a Doutrina de sempre da Igreja, sem alterações, sem viragens. "Miro" não entende nada de Vaticano II e vem falar bobagem!

8º) Como que "Escrivá não acatou a mudança [do Vaticano II]"  e dizia que era "um concílio do demônio" se São Josemaría é reconhecido justamente como um dos precursores do Vaticano II? A preocupação dele de mostrar que todos os cristãos - seja padre ou não - tem a responsabilidade de santificar-se foi também preocupação do Concílio, que definiu a "vocação universal à santidade"; Josemaría Escrivá não só foi um precursor do Concílio, como um dos seus mais verdadeiros aplicadores; e o Opus Dei continua sendo, tanto que um dos Teólogos responsáveis por defender o Concílio Vaticano II perante as questões da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, nos diálogos atualmente em curso entre esta Fraternidade e a Santa Sé, é justamente Fernando Ocáriz, do Opus Dei. Como é que Josemaría Escrivá e o Opus repugnam o Concílio? "Miro" não conhece nem mesmo a biografia do homem que ele quer impugnar! Como eu vou acreditar num camarada destes?

9º) É verdade que São Josemaría Escrivá preferia a Missa Tradicional e até conseguiu indulto para continuar celebrando-a em privado; mas "Miro" não sabe que a Missa Nova, pós-Vaticano II, continua sendo "em latim, com os padres de costas para os fiéis". É, "Miro", o Concílio da "viragem da Igreja", o Concílio dos "anseios populares", disse que a Missa devia continuar em latim e nada mudou quanto à posição dos sacerdotes! O que há é uma permissão para celebrarem voltados para os fiéis e em língua franca, mas isso é a exceção, não a regra.  Leia os textos do Concílio antes de falar, companheiro!

10º) Dizer que o Index era um dogma é uma gafe risível. "Miro" não sabe o que é dogma. Eu explico, "Miro": dogma é uma doutrina fundamental do Cristianismo, que nunca pode mudar, sob o risco de perdermos a Fé; por exemplo, é dogma que Cristo é Deus, e nunca poderíamos mudar ou negar isso, sob pena de não sermos mais cristãos (quem não professa que Cristo é Deus não é cristão). Ora, o Index, como "Miro" mesmo diz, foi revogado pela Igreja. Logo, o Index não é dogma, "Miro"! Dogmas não podem ser revogados, e o Index foi! O Index não é dogma, "Miro", o Index foi uma medida  de cunho simplesmente disciplinar e pastoral, que por isso mesmo pode ser revogada quando a Igreja quiser ou achar que deve. Primeiro conheça o significado das palavras para não sair falando bobagem, camarada "Miro"!

Vejam só: todos estes erros dos mais simplórios, dos mais básicos, em apenas 17 linhas! Como se consegue uma proeza dessas? Eu explico como: é só você não saber absolutamente nada sobre aquilo que vocês vai escrever e encher a cabeça de um monte de estereótipos que nada tenham a ver com a realidade, e aí você consegue facilmente esta proeza que o nosso "Miro" conseguiu com tanta maestria. Comunista consegue isso facilmente, porque a cabeça deles é esvaziada de pensamento próprio e entulhada com qualquer coisa que o Partido mande eles acreditarem. Mas pelo menos o "Miro" acertou uma data, a de fundação: foi mesmo em outubro de 1928. Parabéns, camarada! Ao menos isso...

