quarta-feira, 9 de junho de 2010

Falecimento do Prof. Orlando Fedeli

Acabo de receber um e-mail comunicando-me. Fui no site da Associação Cultural Montfort e a nota estava lá:
A Associação Cultural Montfort comunica o falecimento de seu presidente e fundador Orlando Fedeli e pede a seus alunos e a todos os que o conheceram orações por sua alma.
Montfort
São Paulo, 09.06.2010
Sem dúvida, uma notícia chocante e uma grande perda. O Prof. Fedeli estava, indiscutivelmente, entre os grandes apologetas do país, por seus trabalhos prestados contra o espiritismo, o protestantismo, o modernismo e as demais falsas filosofias e religiões.
Tinha profundas divergências com ele, no que se refere ao Concílio Vaticano II, ao Novus Ordo Missae e à TFP, divergências que motivavam debates acalorados entre mim e seus seguidores e uma vez até consigo próprio, embora não tenhamos permanecido por muito tempo em contato. Mas a leitura da Montfort me foi de extrema importância no início de meu "acordar" para a Fé Católica e por lá aprendi muito.
Presto aos membros da Associação Cultural Montfort meus sinceros sentimentos.
Rezo para que o Prof. Orlando Fedeli descanse em paz.
Requiem aeternam dona ei, Domine,
et lux perpetua luceat ei.
Requiescat in Pace,
Amen.
***
Somente acabo de escrever este post e chega em meu e-mail o  texto do Prof. Carlos Ramalhete,  outro grande apologeta conhecido de muitos, que transcrevo integralmente abaixo:
Pax Christi!

É com enorme tristeza que soube do falecimento do Prof. Orlando.


Tive o prazer de conhecê-o pessoalmente há muitos anos, e - coisa que não é muito sabida - é indiretamente a ele que devo meu apostolado, pois foi sua esposa que me convenceu a assinar o que escrevo, com o simples argumento de que eu deveria estar disponível para responder as réplicas vindas dos protestantes.


Ele já tentou brigar comigo, já falou mal de mim, e coisa e tal, mas esta é a regra, não a exceção; o zelo pela casa do Senhor o consumia, e era por amor a Deus que ele atacava o que percebia como errôneo. :)


Eu nunca briguei de volta, e, quando um não quer, dois não brigam. Tivemos diferenças sérias no acidental, em juízos de pessoas e em modos de ação, mas fundamentalmente, sempre o vi como um digno - e feroz! - cruzado de nossos dias, um homem digno de nosso mais profundo respeito e mesmo admiração.


Sempre procurei lembrar a esta meninada mais nova na apologética que ele estava lá, na linha de frente, tendo que tomar decisões dificílimas em momentos duríssimos da história recente da Igreja, e sempre procurou fazer a coisa certa, ainda que isto lhe custasse muito. Não digo que sempre tenha tomado as que eu tomaria (e quem sou eu para servir de parâmetro do certo e do errado?!), nem mesmo que estivesse certo em algumas das mais cruciais decisões que veio a tomar.


É, contudo, inegável que em todas eles ele sempre foi movido pelo mais profundo amor a Deus e à Sua Igreja.


Eu já comecei na apologética em tempos mais ameno, quando o Papa João Paulo II já começara a cortar as asinhas dos TL. Ele não. Ele estava brigando de frente quando tudo indicava que o mundo teria vencido a Igreja. Ele não esmoreceu, e sempre combateu. Diante de São Pedro, ele pode dizer, mais que eu, mais que toda esta nova geração, "combati o bom combate". Se eu e tantos outros que muito prezo saímos chamuscados pelas labaredas vomitadas sem trégua por sua metralhadora giratória, sempre rápida em investir contra qualquer um que ele percebesse como inimigo da Igreja ou da verdade, "c'est la guerre", e guerra sem tréguas foi o que ele sempre propôs e fez. A frase de São Jerônimo, que tenho enquadrada em meu escritório ("empreguei todo o meu zelo em fazer dos inimigos da Igreja meus inimigos pessoais") poderia ser o lema deste bravo guerreiro.


Que São Miguel o acolha, que São Luís lhe sorria, que Santiago Matamouros o pegue pela mão e o conduza ao merecido repouso de um grande guerreiro.


Peço que quando houver informações sobre o funeral, que sejam enviadas à lista. Se não puder ir, quero ao menos acompanhar em oração.


Se houver um espaço para depoimentos e homenagens póstumas na página da Montfort, ou em qualquer outro espaço, desed logo vai a minha autorização para a publicação deste pequeno texto.


Peço que cada um de nós reze agora uma Ave Maria pelo merecido descanso da alma do
Professor Orlando:
Ave Maria...
[]s,
seu irmão em Cristo,
Carlos

2 comentários:

  1. Também noticiei no meu blog.

    Mesmo por terras lusitanas, o pesar é grande!