Mas as bobagens que diz o "Miro" não param por aí. Vou comentar apenas mais algumas, porque o texto já vai longo demais.
Além do rigoroso fundamentalismo religioso, o Opus Dei sempre se alinhou aos setores mais direitistas e fascistas. Durante a Guerra Civil Espanhola, deflagrada em 1936, Escrivá deu ostensivo apoio ao general golpista Francisco Franco contra o governo republicano legitimamente eleito. Temendo represálias, ele se asilou na embaixada de Honduras, depois se internou num manicômio, “fingindo-se de louco”, antes de fugir para a França. Só retornou à Espanha após a vitória dos golpistas. Desde então, firmou sólidos laços com o ditador sanguinário Francisco Franco.
A desonestida do nosso camarada realmente é singular. Será que "Miro" tem idéia do que fizeram aos cristãos, durante a Guerra Civil Espanhola, os comunistas que ele chama de "governo republicano legitimamente eleito"? Sim, "Miro" tem idéia. Mas "Miro" não pode admitir que os comunas foram mais sanguinários que o próprio Franco. "Miro" chama Franco de sanguinário mais propositalmente omite que os comunistas praticaram as mais horríveis atrocidades contra os cristãos!
Por que "Miro" não conta que o "governo republicano legitimamente eleito" matou 6 mil padres, religiosos e freiras simplesmente por serem cristãos? E olha que aí nem conto os leigos! Em 2007 o Papa Bento XVI beatificou de uma vez só 498 mártires dos comunistas na Espanha.
Por que "Miro" não conta que o "governo republicano legitimamente eleito" fazia os padres comerem bosta e beberem mijo numa caricatura sacrílega da Missa antes de matá-los?
Por que não conta que os comunistas queimavam e saqueavam igrejas, queimavam e enterravam vivos os padres, decepavam-lhes as orelhas, vazavam-lhes os olhos, estupravam freiras em praça pública, castravam religiosos à vista de todos...?

Por que não contas, "Miro", que o teu "governo republicano legitimamente eleito" na Espanha matou 20% dos Bispos, 12 % dos monges e 13% dos padres em apenas 3 anos?

Para quem quiser ver um chocante dossiê de fotos das barbáries do "governo republicano legitimamente eleito" pode vê-lo aqui.  Os dados eu tirei de "Memorial do Comunismo: a Guerra Civil Espanhola" e do artigo "Os mártires da Guerra Civil Espanhola", do Prof. Felipe Aquino, textos nos quais é possível encontrar outros dados assombrosos. Aconselho que leiam também o texto de Gustavo Corção, eminente romancista brasileiro, "A Guerra Civil Espanhola", com emocionantes histórias sobre o heroísmo do povo católico no enfrentamento dos perseguidores. Por fim, indico-lhe ainda um vídeo, repleto de fotos estarrecedoras do que o comunismo fez na Espanha; vejam aqui. Outro vídeo, um apanhado histórico da Guerra Civil Espanhola em fotos, poderá ser visto aqui. Quem não tiver nervos fortes é melhor só ler os textos. Dou-lhes esta infinidade de fontes - coisa que "Miro" não faz - porque respeito suas inteligências e para que não duvidem do mal que os comunistas causaram na Espanha. Eles estavam promovendo por lá um verdadeiro genocídio contra os católicos, do qual até hoje o povo espanhol está marcado.

"Miro" não conta isso sobre o "governo popular legitimamente eleito" da Espanha.

Numa situação como essa, perseguidos por todos os lados, os cristãos não tinham razão em apoiarem os exércitos de Franco, os únicos que lhes defenderam naquele momento? Não só tinham razão, como até lutaram contra os comunistas. Os exércitos não eram de Franco, mas de todos os que se opunham a esta barbárie desumana. Josemaría Escrivá só pôde voltar à Espanha quando da vitória de Franco porque só então houve liberdade religiosa para os cristãos: com os comunistas, só havia morte e perseguição.

Obviamente que isso não implica concordar com qualquer excesso que Franco possa ter cometido depois, mas naquele momento unir-se aos exércitos nacionalistas e lutar contra os comunistas era a única opção para salvar-se do "Holocausto católico" que eles estavam levando à cabo. Ou "Miro" queria que os cristãos, num ato suicidade, se unissem aos comunistas que estavam promovendo o genocídio contra eles? Por favor!

Mas "Miro" não conta nada disso...

Numa desonestidade intelectual tremenda, ele omite propositadamente. Medo de que vejam o que seus camaradas fizeram por lá...
Há também fortes indícios de que Josemaría Escrivá nutria simpatias por Adolf Hitler e pelo nazismo. De forma simulada, advogava as idéias racistas e defendia a violência. Na máxima 367 do livro Caminho, ele afirma que seus fiéis “são belos e inteligentes” e devem olhar aos demais como “inferiores e animais”. Na máxima 643, ensina que a meta “é ocupar cargos e ser um movimento de domínio mundial”. Na máxima 311, ele escancara: “A guerra tem uma finalidade sobrenatural... Mas temos, ao final, de amá-la, como o religioso deve amar suas disciplinas”.
Que indícios, "Miro"?

"Miro" desbarata em acusações sem sentido, cita frases desconexas de "ex-numerários do Opus Dei" para provar suas teses sinistras, como se fossem a evidência cabal de todas as bobagens que balbucia.

Desonestidade intelectual tem limites, não é? Mas para "Miro" ela é ilimitada.

Neste trecho ele distroce de uma maneira espantosa e vigarista as máximas de Caminho para fundamentar suas loucuras. "Miro" não leu Caminho. Óbvio: se o tivesse lido não seria tão desonesto.

"Miro" diz que no ponto 367 de Caminho Josemaría Escrivá estimula o racismo contra os outros. a distorção que ele fez da máxima é assombrosa: retirou de lá quatro palavras e, pah!, apresentou-as como prova de que Josemaría Escrivá era racista.

Mas no ponto 367 é dito coisa completamente diversa, que nada tem a ver com ódio racista aos outros: Josemaría Escrivá ensina que, não importa os meios que tenhamos, se os usarmos mal, estaremos lhes disperdiçando - como qualquer manjar, se o comer um porco, vira carne de porco; mas se os usarmos bem, de maneira nobre, se convertem em feitos nobres - como o homem que, se comer o mesmo manjar, o converterá em músculos nobres. Da leitura completa do ponto - leitura que "Miro fez, mas preferiu omitir - isso resulta claro:
"O manjar mais delicado e seleto, se o comer um porco (que assim se chama, sem perdão da palavra), converte-se, quando muito, em carne de porco! Sejamos anjos, para dignificar as idéias ao assimilá-las. - Pelo menos, sejamos homens, para converter os alimentos, no mínimo, em músculos nobres e belos, ou talvez em cérebro potente..., capaz de entender e adorar a Deus. - Mas... não sejamos animais, como tantos e tantos!"
Na máxima 643 "Miro" chegou ao cúmulo de inventar palavras. Que baita desonestidade! Vejam o que"Miro" diz de novo: "Na máxima 643, ensina que a meta 'é ocupar cargos e ser um movimento de domínio mundial'. Agora leiam o que realmente está dito na máxima 643:
"Não exibas facilmente a intimidade do teu apostolado. Não vês que o mundo está cheio de incompreensões egoístas?"
O camarada chegou ao cúmulo de inventar uma frase e atribuí-la ao ponto 643 de Caminho só para justificar seus disparates! Assim é muito fácil, companheiro!

Agora me digam: como é que vamos acreditar num camarada destes?