    Dai-lhe, Senhor, o eterno descanso.
    Nos esplendores da Luz perpétua.

    Que descanse em paz!
    Ámen.

    Mater Misericordiae, ora pro eo.

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  2. O já saudoso Professor Orlando Fedeli era criticado porque era duro nas suas resposas, batia forte.
    Eu já penso que ela era apenas sincero.
    Já seus inimigos, como é o caso do Padre Joãozinho, bate e depois, se pressionado, assopra?
    Deveria seguir o exemplo de Orlando Fedeli! Bata e deixa que a pessoa reflita.
    O grande Doutor da Igreja, São Jerônimo, ensinava: “Jamais poupei os hereges e empreguei todo o meu zelo em fazer dos inimigos da Igreja meus inimigos pessoais.”
    Por sua vez,São Francisco de Sales, Bispo e Doutor da Igreja,
    determina: “Os inimigos declarados de Deus e da Igreja devem ser difamados tanto quanto se possa, desde que não se falte à verdade, sendo obra de caridade gritar: “Eis o lobo!”, quando está entre o rebanho ou qualquer lugar onde seja encontrado”.
    E que belo lema de Padre Pio de Pietrelcina: “AGRADAR SOMENTE A DEUS, AOS HOMENS FAZER O BEM”.
    A frase do insigne Doutor da Igreja, Santo Agostinho, muito se aplica a personalidade do Professor Orlando Fideli: “Prefiro os que me criticam,porque me corrigem, aos que me adulam,porque me corrompem?”.
    O patrono de todos os Sacerdotes ensina,João Maria Vianney:
    “É necessário trabalhar neste mundo, é necessário combater. Teremos toda a eternidade para descansar.”
    Nas palavras do padre Francisco Carvajal:Quem anuncia a doutrina de Cristo deve acostumar-se a ser impopular em muitas ocasiões, a ir contra a corrente, sem ocultar os aspectos dessa doutrina que se revelem mais exigentes: sentido da mortificação, honradez e honestidade nos negócios e na atividade profissional, generosidade no número de filhos, castidade e pureza na vida conjugal e fora dela, valor da virgindade e do celibato por amor a Cristo… porque não temos outras receitas para curar este mundo doente: “porventura um médico receita remédios inúteis ao seu paciente porque este tem horror àquilo que o poderia curar?”
    São Gregório Magno : “Quem luta pela honra de Deus, tem que suportar ser desonrado pelos maus”.
    Papa Félix: “O erro a que não se oferece resistência acaba aprovado; e a verdade que não se defende fica oprimida”.
    Obediência ou Cumplicidade?
    “Quando o pastor se transforma em lobo, compete primeiramente ao rebanho se defender” (D. Guéranger, L’Anneé Liturgique, na festa de S. Cirilo de Jerusalém).
    “É lícito resistir ao Pontífice que tentasse destruir a Igreja. Digo que é lícito resistir-lhe não fazendo o que ordena e impedindo a execução de sua vontade” (De Romano Pontífice, lib. II, c. 29).São Roberto Belarmino.
    Na mesma esteira ensina o Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI.
    “É possível e até necessário criticar os ensinamentos do Papa, se não estiverem suficientemente baseados na Escritura e no Credo, ou seja, na fé da Igreja Universal” (O Novo Povo de Deus, S. Paulo, Paulinas, 1974, pg. 140).
    O insigne Professor Orlando Fedeli, sempre lutou pela verdade!
    Ele não buscou por algo que acreditasse ser a verdade!
    Ele encontrou a VERDADE e procurou apresentá-la aos demais Católicos, basta comparar seu pensamento, opiniões, sua ortodoxia com a dos Santos Doutores da Igreja, com os infalíveis Concílios de Trento e Vaticano I.
    A morte do Professor Orlando Fedeli não foi uma perda para a Igreja Católica, porque a semente tem que morrer para se tornar árvore e produzir muitos frutos!
    Os modernistas e hereges de plantão devem estar dando “vivas”, como as hordas do inferno fizeram durante o calvário de Jesus Cristo!
    Mas a Montfort não vai acabar com sua morte, ao contrário, suas cinzas vão adubar esta grande e esplêndida árvore.
    O que foi dito pelo Apóstolo dos Gentios também se aplica ao Professor Orlando, baluarte da ortodoxia Católica, com quem tive a honra de trocar muitos e-mails: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição”. (2Tm 4,7-8)
    Paz em Cristo Jesus e em Sua Mãe Santíssima, porque é somente nEles que a encontramos.
    In Corde Jesu, semper, Hélio de Souza

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