Já no ponto 311, onde se fala da guerra, o sentido é totalmente diverso do que "Miro" apresenta: o ponto 311 está num capítulo sobre a vida interior do cristão e a guerra de que fala São Josemaría Escrivá é a guerra interior contra o pecado, a luta pela santidade. Este capítulo pode ser lido aqui, onde poderão comprovar o que digo. No ponto 307, por exemplo, no mesmo capítulo, é esclarecido o sentido desta guerra, que Josemaría Escrivá define como "as lutas diárias da tua vida interior":
"Esse modo sobrenatural de proceder é uma verdadeira tática militar. - Sustentas a guerra - as lutas diárias da tua vida interior - em posições que colocas longe dos redutos da tua fortaleza. E o inimigo acode aí: à tua pequena mortificação, à tua oração habitual, ao teu trabalho metódico, ao teu plano de vida; e é difícil que chegue a aproximar-se dos torreões, fracos para o assalto, do teu castelo. E, se chega, chega sem eficácia."
Digam-me se tem condição de acreditar num camarada destes? O companheiro "Miro" simplesmente distorce tudo, chega até a inventar, só para justificar seus disparates! Além de ser um expediente desonesto, é vergonhoso que uma pessoa tenha de recorrer a tais mentiras deslavadas para justificar seu ódio e preconceito religioso.
"Como descreve a jornalista Maria Amaral, num artigo à revista Caros Amigos, 'ao se mudar para Roma, ele estimulou ainda mais as acusações de ser simpático aos regimes autoritários, já que as suas primeiras vitórias no sentido de estabelecer o Opus Dei com estrutura eclesiástica capaz de abrigar leigos e ordenar sacerdotes se deram durante o pontificado do papa Pio XII, por meio do cardeal Eugenio Pacelli, responsável por controverso acordo da Igreja com Hitler'.
Ora, as vitórias do Opus Dei sob o Pontificado de Pio XII devem ser vistas, então, como uma prova de que Josemaría Escrivá e a Obra eram - e são! - ardorosos anti-fascistas e anti-nazistas! Hoje já está fartamente provado por A mais B que Pio XII foi o maior opositor do Nazismo na Europa. Quando era Cardeal, Eugenio Pacelli foi co-redator da Encíclica Mit Brennender Sorge, do Papa Pio XI, que continua sendo a mais eloqüente condenação do Nazismo entre todas, numa época em que as potências européias se calavam sobre Hitler. A eleição de Eugenio Pacelli para Papa foi vista com preocupação pelo Reich; tanto oa Alemanha quanto a Itália falaram abertamente contra a eleição de Pacelli. Um jornal de Berlim, o Berliner Morgenpost, no dia seguinte à conclusão do Conclave, afirmava: "A eleição do Cardeal Pacelli não é benéfica para a Alemanha, pois ele sempre se opôs ao nazismo e praticamente determinava a política do Vaticano sob o seu predecessor". Além disso, enquanto os EUA, Inglaterra e França silenciavam sobre o expansionismo nazista e o endurecimento do Reich, Pio XII foi o único a romper a cortina do silêncio, o único a denunciar os crimes nazistas. A propósito, um Editorial do The New York Times em 1941 dizia que "a voz de Pio XII é uma voz solitária no silêncio e na escuridão envolvendo a Europa neste Natal"; este Editorial foi escrito após Pio XII, na mensagem de Natal, condenar "o espectro satânico levantado pelo Nacional Socialismo". Foi o único Chefe de Estadou que condenou o Nazismo tão veementemente, naquela época. O Editorial do The New York Times pode ser lido aqui; a mensagem de Natal de Pio XII condenando o Nazismo pode ser lida aqui. Indico também um eloqüente arquivo de fotos colhida pela Editora Permanência em seu dossiê sobre Pio XII, que comprovam como o Papa, desde sua época de Cardeal, salvava judeus e condenava os crimes do nazismo; estas fotoso podem ser vistas aqui.

Dias atrás, no dia 24 de Janeiro, o jornal El País, da Espanha, publicou um artigo intitulado En defensa de Benedicto XVI, onde o articulista critica os que injustiçam Pio XII: 
E agora, o surpreendente é que todo o peso, ou quase isso, do silêncio ensurdecedor que foi feito no mundo sobre o Holocausto caia sobre um dos soberanos da época que: a) não tinha armas nem aviões disponíveis; b) de acordo com a maioria dos historiadores, não poupou esforços para partilhar com aqueles que tinham  [armas e aviões] a informação de que dispunha, c) salvou, sim, ele, tanto em Roma quanto em outros lugares, um grande número daqueles pelos quais se sentia moralmente responsável.
Segundo o jornalista judeu italiano, ex-diretor do Jornal Corriere de la Serra, Paolo Mieri, Pio XI salvou mais de 1 milhão de judeus:
“O linchamento contra Pio XII? Um absurdo. Venho de uma família de origem judia e tenho parentes que morreram nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Esse Papa [Pio XII] e a Igreja que tanto dependia dele, fizeram muitíssimo pelos judeus. Seis milhões de judeus assassinados pelos nazistas e quase um milhão de judeus salvos graças à estrutura da Igreja e deste Pontífice. Se recrimina a Pio XII por não ter dado um grito diante das deportações do gueto de Roma, mas outros historiadores têm observado que nunca viram os antifacistas correndo à estação para tratar de deter o trem dos deportados. Um dos motivos por que este importante Papa foi crucificado se deve ao fato de que tomou parte contra o universo comunista de maneira dura, forte e decidida.”
Graças a Pio XII, 11 mil judeus foram salvos em Portugal. Quando Pio XII morreu, em 1958, Golda Meir, Primeira-Ministra de Israel, diz:
"Choramos a um grande servidor da paz que levantou sua voz pelas vítimas quando o terrível martírio se abateu sobre nosso povo".  
E Albert Einstein, já em 1940, dissera:  
"Somente a Igreja permaneceu firme, em pé, para fechar o caminho às campanhas de Hitler que pretendiam suprimir a verdade. Antes eu nunca havia experimentado um interesse particular pela Igreja, mas agora sinto por ela um grande afeto e admiração, porque a Igreja foi a única que teve a valentia e a constância para defender a verdade intelectual e a liberdade moral".
Indico a coletânia "13 Declarações de líderes judeus em defesa do Papa Pio XII", donde foram retiradas as citações acima. Indico também o "Agradecimento do rabino Zaoui ao Papa Pio XII". Leiam ainda o artigo de James Akin "Pio XII e a Segunda Guerra Mundial", disponível no site da Quadrante, Editora do Opus Dei - se "Miro" pode citar a megalomaníaca Caros Amigos, eu posso indicar a Quadrante. Dou-lhes esta vastidão de fontes - coisa que "Miro" não faz - para que não duvidem da veracidade destas informações - e da desonestidade do camarada "Miro".
Portanto, citar o crescimento do Opus Dei no Pontificado de Pio XII e a confiança que São Josemaría Escrivá gozava junto a este grande Papa não é prova de que o Santo e a Obra sejam nazistas, mas justamente o contrário: é prova de que sejam ardorosos anti-nazistas e anti-fascistas. "Miro" quis morder os outros e acabou mordendo a si mesmo!

Mas as palavras de Paolo Mieri, acima, nos dão o motivo pelo qual Pio XII é difamado: do mesmo jeito que condenou o nazismo, Pio XII condenou o comunismo, que matou ainda mais (120 milhões de pessoas) e ainda hoje há um silêncio covarde a respeito. "Um dos motivos por que este importante Papa foi crucificado se deve ao fato de que tomou parte contra o universo comunista de maneira dura, forte e decidida", diz Mieri. Então obviamente o camarada "Miro" não vai deixar de difamar Pio XII também...

O engraçado é que todo comunista quer impugnar o nazismo e o fascismo, mas nenhum quer reconhecer que o nazismo é filho do socialismo: o comunismo soviético é o Internacional Socialismo e o nazismo é o Nacional Socialismo. O comunismo é o coletivismo de de classes; o nazismo é o coletivismo de raça. O comunismo extermina por classes sociais, apregoando a luta de classes; o nazismo extermina por raça, transformando a luta de classes numa luta de raças. Os comunistas já tinham campos de extermínio 20 anos antes os nazistas terem os seus e continuaram com campos de concentração 40 anos depois dos nazistas, em pelna década de 80. O documentário The Soviet Story provou que os comunistas foram os primeiros genocidas - Marx foi o primeiro a advogar publicamente o genocídio -, que para eles é essencial matar - já vimos o caso da Guerra Civil Espanhola - e que foram eles que ensinaram os nazistas - seus filhotes - sobre como exterminar em massa. Vejam um trecho de The Soviet Story aqui.

E aí, companheiro "Miro", como ficamos? Dá para dormir com um barulho destes?
O Opus Dei teria cerca de 80 milhões de fiéis, muitos deles em cargos-chaves em governos, na mídia e em multinacionais.
Pois é, pelo menos o camarada "Miro" sabe escrever, porque para contar ele é ruim: o Opus Dei não tem 80 milhões de membros, "Miro", mas 85 mil! Bastava consultar o próprio site da Prelatura para conferir os dados, camarada! Nem isso o companheiro "Miro" fez, o mais básico! Como acreditar num cara destes?
Outrossim, qual o problema que existam fiéis do Opus "em cargos-chaves em governos, na mídia e em multinacionais"? Por que isso é ruim? Por que isso desacredita a Obra ou a Igreja Católica? Ou "Miro" vai dizer que o Comunismo também não tem ninguém nestes lugares?

São Josemaría Escrivá dizia que o estudo é uma "obrigação grave" e estimulava os cristão a estudarem com afinco, cientes, entretanto, que o estudo é um meio para expandir o Evangelho e não um fim em si, para envaidecimento próprio:
"O estudo, a formação profissional, seja qual for, é obrigação grave entre nós"Caminho, 334). (
"Se tens de servir a Deus com a tua inteligência, para ti estudar é uma obrigação grave"Idem, 336). (
"Cultura, cultura! - Está certo. Que ninguém nos vença em ambicioná-la e possuí-la. - Mas a cultura é meio, e não fim" (Ibid., 345).
Quanto ao trabalho, São Josemaría Escrivá ensinava que era um meio de santificação pessoal, que o trabalho bem feito é demonstração do amor que temos por Deus e que era uma forma de imitar a Cristo, que trabalhou como carpinteiro em Nazaré; por isso estimulava a trabalhar com empenho, com vigor, sem preguiça:
"Trabalha. - Quando tiveres a preocupação de um trabalho profissional, melhorará a vida da tua alma. E serás mais varonil, porque abandonarás esse 'espírito de mexerico' que te consome" (Caminho, 343).
"Não compreendo que te digas cristão e tenhas essa vida de preguiçoso inútil. - Será que esqueces a vida de trabalho de Cristo?" (Idem, 356).
"Estar ocioso é coisa que não se compreende num homem com alma de apóstolo" (Ibid., 358).
"Põe um motivo sobrenatural na tua atividade profissional de cada dia, e terás santificado o trabalho" (Ibid. 359).
"Só te preocupas de edificar a tua cultura. E é preciso edificar a tua alma. - Assim trabalharás como deves, por Cristo. Para que Ele reine no mundo, é necessário que haja gente que, com o olhar posto no Céu, se dedique prestigiosamente a todas as atividades humanas e, dentro delas, realize silenciosamente - e eficazmente - um apostolado de caráter profissional" (Ibid., 347).
Por que eu citei tão fartamente estas frases de São Josemaría?
Por três motivos:
1) Para mostrar como São Josemaría não era um "fanático e doente mental", mas um homem sábio, de visão, que estimulava coisas nobres como o estudo e o profissionalismo;
2) Para mostrar como "Miro" não entende nada sobre São Josemaría Escrivá, nunca o leu e vem encher um texto de bobagens sem sentido!
3) São Josemaría Escrivá ensina que devemos estudar e trabalhar com afinco e empenho; que fazem os fiéis do Opus Dei e qualquer devoto de São Josemaría? Estuda e trabalha com empenho. E aí crescem na vida profissional e acadêmica, chegando aos cargos-chave de que "Miro" fala aí em cima. Então vejamos: os caras estudam muito, trabalham pesado, crescem na vida... e "Miro" tem raiva deles por causa disso!!! "Miro" tem raiva deles porque eles cresceram à custa de seu estudo e trabalho!!! Dá pra entender?! É raiva... ou é inveja?
Sobre o dinheiro do Opus Dei, que "Miro" tanto recrimina em seu texto, eu digo: esse é o problema de comunista; eles não entendem que o dinheiro pode ser utilizado para fins nobres. 
O Opus tem dinheiro? Tem! Como toda Ordem ou Congregação na Igreja tem seus meios financeiros para se manter, ora! Ou é para se manter por osmose? (Às vezes eu penso, contudo: se o Opus tivesse o dinheiro que seus inimigos dizem que têm, seus centros não seriam mobiliados com móveis usados ou re-aproveitados...)
A diferença é que nós, católicos, sabemos que o dinheiro, os bens materiais, não são um fim em si mesmo; nós sabemos que eles são apenas meios para um objetivo maior: expandir o Evangelho, comunicar a Fé em Cristo. Nós, católicos - e o Opus Dei junto -, pomos um sentido nobre, sobrenatural, nos nossos bens (o Opus, por exemplo, mantém o projeto Harambee, para ajuda e desenvolvimento de populações da África sub-saariana; apenas um dos projetos com sentido maior que mantêm...). É aquela história do porco e do homem: nós queremos transformar o manjar que comemos em músculos nobres.
Mas comunista não acredita em Deus! Comunista é ateu e materialista, pensa que tudo se resume a este mundo, a esta terra! Foi assim que o Marx ensinou a eles! Então eles não acreditam que o dinheiro possa servir a fins nobres. Não acreditam que os bens materiais possam ter um uso louvável, um sentido transcendente e sobrenatural. É por isso, por achar que dinheiro só vale para esse mundo e não pode ter um sentido mais nobre e sobrenatural, que comunista quando pega em dinheiro:
1) usa para financiar aborto (vejam também isso);
5) usa para financiar as FARC (leiam também isso);

Vou parar por aqui, caríssimos leitores. Acho que já deu para entender que o camarada "Miro" não é flor que se cheire. A desonestidade intelectual do companheiro, que aqui quis denunciar e desmascarar, é de espantar até Karl Marx.
Depois de todo esse texto devem estar pululando na cabeça do leitor duas questões. Vou respondê-las.
1º) Por que "Miro" fez uma propaganda difamatória tão desonesta como esta, correndo o risco de ser desmascarado?
Porque é assim que essa gente trabalha, caríssimos. Para eles é essencial destruir a religião, usando de todos os meios possíveis e imagináveis para isto. A religião abre os olhos do homem para o "algo mais", além do mundo. E o materialismo dialético não pode deixar isso acontecer: é preciso prender o homem a este mundo, a esta terra; é o materialismo. Por isso eles são ateus e inimigos da religião. Os meios que usam? Já vimos alguns: perseguição, matança, campos de concentração, fuzilamentos, genocídios. Como no Brasil eles não podem matar abertamente ainda - mas se implantarem um regime totalitário aqui, eles poderão - então eles recorrem a estes meios: a difamação, a mentira deslavada, a calúnia vigarista. Está lá no Manual de Psicopolítica dos comunistas, as técnicas de lavagem cerebral coletiva que utilizam, reveladas por Kenneth Goff: 
"Capítulo XIV: Destruição dos grupos religiosos. [...] Esse terrível monstro, a Igreja Católica Romana, ainda exerce firme domínio no campo das enfermidades mentais no mundo inteiro e seus sacerdotes sempre estão de prontidão para captar o povo. [...] Devemos fazer desaparecer tudo isto. Devemos ridicularizá-las, difamá-las e desacreditar todas as suas curas, denunciando-as como superstições. [...] Assim como na Rússia tivemos que destruir a Igreja, depois de mutíssimos anos de árduo labor, assim também devemos destruir a fé em todas as nações que o comunismo se propõe a conquistar" (GOFF, Kenneth. Psicopolítico - Tecnica del Lavado  de Cerebro. Buenos Aires: Editorial Nuevo Orden, 1966; p. 112-113).
Alguma surpresa, pois, que os comunistas matem e - onde não podem matar - difamem os grupos religiosos? Na Espanha, durante a Guerra Civil Espanhola, os comunistas quiseram exterminar os cristãos, entres eles os do Opus Dei; agora, difamam-lhes.
2) Por que "Miro" usou de uma desonestidade e vigarice intelectual tão espantosa, desrespeitando a inteligência dos seus leitores?
Novamente, porque é assim que esta gente trabalha. Eric Voegelin, no trabalho que indiquei acima, provou que a anti-filosofia de Marx só pode subsistir à base do cerceamento do pensamento: para subsistir, o marxismo tem de proibir - literalmente - as questões metafísicas mais urgentes; uma destas questões que Voegelin cita como proibidas é: "Será possível negar Deus e manter a razão?"
George Orwell, no seu clássico "1984", romance no qual denunciou os perigos do totalitarismo socialista, ilustrou muito bem isso sob a figura das teletelas, que vigiavam os pensamentos dos homens, e da Polícia do Pensamento, responsável por puni-los quando eles cometessem crimidéia: crime de idéia, pensar contra o regime ou além do que o regime deixa pensar. Escrevi um artigo sobre isso, que pode ser lido aqui.
O comunismo existe e só pode subsistir na base do emburrecimento do povo. As massas devem ser burras, imbecilizadas, porque se elas pensarem, se elas se questionarem, se elas se perguntarem sobre Deus e o homem, a anti-filosofia de Marx não pode subsistir. É por isso que eles esvaziam a mente das pessoas de questionamento, emburrecem-nas, e enfiam dentro somente o que convém ao Partido: estereótipos, raciocínios prontos, uma linguagem própria - que Orwell chama de Novilíngua, a "nova língua. Somente assim, na base deste emburrecimento, desta imbecilização, é possível subsistir o marxismo.
Está também no Manual de Psicopolítica dos comunistas:
"Capítulo XIII: Recrutamento de idiotas úteis. O idiota útil é um indivíduo bem adestrado que atua com uma obediência total ao psicopolítico (ainda que sem sabê-lo)" (GOFF, K. Op. cit., p.109).
Prestem atenção à expressão: "indivíduo bem adestrado". É isso que o marxismo precisa fazer paar subsistir: imbecilizar o homem para domesticá-lo - literalmente, domesticá-lo, como a um animal. Eu escrevi sobre isso em outro artigo, que pode ser lido aqui.
Portanto, "Miro" não escreve um artigo tão desonesto e vigarista porque desrespeita a inteligência dos leitores: ele já parte do pressuposto de que seus leitores não têm inteligência, porque é assim que um marxista deve trabalhar, produzindo idiotas úteis, na base do emburrecimento. A desonestidade e vigarice intelectual de Marx, herdada por todo marxista que se preze como tal, é um expediente comum e largamente utilizado na esteira da domesticação e imbecilização do homem. Os documentos que citei - até o seu próprio manual de lavagem cerebral - provam isso cabalmente. E o único modo de se livrar disso? Pensar. Principalmente pensar sobre Deus, de forma racional e inteligente. É o maior medo deles, e por isso odeiam tanto a religião, especialmente a católica, que eles chamam de "terrível monstro".
Este artigo foi longo, eu sei; acho que foi o mais longo que já escrevi no En Garde!. Mas era necessário para desmascarar este camarada comunista desonesto, exaltar a memória de São Josemaría Escrivá - do qual sou devoto -, opor-se à difamação vergonhosa do Opus Dei e da Igreja Católica, além de, e principalmente, denunciar o modo de pensar e de trabalhar vigarista e desonesto do marxismo ateu e desumano, cujo  objetivo é emburrecer o homem para controlá-lo.